O fundador da World Central Kitchen, José Andrés, alerta que a escalada militar entre os EUA, Israel e o Irã pode desencadear uma fome multianual em escala global. O chef humanitário vincula diretamente as interrupções nas rotas de fertilizantes à temporada de plantio que se aproxima.
Conforme apontou o The Guardian, o cerne da questão reside no Estreito de Hormuz. Essa via marítima transporta cerca de 20 por cento do petróleo bruto mundial e uma parcela significativa dos fertilizantes nitrogenados usados na agricultura.
Tensões recentes bloquearam navios, elevaram os custos de transporte e provocaram interrupções na produção e exportação desses insumos essenciais. Os efeitos já se fazem sentir na cadeia global de suprimentos agrícolas.
Os fertilizantes nitrogenados como ureia e amônia são vitais para as colheitas de cereais, arroz e milho que sustentam bilhões de pessoas em todo o planeta. A falta desses produtos leva a perdas crescentes de produtividade entre agricultores dependentes de importações.
José Andrés adverte para perdas severas de safra caso os insumos não cheguem a tempo para o plantio. O cenário pode evoluir para uma crise alimentar prolongada se o conflito persistir.
O Programa Mundial de Alimentos estima que, se o conflito se estender até junho com preços elevados do petróleo, o número de pessoas em insegurança alimentar grave pode crescer em 45 milhões. O total global atingiria então mais de 360 milhões de indivíduos nessa situação.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento projeta que até 32 milhões de pessoas em 162 países podem cair na pobreza nas próximas semanas ou meses. Os mais vulneráveis incluem populações da África Subsaariana, da Ásia e de ilhas menores dependentes de importações.
A produção desses fertilizantes também sofre com a ameaça ao acesso de energia e gás natural liquefeito. Fábricas enfrentam limitações operacionais devido a problemas nos portos do Golfo e ao disparo nos custos de produção.
Em países como o Haiti, já fragilizados por crises alimentares, a população percebe o impacto diretamente no prato. Porções antes servidas em quantidades adequadas agora são distribuídas de forma muito mais restrita.
José Andrés projeta o surgimento da fome global entre o outono de 2026 e o ano seguinte. A combinação de fatores pode transformar uma crise regional em catástrofe humanitária de proporções mundiais.
O chef defende a criação de um imposto de paz de 3 por cento sobre os orçamentos nacionais. O objetivo é financiar a segurança alimentar em âmbito global.
Organizações como a Oxfam defendem planos de transferência de renda e subsídios aos agricultores como medidas urgentes. Essas iniciativas buscam proteger as comunidades mais expostas aos choques do conflito.
A crise expõe a vulnerabilidade extrema dos sistemas agrícolas globais às rupturas nas cadeias de insumos básicos. A falta de reservas estratégicas de fertilizantes e a dependência das exportações do Golfo amplificam os riscos para economias inteiras.
Os países pobres, pouco industrializados e dependentes de importações serão os mais afetados por essa dinâmica. A situação reforça a urgência de planejamento e cooperação internacional para evitar o pior cenário.
Com informações de rt.com.
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Francisco de Assis
17/04/2026
Enquanto essa gente alienada da cabeça fica batendo continência pra americano, essa conflagração bélica deles vai acabar deixando o prato do mundo inteiro vazio, visse? Mas aqui a conjuntura pátria é outra, meu compadre, pois finalmente voltamos a ter um verdadeiro estadista no poder. Graças à sapiência diplomática do companheiro Lula e aos avanços colossais na nossa soberania nacional, o Brasil segue inabalável, garantindo a comida na mesa do trabalhador e dando aula de segurança alimentar para o resto do globo!
Silvia D.
17/04/2026
Como médica, é impossível ler isso e não pensar no impacto devastador para a saúde pública global. A desnutrição severa destrói a resposta imunológica das populações, minando a eficácia das vacinas e facilitando o retorno de doenças já controladas pela ciência. Essa escalada militar é a total falência da razão, pois nenhum sistema de saúde no mundo, nem mesmo o nosso SUS, tem estrutura para suportar a sobrecarga provocada por uma fome multianual.