Menu

Sheinbaum defende soberania e anuncia avanços em habitação e saúde no México

48 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Sheinbaum defende soberania e anuncia avanços em habitação e saúde no México. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) A presidente do México, Claudia Sheinbaum, apresentou novos dados sobre políticas sociais e reforçou a postura de independência do país frente a pressões externas. Em sua coletiva matinal, conhecida como ‘La Mañanera’, ela […]

48 comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
Ilustração editorial sobre Sheinbaum defende soberania e anuncia avanços em habitação e saúde no México. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, apresentou novos dados sobre políticas sociais e reforçou a postura de independência do país frente a pressões externas.

Em sua coletiva matinal, conhecida como ‘La Mañanera’, ela destacou o programa Habitação para o Bem-Estar, que já entregou mais de 102 mil moradias com investimento de 61,6 bilhões de pesos. A iniciativa gerou 768 mil empregos e beneficiou 369 mil famílias.

De acordo com o portal Regeneración.mx, Sheinbaum também informou sobre a entrega de 15.480 casas pelo Instituto do Fundo Nacional de Habitação para os Trabalhadores (Infonavit). A mandatária afirmou que a meta é ampliar o acesso à moradia como um direito fundamental para a população mexicana.

No campo da saúde, a presidente anunciou a Estratégia Nacional de Atenção à Saúde Mental Juvenil, voltada para adolescentes em situação de sofrimento psicológico ou vulneráveis ao uso de drogas. O programa prioriza a prevenção e a desestigmatização, sendo implementado em escolas e comunidades.

Entre as ações previstas está o projeto ‘ABC das Emoções’, com 18 milhões de guias distribuídas e uma hora semanal de aprendizado socioemocional no currículo escolar. Sheinbaum destacou que o enfrentamento das causas do sofrimento juvenil exige ações integradas, começando pelo ambiente escolar e familiar.

A iniciativa combina educação emocional, prática de esportes e promoção de autocuidado. O objetivo é oferecer suporte integral aos jovens mexicanos.

Em outro momento da coletiva, a chefe de Estado abordou questões de segurança e soberania nacional com tom assertivo. Ela condenou a presença de agentes estrangeiros atuando sem autorização no estado de Chihuahua, citando o artigo 71 da Lei de Segurança Nacional, que proíbe tais operações sem aval do governo mexicano.

Sobre ações unilaterais dos Estados Unidos, Sheinbaum afirmou que a cooperação internacional existe, mas deve respeitar as leis e a transparência. A presidente reiterou que o México não tolerará ingerências que violem sua autonomia, defendendo relações baseadas em igualdade entre as nações.

A conferência também trouxe números do Instituto Mexicano da Juventude, que realizou mais de 9.000 atividades de engajamento social. Entre elas estão 5.701 ações de trabalho comunitário, os chamados ‘tequios’, e 3.356 murais artísticos, envolvendo quase um milhão de jovens na recuperação de espaços públicos.

A governadora de Tlaxcala, Lorena Cuéllar, participou da apresentação e destacou os impactos positivos das iniciativas. Segundo ela, os projetos têm contribuído para revitalizar áreas urbanas e rurais, além de promover a participação cidadã entre os mais jovens.

Sheinbaum aproveitou a ocasião para rebater informações falsas sobre políticas públicas que circulam no país. Ela desmentiu rumores sobre falhas no Serviço Universal de Saúde, fechamento de lojas do SUPERISSSTE e escassez de medicamentos, garantindo que os estoques estão regulares e que o sistema de saúde segue em expansão.

Outras correções incluíram esclarecimentos sobre a Comissão Federal de Eletricidade, que não realiza inspeções sem aviso, e o Serviço de Administração Tributária, que não envia mensagens com links para reembolsos. Essas medidas visam combater a desinformação e preservar a confiança da população nas instituições governamentais.

Suas declarações e os dados apresentados refletem os esforços do governo mexicano para atender às demandas da população. A postura firme de Sheinbaum no cenário internacional consolida a defesa da independência nacional como eixo central de sua gestão.


