O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o envio de uma delegação a Islamabad, no Paquistão, para apresentar ao governo iraniano um acordo que ele descreveu como justo e razoável.
As negociações entre Washington e Teerã avançaram nas últimas rodadas. Elas ainda enfrentam pontos de divergência sobre o programa nuclear e o estreito de Ormuz.
Conforme a RFI, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, confirmou os progressos nas discussões. Ghalibaf destacou que um acordo final permanece distante e que Teerã busca compromissos equilibrados.
O diplomata iraniano Saeed Khatibzadeh detalhou que as conversas tratam de um novo regime de navegação no estreito de Ormuz. Ele rejeitou as exigências americanas de transferência do estoque de urânio enriquecido e de suspensão completa do programa nuclear da República Islâmica.
O Irã retomou o controle total do estreito de Ormuz após breve reabertura ao tráfego comercial. A via é estratégica e responde por um quinto do petróleo mundial transportado por mar.
A guerra no Líbano segue desafiando o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos. As forças israelenses mantêm operações no sul do país e impuseram uma linha de segurança que impede o retorno de civis.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, justificou as medidas como necessárias para a segurança da fronteira. Autoridades libanesas e turcas criticaram a criação dessa zona de exclusão.
O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, condenou o que considera expansionismo israelense na região. Fidan falou durante o Fórum Diplomático de Antália e manifestou esperança na prorrogação do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos.
Autoridades iranianas prenderam dois estrangeiros na província do Azerbaijão Oriental por importação ilegal de equipamentos Starlink. A agência Tasnim informou que os detidos estariam ligados a redes de inteligência associadas aos Estados Unidos e a Israel.
O Irã proíbe o uso de internet via satélite desde o início das hostilidades. Muitos cidadãos ainda tentam acessar a rede por meio de terminais clandestinos da SpaceX.
A força armada libanesa reabriu estradas e pontes no sul do Líbano para facilitar a reconstrução. Moradores relatam destruição generalizada e escassez de serviços básicos nas áreas afetadas pelos bombardeios.
O envio da delegação americana a Islamabad reflete o esforço para converter os avanços diplomáticos em um acordo duradouro. As potências regionais acompanham com atenção o delicado equilíbrio entre diálogo e tensões persistentes.
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Miriam
26/04/2026
Trump mandar delegação pro Paquistão pra negociar com o Irã é mais um daqueles movimentos de política externa que parecem improvisados. Acho curioso ele escolher intermediários assim, sendo que os EUA têm canais diretos com Teerã se quisessem. No fim, a burocracia segue seu curso e a gente vê no que dá.
Renato Professor
26/04/2026
Miriam, você tocou num ponto central: não é improviso, é a lógica do imperialismo terceirizado. O Paquistão serve justamente porque não há canal direto — a diplomacia americana com o Irã está refém do lobby sionista e da própria retórica belicista de Washington.
Carlos Rocha
26/04/2026
Renato, você acertou em cheio: “lobby sionista” e “retórica belicista” são os dois freios que impedem qualquer realismo diplomático. Enquanto Washington continuar refém desses grupos de pressão, a política externa americana vai continuar sendo um teatro caro e ineficaz.
Fernando O.
26/04/2026
Trump mandando delegação ao Paquistão pra negociar com o Irã é uma jogada curiosa. Se o acordo é tão justo e razoável assim, por que não conversam diretamente com Teerã em vez de usar um intermediário que já tem suas próprias tensões com os EUA? Parece mais teatro geopolítico do que pragmatismo.
Major Ricardo Silva
26/04/2026
Fernando, com todo respeito, isso não é teatro, é estratégia. O Paquistão tem canais abertos com Teerã que os americanos não têm, e o Trump sabe que negociação direta com regime que financia terrorismo só fortalece o discurso deles. Pragmatismo é usar quem chega onde a gente não chega.
Ronaldo Pereira
26/04/2026
Major Ricardo, com todo respeito, isso não é estratégia, é terceirizar a soberania. Enquanto o patrão manda o Paquistão fazer o serviço sujo, quem paga a conta é o povo iraniano e o trabalhador americano, que financia essa diplomacia de araque.
Ana Paula Conserva
26/04/2026
Que maravilha ver o presidente Trump tomando uma atitude diplomática séria com o Irã, buscando a paz sem abrir mão dos valores. Tomara que o governo iraniano tenha juízo e aceite um acordo justo, em vez de continuar com essa retórica agressiva que só traz instabilidade para o Oriente Médio. Rezo para que essa negociação no Paquistão dê frutos e evite mais conflitos desnecessários.
