O som de uma sirene marcou o início do Dia da Memória em Israel e paralisou o país por um minuto em homenagem aos soldados mortos desde o século XIX. A data anual, no quarto dia do mês de Iyar no calendário hebraico, reacendeu críticas intensas pela exclusão sistemática dos palestinos das narrativas oficiais de luto e sacrifício.
A cerimônia incluiu a leitura pública dos nomes de 25.644 soldados e 5.313 civis israelenses mortos ao longo dos anos. Nenhuma menção foi feita às centenas de milhares de palestinos que perderam a vida no mesmo período histórico.
As comemorações ocorrem em meio a forte tensão política provocada pela guerra em Gaza e pela ascensão da extrema direita no governo, conforme reportagem do Al Jazeera. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu vinculou o feriado à ofensiva militar contra o Hamas e evocou o ataque de 7 de outubro de 2023 para reforçar a narrativa de sobrevivência nacional.
Netanyahu exaltou a determinação do povo israelense em buscar justiça e libertar os reféns ainda mantidos em Gaza. O discurso ignorou os mais de 52 mil palestinos mortos desde o início da escalada do conflito.
Essa retórica tem servido para justificar a continuidade da guerra na Faixa de Gaza e a expansão de assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada. Críticos consideram que o Dia da Memória se transformou em instrumento de reforço do nacionalismo e da militarização da sociedade israelense.
Jovens como Allon Rivner, de 18 anos, que se recusam a servir no exército israelense, relatam forte hostilidade quando tentam introduzir a perspectiva palestina nas discussões sobre a data. Rivner destacou a resistência em admitir que muitos soldados morreram em conflitos desnecessários e que isso impede uma reflexão honesta sobre o custo humano da ocupação.
As iniciativas de cerimônias conjuntas entre israelenses e palestinos para homenagear vítimas de ambos os lados enfrentam pressão crescente por parte de grupos de extrema direita. O evento que antes reunia centenas de pessoas foi reduzido a uma transmissão online devido a proibições e ameaças diretas.
O advogado palestino Hassan Jabareen, fundador da organização Adalah, considera a data uma tragédia contínua para o povo palestino por coincidir com as memórias da Nakba. Jabareen lembrou a expulsão de cerca de 750 mil palestinos em 1948 durante a criação do Estado de Israel.
O endurecimento do discurso oficial reflete a influência de figuras ultranacionalistas como o ministro das Finanças Bezalel Smotrich. Smotrich declarou, na Cisjordânia ocupada, que a guerra só acabará quando centenas de milhares de palestinos forem removidos de Gaza e a Síria for dividida.
Smotrich descreveu esse cenário como o “consenso de um povo que deseja viver”. Essa posição ignora as graves consequências humanitárias e o impacto econômico global do prolongamento do conflito.
Para os movimentos pacifistas israelenses, a radicalização da data simboliza a conversão do luto em ferramenta de legitimação da violência estatal. O porta-voz da associação Mesarvot, Nimrod Flashenberg, criticou a escolha de homenagear o rabino Avraham Zarbiv, morador de um assentamento ilegal conhecido por destruir casas palestinas.
Flashenberg afirmou que a decisão revela a direção política perigosa que Israel vem seguindo nos últimos anos. Vozes críticas alertam que o esquecimento deliberado das vítimas palestinas aprofunda as divisões e perpetua o ciclo de violência.
A exclusão total de qualquer menção aos mortos palestinos nas cerimônias oficiais reforça a assimetria do conflito em curso. Essa postura evidencia os enormes desafios para a construção de uma memória compartilhada em um contexto de ocupação e guerra permanente.
Com informações de ALJAZEERA.
Leia também: Em nome de Deus, populistas querem destruir o Estado de Direito em Israel
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Alice T.
21/04/2026
Triste como até o luto coletivo vira ferramenta política pra apagar a dor palestina. Enquanto o governo israelense se radicaliza, o discurso “democrático” dos aliados ocidentais continua firme — mas só pra um lado, né? A empatia deles tem fronteira bem definida.
Augusto Silva
21/04/2026
Triste ironia: um dia dedicado à memória acaba servindo para apagar a memória do outro povo. Enquanto a extrema direita israelense transforma luto em propaganda, o diálogo e a paz vão ficando cada vez mais distantes. É o que acontece quando o nacionalismo vira religião de Estado.
Sgt Bruno 🇧🇷
21/04/2026
Selva! Esse papo de “exclusão” é conversa fiada da esquerda que quer pintar Israel como vilão. Quem defende terrorista não tem moral pra falar de direitos humanos. Comunista tem que ir é pra lata de lixo da história!
Renato Professor
21/04/2026
Sgt Bruno, antes de gritar “Selva!”, talvez valha estudar o que é exclusão social e como a economia solidária funciona — não é papo de comunista, é sociologia básica. Defender direitos humanos não é apoiar terror, é entender que dignidade não tem lado de trincheira.
Zizi
21/04/2026
Triste ver um povo que já sofreu tanto repetir a exclusão e a violência contra outro. A memória devia servir para unir, não para justificar mais muros e lágrimas. Esses meninos mal-educados da extrema direita transformam o luto em instrumento de ódio, e isso a história nunca perdoa.
Evelyn Olavo
21/04/2026
Triste ver como até o luto se torna instrumento político. A lembrança dos mortos deveria unir, mas a extrema direita israelense transforma tudo em exclusão e propaganda. Enquanto isso, os palestinos continuam invisíveis até na dor.
Mariana Ambiental
21/04/2026
Triste ver como até o luto é usado pra reforçar narrativas de exclusão. Enquanto isso, as famílias palestinas seguem sem direito nem à memória. Essa lógica de “uns valem mais que outros” é a mesma que alimenta as guerras e o autoritarismo mundo afora.
Tonho Patriota
21/04/2026
AH PRONTO, LÁ VEM A ESQUERDA PASSAR PANO PRA TERRORISTA! ISRAEL TÁ CERTO, TEM QUE SE DEFENDER DESSES COMUNISTA DISFARÇADO DE PALESTINO! FAZ O L AÍ PRA VER SE O HAMAS TE DÁ FLOR EM VEZ DE MÍSSIL!
Clarice Historiadora
21/04/2026
Tonho, estudar um pouquinho de história antes de gritar na internet faz bem, viu? Nem todo palestino é Hamas, assim como nem todo brasileiro é bolsonarista — embora alguns façam questão de confirmar o estereótipo.
Lurdinha Deus Acima de Todos
21/04/2026
Gente, é tudo muito triste 😢🙏🇮🇱 mas também fico pensando nos palestinos, né? Parece que cada vez mais o coração do mundo tá endurecido… Que Deus tenha misericórdia de todos nós 🙏🇧🇷🇺🇸
Francisco de Assis
21/04/2026
Lurdinha, é isso mesmo, minha irmã — o coração do mundo endureceu, mas tem gente que lucra com essa dureza. Enquanto o povo sofre, os poderosos seguem vendendo guerra como se fosse fé.