Leia também: O primeiro ato revolucionário de Sheinbaum no sistema judiciário do México


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Carlos Menezes

27/04/2026

Paula, seu comentário foi cirúrgico. O que me intriga nessa thread é como a palavra “comunista” virou atalho pra não discutir o mérito. Sheinbaum pode estar errando na execução ou no financiamento, mas chamar habitação popular de compra de voto é negar que o Estado tem um papel ali. Agora, se vão conseguir entregar sem corrupção e com qualidade, aí são outros quinhentos — e aí sim a desconfiança é justa.

Carlos Meirelles

27/04/2026

Adriana, você está certa em desconfiar de gasto público sem lastro, mas o erro é achar que saúde e moradia são “compra de voto”. Isso é obrigação básica do Estado. O problema real é que esses programas sociais virarão cabide de emprego e ineficiência se não houver contrapartida de produtividade. Soberania é ótima, mas sem âncora fiscal vira discurso vazio e inflação.

Paula Santos

27/04/2026

Marta, a senhora tem toda razão. É triste ver como alguns usam “comunista” como xingamento sem nem saber o que significou a Revolução Mexicana, que foi justamente uma luta por terra e dignidade. Eu, como cristã, vejo nessa política de habitação um eco do que Tiago 2 nos ensina sobre cuidar dos que não têm onde morar. O que Sheinbaum está fazendo me parece mais justiça social do que ideologia barata.

Marta

27/04/2026

Adriana, minha filha, senta aqui com a vó que eu vou te dar uma aula de história gratuita, já que o governo Bolsonaro acabou com as aulas de qualidade nas escolas públicas. Você acha que chamar a Sheinbaum de comunista é um insulto, mas não sabe que o México teve uma revolução em 1910 justamente contra a concentração de terras e a miséria do povo — a Constituição mexicana de 1917 foi uma das primeiras do mundo a garantir direitos sociais como habitação, saúde e educação. O PRI, que governou o país por 70 anos, não era comunista coisa nenhuma, era um partido nacionalista e desenvolvimentista, e foi justamente o abandono dessas políticas nos anos 80 e 90, com o neoliberalismo do FMI, que quebrou o México três vezes, como o sargento ali lembrou. O problema não é gastar com o povo, é que os meninos mal-educados do mercado financeiro acham que país se governa como empresa, e empresa não tem compromisso com gente, tem compromisso com acionista.

E outra coisa, Tiago Mendes, você está coberto de razão ao citar Mateus 25, mas a Bíblia também diz em Tiago 5:4 que o salário dos trabalhadores retido pelos patrões clama aos céus. A questão não é só caridade individual, é justiça social estrutural. A Sheinbaum está retomando o legado do López Obrador, que foi o primeiro presidente mexicano em décadas a enfrentar abertamente a corrupção das elites e a investir nos pobres. O programa de habitação que ela anunciou não é esmola, é direito constitucional — o artigo 4º da Constituição mexicana garante moradia digna, assim como o artigo 6º da nossa CF de 88 garante direitos sociais. O que esses liberais chamam de “gastança” é, na verdade, o Estado cumprindo seu dever. Enquanto isso, no Brasil, a PEC do Teto de Gastos do Temer congelou investimentos em saúde e educação por 20 anos, e o resultado está aí: fila do SUS, moradores de rua, e gente achando que o problema é o Lula.

O sargento Bruno fala em “fatos concretos”, mas os fatos concretos são que o México, sob o governo de esquerda do Morena, reduziu a pobreza em 5 milhões de pessoas entre 2018 e 2022, segundo o CONEVAL, enquanto o PIB per capita cresceu acima da média latino-americana. O mercado precifica ideologia sim, sargento — quando o Lula foi eleito em 2022, o dólar subiu e a bolsa caiu por puro pânico ideológico, e depois se ajustou quando viram que o governo ia pagar as contas. O que o mercado não aceita é soberania nacional, é país que não se ajoelha para o FMI. A Sheinbaum está certíssima em defender a soberania mexicana, porque o México já foi invadido pelos EUA em 1846 e perdeu metade do território — Texas, Califórnia, Arizona, Novo México — e ainda tem gente que acha que o caminho é ser quintal dos americanos.