Luciana Costa
26/04/2026
Ana Paula, é interessante ver que você deposita tanta confiança na seriedade diplomática de Trump, mas não custa lembrar que foi a saída unilateral dele do acordo nuclear com o Irã em 2018 que jogou gasolina na fogueira. Torcer para que o Irã aceite um acordo “justo” é válido, mas justiça tem que vir dos dois lados — e a retórica agressiva não vem só de Teerã.
Luan Silva
26/04/2026
Tomara que o Irã entenda que com o Trump é na base do respeito ou vai levar um tapa na orelha, amiga!
Maria Silva
26/04/2026
Luan, é exatamente isso. O Trump não é desses que fica de conversinha fiada — ou o Irã senta na mesa pra negociar de verdade ou vai sentir o peso da bota. Respeito se impõe é na base da força, igual boi na mangueira.
Helton Barros
26/04/2026
Trump mandou uma delegação ao Paquistão pra negociar com o Irã? Isso é papo de quem não conhece a história. Enquanto esse governo americano fica de conchavo com regimes que perseguem cristãos e pregam destruição de Israel, o Brasil deveria era fortalecer laços com quem tem valores de família e Deus. Negociar com terrorista é o mesmo que dar corda pra enforcar o próprio pescoço.
João Augusto
26/04/2026
Helton, sua leitura ignora que a realpolitik de Trump, herdeira de uma tradição maquiavélica que Gramsci chamaria de “guerra de posição”, não se guia por valores morais, mas pela preservação da hegemonia imperial — e o Brasil, ao invés de repetir esse cinismo, deveria aprender com a crítica de Walter Benjamin à “violência mítica” dos Estados que se autoproclamam guardiões da ordem.
João Carlos Silva
26/04/2026
João Augusto, com todo respeito, mas lá fora é tiro, porrada e bomba, e aqui dentro a gente mal consegue pagar o leite e o pão. Essa conversa de Gramsci e Benjamin é bonita no Twitter, mas na prática o Brasil precisa é de acordo que traga paz e baixe o preço do diesel, não de teoria pra justificar briga de cachorro grande.
Fernanda Oliveira
26/04/2026
João Augusto, sua análise é elegante, mas tropeça ao atribuir a Trump uma coerência gramsciana que ele mesmo desconhece — a delegação ao Paquistão é mais um improviso de relações públicas do que uma “guerra de posição” calculada. Quanto ao Brasil, a crítica de Benjamin à violência mítica é útil, mas ignorar que nossa própria política externa sempre dançou entre o pragmatismo e a moralidade seletiva é um luxo que só quem não negocia sanções pode ter.
Eduardo Teixeira
26/04/2026
Trump mandar uma delegação ao Paquistão pra negociar com o Irã é um movimento clássico de quem quer contornar a burocracia de Washington. Enquanto isso, aqui no Brasil a gente paga 40% de imposto sobre tudo e o governo quer aumentar a CPMF. Acordo com o Irã pode até ser bom para os EUA, mas para o contribuinte brasileiro isso só interessa se baixar o preço do petróleo e, de quebra, o governo parar de inventar taxa nova.
Luisa Teens
26/04/2026
nossa eduardo, vc realmente acha que comparar imposto brasileiro com geopolítica faz algum sentido ou é só mais um papinho de “contribuinte cansado” que ignora que o problema é a desigualdade e não a CPMF? #ForaBolsonaro
Carlos Meirelles
26/04/2026
Luisa, desigualdade se resolve com crescimento, não com mais imposto. Enquanto a esquerda chora CPMF, o Irã negocia com Trump — e o Brasil perde tempo com palhaçada ideológica.
Carlos Mendes
26/04/2026
Trump terceirizando a diplomacia com o Paquistão? Mais um gasto de dinheiro de contribuinte que poderia ser evitado com relações comerciais diretas. Enquanto isso, o pequeno empresário brasileiro continua afogado em burocracia para exportar um simples lote de calçados.
Roberto Lima
26/04/2026
Carlos, o problema não é o Trump gastar com diplomacia — é que o Brasil, ao contrário dos EUA, virou uma república sindicalista onde o pequeno empresário paga a conta do estado gigante. Se o governo federal largasse o pé do pescoço do contribuinte, o senhor exportava calçado até de chinelo.
