A Justiça do Distrito Federal decidiu negar o pedido de prisão preventiva do advogado Cláudio Martins Lourenço, suspeito de envolvimento em pelo menos nove casos de estupro e outras acusações de importunação sexual que remontam aos anos 2000. No dia 4 de abril de 2026, o juiz Edilson Enedino das Chagas, do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Samambaia, optou por não acatar a solicitação de prisão, mas determinou medidas protetivas em favor de uma das vítimas, uma colega advogada que o acusou de violência doméstica, perseguição e importunação sexual.
Entre as medidas estão a proibição de Cláudio se aproximar a menos de 300 metros da vítima e de qualquer tipo de contato por meios de comunicação.
O caso, que está sob investigação pela 26ª Delegacia de Polícia de Samambaia Norte, teve início quando a advogada relatou ter conhecido Cláudio Martins em uma igreja, onde desenvolveram uma relação de amizade que evoluiu para contatos profissionais. Sem o consentimento dela, o advogado teria tocado partes de seu corpo, como nádegas e pescoço, alegando que tais gestos eram apenas uma questão de hábito. Após rejeitar as investidas, a vítima começou a sofrer perseguições, recebendo ligações e mensagens de cunho intimidador.
A tensão escalou quando Cláudio passou a frequentar a vizinhança da advogada, forçando-a a alterar sua rotina diária e a buscar acompanhamento terapêutico mais intensivo para lidar com o impacto psicológico da situação.
Além dessa denúncia, Cláudio Martins também enfrenta acusações de assédio contra uma adolescente de 14 anos em uma universidade privada na capital. O incidente, registrado no dia 30 de março de 2026, envolveu uma abordagem inadequada durante um atendimento, com comentários impróprios e questionamentos do suspeito sobre a existência de câmeras no local, conforme relato da jovem aprendiz à polícia.
O histórico criminal do advogado é extenso e preocupante. Ele acumula 14 inquéritos policiais, nove termos circunstanciados e duas condenações judiciais, uma delas por estupro, com acusações de violência sexual que datam desde 2001, incluindo relatos de vítimas abordadas sob ameaça de arma e levadas a locais isolados. A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal, a OAB-DF, informou que Cláudio está com sua inscrição suspensa e responde a um processo no Tribunal de Ética e Disciplina da entidade, o que reforça a gravidade das denúncias acumuladas ao longo de décadas.
Conforme noticiado pelo portal Metrópoles, a defesa de Cláudio Martins optou por não se pronunciar publicamente, limitando-se a manifestar-se nos autos do processo. As investigações seguem em andamento, e a decisão de negar a prisão preventiva tem gerado debates sobre a proteção às vítimas e a eficácia das medidas protetivas em casos de reincidência criminal tão expressiva. Entidades de defesa dos direitos das mulheres acompanham de perto os desdobramentos, cobrando respostas mais firmes do sistema judiciário diante de um histórico tão extenso de violência.


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