O Irã anunciou a imposição de uma tarifa de um dólar por cada barril de petróleo transportado por navios que cruzam o estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.
A medida foi confirmada por Hamid Hosseini, porta-voz da União de Exportadores de Produtos de Petróleo, Gás e Petroquímicos do Irã, em declarações ao Financial Times.
De acordo com Hosseini, petroleiros que navegarem vazios estarão isentos da cobrança, mas as companhias de navegação com carga serão obrigadas a realizar o pagamento exclusivamente em criptomoedas, uma estratégia para contornar sanções internacionais que poderiam rastrear ou confiscar transações financeiras tradicionais.
A decisão surge em meio a um delicado contexto geopolítico na região do Golfo Pérsico. Hosseini explicou que os navios devem seguir uma rota próxima à costa iraniana e enviar um e-mail às autoridades do país com detalhes sobre a carga transportada.
Após essa comunicação, o Irã informará o valor exato da tarifa a ser paga. Em transmissão de rádio direcionada aos navios que operam na área, as autoridades iranianas advertiram que qualquer tentativa de atravessar o estreito sem autorização resultará em resposta militar.
Essa postura reforça o controle de Teerã sobre o estreito, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.
O anúncio da tarifa ocorre após um cessar-fogo temporário de duas semanas mediado pelo Paquistão. O presidente dos EUA, Donald Trump, justificou a suspensão das hostilidades afirmando que os objetivos de Washington já foram atingidos e que um acordo de paz com Teerã é possível.
Trump condicionou a continuidade da trégua à garantia de abertura segura e completa do estreito de Ormuz, além de confirmar que recebeu uma proposta iraniana contendo 10 pontos para negociação. As tratativas entre os dois países estão previstas para acontecer em Islamabad dentro de um prazo de 15 dias a partir do início da trégua.
A República Islâmica do Irã declarou que a aceitação de suas condições para o cessar-fogo representa uma vitória da resistência nacional frente às pressões de Washington e Tel Aviv na região.
Entre as exigências apresentadas por Teerã estão o reconhecimento do controle iraniano sobre o estreito de Ormuz, a continuidade do programa de enriquecimento de urânio, o levantamento total das sanções econômicas impostas ao país, o pagamento de indenizações por danos históricos e a retirada completa das forças militares americanas do Oriente Médio.
Mesmo com a trégua em vigor, o Irã enfatizou estar plenamente preparado para responder com força máxima a qualquer provocação de seus adversários.
Para mais informações sobre o tema, consulte a cobertura detalhada no portal RT.
Outras agências internacionais têm acompanhado os desdobramentos da tensão no Golfo Pérsico, destacando o impacto potencial da tarifa sobre os preços globais do petróleo e a navegação comercial na região. O estreito de Ormuz permanece como um ponto crítico de atrito entre potências globais, com implicações que vão além do conflito bilateral entre Irã e EUA.


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