No dia 9 de abril, a primeira edição em mandarim do clássico O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil, de Darcy Ribeiro, foi oficialmente lançada em Pequim.
A obra, com 472 páginas, representa a estreia da tradução do texto fundamental do antropólogo brasileiro para o chinês e reforça os laços de cooperação cultural entre os dois países.
Conforme detalhou o portal em português da CRI, a tradução ficou a cargo da professora Yan Qiaorong, conhecida como Silvia no Brasil.
Docente na Universidade de Comunicação da China e especialista em traduções sino-portuguesas, Yan Qiaorong enfrentou o desafio de adaptar para o mandarim termos do português que não possuem equivalentes diretos, como cunhadismo e ningundade.
Para transmitir com maior fidelidade a proposta de identidade em formação defendida por Ribeiro, a tradutora optou por intitular a edição chinesa de «巴西人», que significa brasileiros, em vez de uma versão literal como «巴西人民», povo brasileiro.
O projeto nasceu de parceria entre a Fundação Darcy Ribeiro e a Blossom Press da China, com apoio institucional do Centro Cultural de Publicações entre China, América Latina e Caribe.
Durante a cerimônia de lançamento, José Ronaldo Alves da Cunha, presidente da Fundação Darcy Ribeiro, afirmou que ver a obra reconhecida internacionalmente correspondia a um dos maiores sonhos do antropólogo.
Gisele Jacon de Araújo Moreira, vice-diretora da fundação, ressaltou que o livro não apenas descreve o país, mas também apresenta uma utopia sobre o futuro possível da sociedade brasileira.
A iniciativa integra o Ano Cultural China-Brasil e prevê sequência de eventos em Xangai, Hangzhou, Suzhou e Macau.
A obra será ainda entregue a seis das principais instituições acadêmicas chinesas, ampliando o acesso de estudantes e pesquisadores ao pensamento de Darcy Ribeiro.
Yan Qiaorong argumenta que a tradução preenche lacuna relevante nos estudos latino-americanos na China, ao oferecer compreensão mais nuançada dos conflitos internos, da diversidade e das desigualdades que caracterizam a formação social do país.
A tradutora enfatiza que o diálogo cultural genuíno se constrói a partir das relações entre as pessoas e não apenas por canais governamentais.
Segundo ela, é por meio dessa aproximação humana que se consolida a amizade verdadeira entre os povos.
Darcy Ribeiro, antropólogo, educador e intelectual que participou da fundação da Universidade de Brasília e atuou como ministro da Educação e Cultura entre 1962 e 1963, redigiu o livro ao longo de seu exílio e do retorno à democracia no país, com conclusão em 1995.
A obra permanece referência central para a análise da formação social, política e cultural brasileira.
A chegada do texto ao público chinês permite leituras diretas de uma das interpretações mais influentes sobre a sociedade do país.
Essa circulação amplia o repertório acadêmico disponível na China e estimula o surgimento de debates comparativos entre as realidades dos dois países.
A parceria editorial demonstra que o intercâmbio entre os dois países avança de forma concreta na esfera dos livros e das ideias, consolidando canais de conhecimento mútuo que complementam as já intensas relações econômicas.
Com informações de diariodocentrodomundo.com.br.


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