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Fósseis revelam polvo de 18 metros que reinou como ‘kraken’ do Cretáceo

0 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Fósseis revelam polvo de 18 metros que reinou como ‘kraken’ do Cretáceo. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) Nas profundezas esquecidas do Cretáceo, onde os mares fervilhavam de monstros marinhos e luzes bioluminescentes riscavam a escuridão, um novo soberano emergia. Ele não tinha ossos, mas portava um bico capaz de triturar […]

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Ilustração editorial sobre Fósseis revelam polvo de 18 metros que reinou como 'kraken' do Cretáceo. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Nas profundezas esquecidas do Cretáceo, onde os mares fervilhavam de monstros marinhos e luzes bioluminescentes riscavam a escuridão, um novo soberano emergia. Ele não tinha ossos, mas portava um bico capaz de triturar conchas e talvez até ossos de répteis gigantes.

O nome dado pelos paleontólogos é Nanaimoteuthis haggarti, um polvo ancestral que, segundo um estudo publicado na revista Science, podia alcançar impressionantes 18 metros de comprimento. Essa criatura colossal rivalizava em tamanho com um ônibus urbano e superava em quase seis metros o maior lula-gigante conhecido.

A equipe liderada pelo paleontólogo Yasuhiro Iba, da Universidade de Hokkaido, no Japão, analisou 15 fósseis de bicos encontrados em depósitos do Cretáceo Superior no Japão e na Ilha de Vancouver. O estudo sugere que esses cefalópodes gigantes eram predadores de topo, capazes de desafiar tubarões e mosassauros nas antigas cadeias alimentares.

Segundo Iba, os polvos usavam seus braços flexíveis e mandíbulas poderosas para despedaçar presas com eficiência aterradora. Ele afirma que a descoberta abala a antiga visão de que os vertebrados dominaram sozinhos os ecossistemas marinhos mesozoicos.

Esses achados foram possíveis graças a uma técnica batizada de mineração digital de fósseis, que utiliza softwares de inteligência artificial para detectar estruturas escondidas no interior das rochas. A abordagem permitiu localizar 12 novos bicos fossilizados, alguns pertencentes a espécimes de proporções titânicas.

Iba explicou que os bicos, compostos de quitina, funcionam como a assinatura fóssil dos polvos, já que seus corpos moles dificilmente se preservam. A partir do tamanho dessas estruturas, os cientistas conseguem estimar o comprimento total do animal, reconstruindo sua anatomia perdida no tempo.

Os fósseis de Nanaimoteuthis haggarti e de uma espécie próxima, Nanaimoteuthis jeletzkyi, revelam que os polvos com nadadeiras — conhecidos como Cirrata — atingiram tamanhos colossais entre 86 e 72 milhões de anos atrás. A mandíbula do maior exemplar era 1,5 vez maior que a de uma lula-gigante moderna, sinal de uma força predatória sem precedentes entre invertebrados.

Christian Klug, paleontólogo do Museu de História Natural de Zurique, que não participou do estudo, considera as dimensões estimadas “bastante extremas”. No entanto, ele reconhece que, com base apenas em mandíbulas fossilizadas, há inevitavelmente uma margem de incerteza sobre o tamanho real.

Mesmo assim, Klug admite que o gigantismo dos Nanaimoteuthis os colocaria no topo da cadeia alimentar marinha do Cretáceo. Ele sugere que esses polvos caçavam grandes peixes e répteis marinhos, dilacerando-os antes de triturar suas presas com o bico de quitina.

Os fósseis exibem marcas de desgaste e fraturas, indicando mordidas repetidas em presas duras, talvez conchas ou ossos. Alguns bicos perderam até 10% de seu comprimento original, o que reforça a hipótese de que esses animais se alimentavam de criaturas de carapaça resistente.

Adiel Klompmaker, paleontólogo dos Museus da Universidade do Alabama, destaca que ainda faltam provas diretas, como conteúdos intestinais fossilizados ou ossos com marcas de mordida. Ele questiona se o cardápio desses gigantes incluía amonites, peixes ósseos ou pequenos répteis marinhos.

O mistério se adensa quando se considera que os fósseis foram achados em depósitos de águas rasas, o que levanta a questão sobre o que poderia estar escondido nas profundezas do antigo oceano. Klompmaker provoca: “O que estaria à espreita lá embaixo, ainda não descoberto?”

Os cientistas agora planejam buscar novos vestígios em regiões mais profundas e remotas, onde o registro fóssil permanece praticamente intocado. Cada nova mandíbula resgatada pode reescrever a história evolutiva dos cefalópodes e revelar o verdadeiro alcance do chamado “kraken do Cretáceo”.

Conforme destacou a National Geographic, a descoberta amplia o entendimento sobre como criaturas sem esqueleto dominaram mares pré-históricos outrora atribuídos apenas a vertebrados colossais. O oceano, afinal, sempre guardou segredos que zombam da arrogância científica.


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