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EUA prorrogam licença para compra de petróleo russo enquanto tensão no Estreito de Ormuz se intensifica

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Ilustração editorial sobre EUA prorrogam licença para compra de petróleo russo enquanto tensão no Estreito de Ormuz se intensifica. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Os Estados Unidos decidiram estender por mais um mês a flexibilização das sanções que limitam a compra de petróleo russo, medida que busca conter a escalada dos preços globais de energia em meio ao conflito no Oriente Médio.

A decisão permite que o petróleo russo carregado até a noite de sexta-feira continue sendo comercializado até meados de maio, conforme reportagem do portal alemão Tagesschau. A licença abrange embarcações da chamada ‘frota sombra’ russa, mas exclui envios destinados ao Irã, a Cuba, à Coreia do Norte e a regiões ucranianas sob controle russo, como a Crimeia.

A medida é uma extensão das flexibilizações adotadas inicialmente em março. Ela revela a tensão permanente da política energética americana entre o cerco econômico a Moscou e a necessidade de estabilidade nos mercados globais.

Em paralelo, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que a trégua com o Irã está em risco caso Teerã não aceite as condições impostas por Washington para encerrar o conflito. Trump afirmou que a presença militar americana na região será mantida e ameaçou retomar bombardeios caso as negociações fracassem.

O pano de fundo da crise é o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do planeta para o transporte de petróleo. O Irã sinalizou que pode fechar a passagem em retaliação às pressões americanas, e cerca de 20 navios comerciais desistiram de atravessá-la — incluindo três embarcações da companhia francesa CMA CGM, que recuaram sem motivo oficialmente declarado.

O presidente do Parlamento da República Islâmica, Mohammad Bagher Ghalibaf, respondeu às ameaças de Washington afirmando que o Irã voltará a restringir a passagem de navios caso os EUA não recuem em suas exigências. Ele destacou que a soberania iraniana sobre a região é inegociável e que a liberdade de navegação deve ser garantida de forma equânime para todos os países.

A Europa acompanha o impasse com preocupação crescente. O chanceler alemão Friedrich Merz avaliou positivamente a breve abertura do Estreito de Ormuz anunciada por Teerã, classificando-a como um sinal de esperança para a retomada das negociações diplomáticas. Merz reconheceu, no entanto, que a ameaça de Trump de encerrar a trégua reacende o temor de nova escalada militar.

No campo energético, autoridades alemãs alertaram para o risco de escassez de querosene nas próximas semanas, citando projeções da Agência Internacional de Energia. A ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche, assegurou que o país ainda possui produção interna suficiente para reduzir a dependência de importações no curto prazo. Ela defendeu medidas emergenciais para evitar alta de preços no setor aéreo europeu.

O impasse no Estreito de Ormuz evidencia o risco de colapso logístico global caso a via marítima permaneça interditada por tempo prolongado. Dados de rastreamento de embarcações mostram que o recuo dos navios comerciais já provoca incerteza nos mercados de energia, com reflexos diretos sobre os preços do petróleo e do gás natural.

A prorrogação das sanções seletivas a Moscou e a crise no Golfo Pérsico mostram que o conflito no Oriente Médio está cada vez mais entrelaçado à disputa global por rotas energéticas e influência geopolítica. O desfecho das negociações entre Washington e Teerã nas próximas semanas deve determinar se a estabilidade do fornecimento de energia mundial será preservada ou se uma nova escalada irá aprofundar a crise.


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