No mais, Fernanda Oliveira, você está certa ao dizer que a equação é mais complexa, mas eu acrescento: a verdadeira âncora fiscal de um país é o bem-estar do seu povo. Um país que não investe em habitação gera mais violência, mais doença, mais custo previdenciário no futuro. O México tem um déficit habitacional de 9 milhões de moradias, e a Sheinbaum está atacando isso com programas de autoconstrução assistida e regularização fundiária — coisa que o Brasil fazia com o Minha Casa Minha Vida e que o governo Bolsonaro praticamente extinguiu. Então, meninos mal-educados, antes de criticar, estudem a história do México, leiam a Constituição, e parem de repetir bordão de coach quântico. O amor ao povo não é gastança, é investimento no futuro. E viva a soberania dos povos latino-americanos!

Adriana Silva

27/04/2026

Faz o L, Sheinbaum! Vai pra Cuba, México! Mais um governo comunista querendo gastar dinheiro que não tem em habitação e saúde pra comprar voto de pobre. Enquanto isso, o povo mexicano vai acabar morando de aluguel em barraco de papelão, igual aqui no Brasil.

    Tiago Mendes

    27/04/2026

    Adriana, a Bíblia inteira condena a exploração do pobre, e chamar investimento em habitação e saúde de “comprar voto” é ignorar que Jesus mandou cuidar do necessitado sem esperar recompensa (Mateus 25). O problema não é gastar com o povo, é achar que o mercado deve ditar quem tem direito a um teto e a remédio.

Sgt Bruno 🇧🇷

27/04/2026

Fernanda Oliveira, você tenta dar um verniz de sofisticação ao que é puro voluntarismo. O mercado não “precifica” por birra ideológica, ele reage a fatos concretos. O Estado mexicano já quebrou três vezes nos últimos quarenta anos por achar que podia ignorar a realidade fiscal. Sheinbaum pode até ter boas intenções, mas sem âncora fiscal, isso vira assistencialismo com data de validade.

    João Batista

    27/04/2026

    Sargento, com todo respeito, o mercado não é deus e nem a Bíblia — Isaías 10:1 já nos alertava sobre os que escrevem leis injustas para oprimir os pobres. O problema não é âncora fiscal, é saber se a âncora está no lucro dos ricos ou na vida do povo, porque o Reino de Deus não se constrói com juros compostos.

Fernanda Oliveira

27/04/2026

Ricardo Menezes, você levanta um ponto válido sobre responsabilidade fiscal, mas acho que simplifica demais a equação. O mercado sempre vai “precificar” qualquer governo que não se curve aos seus interesses, independentemente dos números. A questão central é se o Estado deve servir ao mercado ou ao povo mexicano. Sheinbaum parece ter feito uma escolha clara, e o tempo dirá se a soberania econômica e o bem-estar social podem andar juntos sem a benção dos especuladores.

Ricardo Menezes

27/04/2026

Carlos Mendes, você acertou em cheio. O problema não é defender soberania, é achar que gastança pública resolve tudo. Habitação e saúde são importantes, mas sem responsabilidade fiscal vira bagunça igual ao Brasil. Enquanto Sheinbaum promete avanços, o mercado já tá precificando o risco.

Carlos Mendes

27/04/2026

Cecília, com todo respeito, sua visão de que Sheinbaum está governando “sem se curvar ao mercado” é exatamente o tipo de romantismo que quebra países. Soberania sem solvência fiscal é miragem. Enquanto ela anuncia mais gasto público em habitação, o peso mexicano já sente a pressão e o déficit público só cresce. O mercado não é inimigo do povo — é o que financia habitação de verdade, com eficiência e sem corrupção estatal.

Cecília Ramos

27/04/2026

João Silva, você tocou no ponto exato: a financeirização da vida é o nome do pecado estrutural que estamos combatendo. Sheinbaum mostra que é possível sim governar com os pobres no centro, sem se curvar ao mercado. Aqui no Brasil, a bancada evangélica deveria aprender com ela que fé sem justiça social é hipocrisia.