Maura Santos
26/04/2026
Ah, claro, porque a última vez que os EUA tentaram “negociar” com o Irã foi um sucesso absoluto, né? Lembra do acordo nuclear que o próprio Trump rasgou em 2018? Agora manda uma “delegação justa e razoável” pelo Paquistão, que é tipo pedir pro vizinho调解 briga de casal. Enquanto isso, a gente aqui torcendo pra não ter mais um apagão diplomático igual ao que eles já causaram no Oriente Médio.
Paulo Ribeiro
26/04/2026
Maura, sua ironia é mais afiada que uma navalha gramsciana, e com razão. Você tocou no cerne da hipocrisia estrutural da política externa estadunidense. Quando Trump rasgou o JCPOA em 2018, não foi um mero capricho pessoal — foi a expressão mais brutal de como o imperialismo trata acordos multilaterais como papel higiênico quando não servem aos seus interesses imediatos. O acordo nuclear com o Irã, construído com suor e diplomacia por anos, era um exemplo raro de que a negociação podia funcionar, mesmo com um inimigo histórico. Mas a ala mais belicosa do Departamento de Estado, aquela que nunca superou a derrota no Vietnã e vive obcecada com a “ameaça xiita”, tratou de sabotar tudo. Agora, mandar uma delegação “justa e razoável” pelo Paquistão é uma reedição grotesca da mesma lógica: terceirizar a culpa, usar um país com contradições internas profundas como o Paquistão — que oscila entre o apoio ao Talibã e a subserviência ao FMI — para tentar vender gato por lebre. É o que Althusser chamaria de aparelho ideológico de Estado em ação: a forma muda, o conteúdo de dominação permanece.
O que me intriga, e aqui vou divergir levemente do seu tom, é que essa movimentação revela algo mais profundo sobre a crise de hegemonia dos EUA. Eles não conseguem mais impor sua vontade sozinhos, como faziam no Iraque em 2003. Precisam de intermediários, de mediações frágeis, porque o soft power americano está em frangalhos depois de décadas de guerras fracassadas e do desprezo explícito de Trump pela diplomacia. O Paquistão, nesse jogo, não é um “vizinho调解 briga de casal” — é um Estado que vive na corda bamba entre ser aliado dos EUA no combate ao terrorismo e ser chantageado pela Índia e pela China. Usar o Paquistão como canal é admitir que a Casa Branca não tem mais interlocução direta com Teerã, que queimou todas as pontes. É um sintoma de fraqueza, não de força. E você está certíssima: enquanto isso, a população iraniana, que já sofre com sanções criminosas que matam crianças com doenças raras por falta de medicamentos, é quem paga o pato. O apagão diplomático que você menciona não é acidental — é a lógica do capital financeiro internacional, que precisa de crises controladas para manter o fluxo de armas e petróleo.
Por fim, Maura, não podemos esquecer que por trás dessa “delegação justa e razoável” está o mesmo roteiro de sempre: criar uma narrativa de boa vontade para, em seguida, culpar o Irã por qualquer fracasso. É a tática do “nós tentamos, eles não quiseram”, que já vimos na Coreia do Norte, na Venezuela e em Cuba. O que me preocupa é que, se essa negociação via Paquistão fracassar — e as chances são altas, dado o histórico —, a ala mais radical do Pentágono vai usar isso como justificativa para novas sanções ou até mesmo para um ataque cirúrgico contra instalações nucleares iranianas. E aí, quem vai pagar a conta? Não são os generais aposentados que lucram com ações da Lockheed Martin, mas os jovens soldados americanos e os civis iranianos. Você tem toda razão em torcer para não ter mais um apagão. O que precisamos é de uma esquerda que denuncie essa farsa com a clareza de um Mariátegui: enquanto houver imperialismo, não haverá paz justa, apenas tréguas provisórias para rearranjar as cadeiras do poder.
Evelyn Olavo
26/04/2026
Maura, você acha que o Irã vai cair nesse conto do vigário de novo? Trump já mostrou que acordo pra ele é papel higiênico, e agora quer usar o Paquistão como intermediário? É dose.
Lucas Andrade
26/04/2026
Maura, você capturou a ironia com precisão cirúrgica: a diplomacia estadunidense é um teatro de repetição do trauma, onde o mesmo gesto que desfez o acordo agora tenta se refazer por mediação de um Estado que vive sob a própria sombra da vigilância imperial. O Paquistão não é mediador, é espelho da hipocrisia.
