Depois de uma viagem lunar histórica, a cápsula Orion chamada Integrity amerissou com precisão cirúrgica às 20h07, horário de Brasília, no Oceano Pacífico, ao largo da costa de San Diego, encerrando a missão Artemis II de forma espetacular. “Foi um splashdown perfeito,” declarou o porta-voz da NASA, Rob Navias, ao confirmar que os quatro astronautas — Reid Wiseman (comandante), Victor Glover (piloto), Christina Koch e Jeremy Hansen (especialista) — retornaram em segurança com a cápsula intacta após dez dias no espaço.
Essa missão marcou o segundo voo do enorme foguete Space Launch System (SLS) da NASA e o primeiro com tripulação, permitindo testar em condições reais sistemas críticos como suporte vital e escudo térmico. A órbita lunar e o retorno atingiram velocidades de até 39.693 km/h (cerca de 24.661 mph), pouco abaixo do recorde da Apollo 10, com pico de calor atingindo aproximadamente 2.700 °C no heat shield.
O perfil de reentrada foi ajustado para ser mais íngreme, reduzindo o tempo em que o escudo térmico permanece exposto às condições extremas. Embora a proteção de calor não tenha sido modificada desde Artemis I, os engenheiros confiaram totalmente no material existente do escudo, considerando a integridade estrutural e a performance demonstradas anteriormente.
Durante a entrada atmosférica, Orion enfrentou silêncio de comunicações de cerca de seis minutos causado pelo plasma ao redor da cápsula, fenômeno previsto em reentradas desse tipo. Instantes depois, os paraquedas drogues foram acionados, seguidos dos três paraquedas principais, reduzindo drasticamente a velocidade antes do splashdown.
A cápsula pousou a aproximadamente 3.200 quilômetros do ponto ideal de reentrada na atmosfera, ainda no Pacífico, conforme planejado, com o USS John P. Murtha e equipes de resgate posicionadas para receber os astronautas. Embarcadas no navio, todas as quatro pessoas relataram bom estado físico e moral elevado após o retorno.
A trajetória, os testes e os registros observacionais durante a missão abriram nova página para os planos lunares da NASA, que prevê retorno à superfície da Lua a partir de 2028 com Artemis IV e Artemis V, além de avanço rumo a presença lunar permanente. Autoridades da agência afirmam que esse retorno seguro fortalece todo o arcabouço tecnológico e científico dos próximos passos.
Há mais de cinco décadas não se via humanos voando tão longe da Terra e retornando com sucesso. Artemis II não apenas reacende sonhos lunares, mas demonstra que a humanidade está mais próxima do que jamais esteve de estabelecer presença contínua no espaço.


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