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Paquistão tenta consolidar papel de mediador em negociação nuclear entre Irã e EUA

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Ilustração editorial sobre Paquistão tenta consolidar papel de mediador em negociação nuclear entre Irã e EUA. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que um acordo nuclear com o Irã estaria ‘muito próximo’, chegando a sugerir a possibilidade de viajar a Islamabad para assinar o documento.

A declaração ocorre em meio à intensa movimentação diplomática do Paquistão, que tem buscado aproximar Teerã e Washington após meses de conflito aberto e sanções progressivas.

Segundo reportagem do Al Jazeera, Trump afirmou que o Irã teria aceitado devolver seu estoque de urânio enriquecido e concordado em limitar suas atividades nucleares. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, rebateu com firmeza, reiterando que Teerã manterá o direito de enriquecer urânio para fins pacíficos, conforme previsto no Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).

O ex-embaixador do Paquistão em Teerã, Asif Durrani, avaliou que não há contradição insuperável entre as posições, mas sim leituras distintas sobre o alcance do que está sendo negociado. Ele lembrou que o Irã sempre defendeu o uso civil da energia nuclear dentro das normas do TNP e do Plano de Ação Conjunto Global, o JCPOA — acordo multilateral que os EUA abandonaram unilateralmente em 2018, durante o primeiro mandato de Trump.

O analista iraniano Seyed Mojtaba Jalalzadeh observou que as declarações públicas refletem apenas uma fração de um processo de negociação que avança por canais indiretos. Para ele, quando Trump fala em ‘acordo total’, trata-se de uma leitura maximalista das conversas em curso, ainda em fase de ajustes e trocas de mensagens via Islamabad.

O chefe do Exército paquistanês, marechal Asim Munir, manteve encontros de alto nível em Teerã com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian e com comandantes das Forças Armadas iranianas. Em paralelo, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, visitou Arábia Saudita, Catar e Turquia, reforçando a imagem de Islamabad como articulador regional indispensável.

A Casa Branca reconheceu oficialmente o protagonismo paquistanês. A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que Islamabad tem sido um mediador ‘incrível’ e que qualquer nova rodada de negociações presenciais deve ocorrer na capital paquistanesa. Durrani, contudo, ponderou que o êxito dependerá da disposição real das partes, e não apenas da habilidade do intermediário.

Autoridades paquistanesas informaram que cerca de cem jornalistas solicitaram visto para cobrir um possível evento de alto nível em Islamabad, o que inclui a eventual visita de Trump ao país. O volume de credenciamentos é lido por analistas como sinal de que as negociações avançaram além da fase meramente exploratória.

Em Teerã, lideranças militares mantêm discurso de resistência nacional. O conselheiro militar Mohsen Rezaei declarou que o país está preparado para uma guerra prolongada se necessário, enquanto outras lideranças afirmam que o conflito atual decorre de um erro de cálculo dos adversários sobre a capacidade de resposta iraniana. Jalalzadeh avaliou que essas declarações visam pressionar Washington e consolidar a coesão interna, sem comprometer as negociações em andamento.

Nos Estados Unidos, o secretário de Defesa Pete Hegseth anunciou que o bloqueio naval aos portos iranianos continuará ‘pelo tempo que for necessário’, mantendo o tom de coerção mesmo durante as tratativas. Em paralelo, Trump celebrou um cessar-fogo entre Israel e Líbano, movimento que pode influenciar os diálogos com Teerã, já que o Irã exige que a situação libanesa seja incluída em qualquer acordo mais amplo.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, reforçou essa ligação ao afirmar, em conversa com o líder libanês Nabih Berri, que a paz no Líbano é tão importante quanto a paz no próprio Irã. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi, também afirmou que avanços no front israelense-libanês são essenciais para consolidar o diálogo entre Washington e Teerã.

Os termos da negociação evoluíram sensivelmente, quando EUA e Israel exigiam a rendição total do programa nuclear iraniano. As discussões agora se concentram em limites de enriquecimento e mecanismos de monitoramento internacional, com Washington propondo um congelamento de 20 anos e Teerã sugerindo cinco, buscando preservar autonomia tecnológica e segurança energética de longo prazo.

Durrani acrescentou que a resistência iraniana forçou uma reavaliação da estratégia americana, antes guiada em grande medida por pressões israelenses. Ele afirmou que Teerã demonstrou capacidade real de resistência e que Washington não tem disposição para uma guerra terrestre prolongada na região.

Trump afirmou em discurso em Las Vegas que o conflito está ‘indo muito bem’ e que pode terminar em breve. Especialistas acreditam que um eventual acordo dependerá de formulações suficientemente ambíguas para permitir que ambos os lados reivindiquem ganhos políticos internos sem abrir mão de seus princípios declarados.


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