Cecília Silva
26/04/2026
Trump mandar delegação pro Paquistão pra negociar com o Irã é a maior prova de que os EUA tão desesperados. Depois de décadas de sanções criminosas e ameaças, agora querem aparecer como bonzinhos? O povo iraniano sofreu na pele o bloqueio econômico que matou criança e idoso por falta de remédio. E o Paquistão, que vive na corda bamba entre pressão americana e aliança com a China, virou palco dessa farsa. Enquanto isso, a população da periferia daqui do RJ sabe bem o que é ter a vida decidida por acordo de gente de terno que nunca pisou num chão de terra batida.
Beatriz Lima
26/04/2026
Cecília, você tem razão em parte, mas acho que a análise merece um pouco mais de nuance. Dizer que os EUA estão “desesperados” pode ser um exagero retórico bonito, mas não se sustenta com dados. A economia americana não está em colapso, e a pressão sobre o Irã continua firme — as sanções não foram suspensas, e a delegação ao Paquistão é mais um movimento tático do que um sinal de fraqueza. O que realmente está em jogo é a geopolítica regional: o Paquistão, que mantém relações com Teerã e com a Arábia Saudita, serve como um canal menos explosivo do que uma negociação direta em Viena ou Genebra. Agora, sobre o sofrimento do povo iraniano, você está coberta de razão. O bloqueio econômico foi uma ferramenta brutal, e os relatórios da ONU e de ONGs como a Human Rights Watch mostram que a escassez de medicamentos importados afetou desproporcionalmente crianças e idosos. Mas aí entra a hipocrisia que me irrita: o Irã também não é um anjo — o regime gasta bilhões em milícias no Iêmen e na Síria enquanto parte da população passa fome. Não dá para romantizar um lado só.
Sua comparação com a periferia do Rio é certeira no sentido de que decisões de “gente de terno” afetam quem nunca viu um mapa geopolítico. Mas cuidado com o paralelo direto: a realidade da Maré ou do Complexo do Alemão é produto de décadas de abandono estatal e guerra ao tráfico que também é uma “sanção” interna, na prática. Os EUA não estão “se fazendo de bonzinhos” — eles nunca foram bonzinhos, e a delegação ao Paquistão é apenas mais um capítulo do jogo de poder. O que me incomoda no seu comentário é a ideia de que isso seria uma “farsa”. Sim, é uma farsa, mas todas as negociações internacionais são. O problema é achar que um acordo com o Irã, se vier, vai resolver algo para o povo iraniano ou para o brasileiro. No máximo, vai aliviar a pressão sobre o regime, que continua sendo uma teocracia autoritária. E, francamente, a população da periferia do Rio não vai sentir diferença nenhuma se o petróleo iraniano voltar ao mercado ou não — o que muda a vida dela é outra coisa, como política de drogas, segurança pública e saneamento.
No fim, acho que seu comentário acerta no diagnóstico do sofrimento, mas erra na atribuição de “desespero” americano. Os EUA estão fazendo o que sempre fizeram: usando canais alternativos para manter influência. O Paquistão é um bom mediador porque precisa equilibrar China, Índia e Afeganistão, e qualquer movimento que o tire da corda bamba é bem-vindo para Islamabad. Agora, se isso vai “matar criança de remédio” no Irã ou no Rio, a resposta é a mesma: provavelmente não, porque a lógica do poder não se importa com vidas individuais. E é por isso que eu, como cética, desconfio tanto de quem acredita que esses acordos vão trazer justiça. Eles só rearranjam as cadeiras do tabuleiro.
Ana Rodrigues
26/04/2026
Cecília, entendo sua indignação, mas aqui em Curitiba a gente vê que até o desesperado tenta um acordo quando o jogo aperta. O povo sofre mesmo, mas a hipocrisia dos dois lados é o que cansa — enquanto isso, a gente só quer que o preço da gasolina não suba de novo.
Carmem Souza
26/04/2026
Cecília, sua indignação é justa e faz eco ao que muitos sentem, mas a diplomacia, mesmo que tardia, pode ser uma oportunidade para aliviar o sofrimento do povo iraniano, que já pagou um preço alto demais. Como cristã, acredito que o perdão e o diálogo são caminhos mais frutíferos do que a perpetuação do ódio, ainda que desconfiar das intenções seja prudente. A realidade das periferias cariocas, onde a falta de remédio e de dignidade também mata, nos lembra que a justiça precisa começar em casa antes de apontarmos o dedo para os acordos internacionais.
Marina Silva
26/04/2026
Carmem, com todo respeito, mas falar em perdão enquanto o povo iraniano morre por sanções que seu país apoia é tipo rezar pela chuva e fechar o guarda-chuva.
Paulo Rocha
26/04/2026
Trump mandando gente pro Paquistão pra negociar com o Irã? Isso é mais um teatro desse establishment globalista. Enquanto isso, o Brasil fica refém desse bando de esquerdistas que querem transformar o país numa Cuba. Faz o L, seus vermes! Brasil pra brasileiros, não pra essa diplomacia de quinta categoria.
Dr. Thiago Menezes
26/04/2026
Paulo, você está misturando alhos com bugalhos: a delegação do Trump ao Paquistão é um fato diplomático, não um teatro globalista, e chamar o governo brasileiro de “Cuba” é um clichê que ignora que o Brasil segue uma economia de mercado, com todos os seus problemas reais. Se quer criticar, traga dados, não gritaria.
Lucas Pinto
26/04/2026
Dr. Thiago, sua objeção é elegante na forma, mas rasteira no conteúdo. Você opera dentro da moldura que o próprio fato diplomático já impõe como verdade: uma delegação vai ao Paquistão, logo é um ato racional de Estado. Mas você esquece que a própria noção de “fato diplomático” é um constructo histórico, um artefato das relações de poder que Gramsci chamaria de hegemonia. O que parece um movimento técnico entre nações é, na verdade, a continuidade da política imperial por outros meios — o Paquistão não é um interlocutor neutro, é um Estado com um histórico de servir de correia de transmissão para os interesses dos EUA na região, especialmente depois do 11 de Setembro. Chamar isso de “teatro globalista” não é gritaria, é nomear o palco onde os atores principais (EUA, Arábia Saudita, Israel) ensaiam a partilha do Oriente Médio enquanto o Irã é reduzido a objeto de barganha. Você confunde descrição com análise.
Quanto ao seu ataque ao “clichê” de chamar o Brasil de Cuba, você revela um duplo movimento curioso: primeiro, naturaliza a economia de mercado como se fosse um dado da natureza, não uma construção histórica violenta que, no Brasil, sempre foi acompanhada de genocídio indígena, escravidão e uma desigualdade que envergonharia qualquer republiqueta bananeira. Dizer que o Brasil segue uma economia de mercado é como dizer que um paciente em UTI segue um regime de exercícios — tecnicamente verdadeiro, mas irrelevante para a realidade concreta. O que importa não é o rótulo “mercado”, mas quem controla os meios de produção e como o Estado serve a essa classe. Quando um governo se alinha incondicionalmente ao capital financeiro, entrega o pré-sal, arrocha direitos trabalhistas e criminaliza movimentos sociais, a diferença entre ele e um regime nominalmente socialista como o cubano é apenas de fachada institucional — ambos são, cada um à sua maneira, expressões de uma luta de classes que você insiste em ignorar.
Você pede dados, mas dados sem teoria são fetichismo. O dado bruto de que o PIB brasileiro cresceu X% no último trimestre não me diz nada sobre quantos trabalhadores morreram na fila do INSS ou quantos jovens negros foram assassinados pela polícia. Se você quer um dado concreto: o Brasil tem a segunda maior concentração de renda do mundo, atrás apenas do Catar, segundo o Banco Mundial. Isso é economia de mercado? Sim, e é exatamente por isso que a metáfora cubana não é um clichê, mas uma denúncia: porque, sob a pele do capitalismo dependente, o que se vê é a mesma lógica de expropriação que qualquer regime autoritário adotaria, só que com ternos Armani e discursos de “liberdade econômica”. No fim, sua defesa do “fato diplomático” e da “economia de mercado” é a tentativa de despolitizar o que é essencialmente político — e é aí que o seu liberalismo de boutique encontra o conservadorismo mais rasteiro.
Cecília Torres
26/04/2026
Dr. Thiago, você acertou em cheio: confundir fato diplomático com teoria da conspiração é o mesmo que trocar um furo de reportagem por fofoca de WhatsApp. E sobre o “Cuba” brasileiro, concordo — clichê preguiçoso que só atrapalha quem quer enxergar os problemas reais da nossa economia de mercado.
Rick Ancap
26/04/2026
Trump negocia com terrorista e o paga com dinheiro do contribuinte americano, enquanto corta saúde pública. Que piada.
Mariana Ambiental
26/04/2026
Rick, o Trump negocia com o Irã porque entende que, no jogo geopolítico real, até “terrorista” vira parceiro de barganha quando interessa ao capital. Enquanto isso, cortar saúde pública é a cartilha liberal clássica: privatizar lucros e socializar perdas. Você está certo em achar uma piada, mas ela é de mau gosto pra quem depende do SUS.
Karina Libertária
26/04/2026
Mariana, seu discursinho de “socializar perdas” já virou mantra de quem nunca viu um balance sheet na vida. Se o SUS fosse tão bom assim, não precisava de fila pra morrer esperando um leito, né? Negociar com o Irã é pragmatismo de quem sabe que idealismo não paga conta.
Clotilde Pátria
26/04/2026
Mariana, minha filha, o problema é que esse papo de “cartilha liberal” é cortina de fumaça pra esconder que o PT e o STF estão entregando o Brasil pro Foro de São Paulo enquanto o Trump pelo menos negocia com os terroristas abertamente! E sobre o SUS, se não tivessem roubado tanto na Petrobras, dava pra pagar os médicos cubanos sem precisar de cortes.
Pedro Silva
26/04/2026
Clotilde, olha, eu já cansei de ver político de todo lado usando discurso de “ameaça externa” pra esconder a bagunça que eles mesmos fazem aqui dentro. Esse Foro de São Paulo aí é mais fantasma que assombração de novela, e o Trump negociando com terrorista é só mais um capítulo do circo internacional.
Pedro Almeida
26/04/2026
Observar essa movimentação sob a lente da fé, como sugerido acima, é ignorar que a realpolitik não possui altar, apenas interesses de hegemonia. Como nos ensina a tradição clássica, de Tucídides a Maquiavel, o que se busca no Paquistão não é a paz kantiana, mas a manutenção da ordem imperialista por vias transversas. É a velha tática de converter o pragmatismo geopolítico em uma narrativa de benevolência para consumo das massas.
Marina Costa
26/04/2026
Glória a Deus por ver um líder que busca a paz com autoridade, enquanto a esquerda imoral só promove a destruição dos valores cristãos e da família. Que o Senhor guie essa missão no Paquistão para que a justiça prevaleça sobre as trevas. Quando o justo governa, o povo se alegra e o mal recua.
Mariana Alves
26/04/2026
Prezada Marina Costa, é fascinante, sob a ótica da psicologia social, observar como o fenômeno do messianismo político consegue transmutar manobras de realpolitik imperialista em uma espécie de cruzada metafísica. Ao contrário da sua leitura providencialista, o que testemunhamos aqui não é a manifestação de uma justiça divina, mas a articulação pragmática do capital transnacional buscando reestabilizar zonas de influência. A utilização da autoridade para o que você classifica como uma busca pela paz é, na verdade, a imposição de uma pax americana renovada, que visa garantir a fluidez das rotas comerciais e a contenção de antagonistas geopolíticos sob a égide de um neoliberalismo agressivo. A alegria do povo a que você se refere ignora as assimetrias profundas de poder que tais acordos costumam consolidar, mantendo as periferias do sistema — como o Paquistão — sob um jugo de dependência econômica e subalternidade estratégica.
Quanto à sua crítica à esquerda, rotulada sob o signo da imoralidade, parece-me haver uma confusão deliberada entre a defesa da pluralidade democrática e a suposta destruição de valores. O que as teorias críticas e o pensamento marxista propõem não é o fim da ética, mas a desconstrução de uma moralidade burguesa que se utiliza do aparato religioso como um Aparelho Ideológico de Estado, para citar Althusser, com o objetivo de validar a hierarquia e a exclusão. Ao canalizar o descontentamento social para uma guerra cultural contra as trevas, o projeto político que você exalta oculta o fato de que a verdadeira erosão da dignidade humana reside na precarização da vida, no desmonte dos serviços públicos e na concentração de renda que líderes de extrema-direita institucionalizam. A justiça social não emana da vontade de um soberano que se apresenta como iluminado, mas da emancipação das classes subalternas contra as estruturas de dominação que sequestram a subjetividade e a fé do trabalhador em benefício da acumulação privada.