João Silva

27/04/2026

Mariana Oliveira, você trouxe a chave analítica que faltava nessa thread. A disputa não é entre Estado e mercado, é entre direito social e financeirização da vida. Sheinbaum está mostrando que soberania popular passa por garantir que casa e saúde não sejam tratadas como ativos financeiros. Enquanto isso, nossos governantes seguem achando que política social é gasto — e não investimento na reprodução da vida.

Mariana Oliveira

27/04/2026

Márcio Torres, você trouxe um ponto que merece ser aprofundado com a precisão que a análise feminista interseccional exige. A crítica ao “excesso de Estado” feita pela Marta ignora completamente que habitação e saúde pública não são mercadorias, são direitos fundamentais que, quando deixados nas mãos do mercado, reproduzem exatamente as desigualdades que Kimberlé Crenshaw mapeou como estruturantes. O que Sheinbaum está fazendo no México não é populismo fiscal, é a aplicação prática do que bell hooks chamava de “política de transformação”: reconhecer que o Estado tem o dever de intervir justamente onde o capital falha em garantir dignidade. A soberania que ela defende não é nacionalismo abstrato, é a capacidade de um país decidir que sua população não será refém de especuladores imobiliários nem de laboratórios farmacêuticos estrangeiros.

O debate sobre “abertura econômica” que a Marta sugere me parece ingênuo quando olhamos para a história da América Latina. Cada vez que um país abriu mão de sua soberania em nome do “investimento privado”, o que vimos foi a repetição do padrão que Crenshaw denuncia: as mulheres, especialmente as racializadas e pobres, são as primeiras a perder acesso à moradia digna e à saúde preventiva. O México privatizou parte de seu sistema de saúde nos anos 1990 e o resultado foi o aprofundamento das desigualdades regionais e de gênero. Sheinbaum está tentando reverter esse ciclo, e é sintomático que a crítica venha sempre disfarçada de “realismo econômico” quando na verdade é a velha defesa de que o mercado deve decidir quem vive e quem morre.

O que me incomoda profundamente na thread é a tentativa de reduzir a gestão Sheinbaum a uma questão de “eficiência fiscal” ou “romantismo político”. Isso é um truque retórico clássico para esvaziar o conteúdo transformador de políticas que, sim, enfrentam o capital. bell hooks insistia que a verdadeira libertação exige que a gente nomeie os sistemas de opressão, e não que os maquie com linguagem técnica. Quando Sheinbaum anuncia avanços em habitação, ela está enfrentando um dos pilares do patriarcado capitalista: a especulação imobiliária que expulsa mulheres chefes de família de seus territórios. Quando defende a soberania farmacêutica, está combatendo a lógica colonial que faz países inteiros dependerem de patentes estrangeiras para tratar doenças que poderiam ser prevenidas.

Para finalizar, acho que o Márcio acertou ao identificar a “captura do Estado por uma elite financeira” como o verdadeiro problema. Mas precisamos ir além: essa elite não é apenas financeira, é também racial e patriarcal. O modelo de desenvolvimento que a Marta defende implicitamente é o mesmo que, no Brasil, transformou o direito à moradia em dívida bancária e a saúde pública em negócio de planos. Sheinbaum oferece um caminho alternativo que não é perfeito, mas que ao menos reconhece que soberania popular e justiça social são faces da mesma moeda. Enquanto isso, aqui no Brasil, a esquerda institucional ainda está presa em debates sobre “responsabilidade fiscal” que nunca são aplicados com o mesmo rigor quando se trata de subsidiar bancos.

Marta Souza

27/04/2026

Samara Oliveira, que visão romântica. Soberania não se defende com discurso bonito em coletiva, se defende com reformas que abram a economia e atraiam investimento privado de verdade. Enquanto ela anuncia mais Estado na saúde e na habitação, o povo mexicano continua pagando a conta com impostos altos e falta de opção. Aqui no Brasil a gente já viu esse filme: populismo disfarçado de nacionalismo só atrasa o país.

    Márcio Torres

    27/04/2026

    Marta, você está certa ao desconfiar de discursos que vendem soberania como um mantra sem lastro fiscal. Mas sua analogia com o “filme brasileiro” merece um ajuste de foco. O que vimos aqui não foi excesso de Estado, e sim captura do Estado por uma elite financeira que transformou a máquina pública em balcão de juros. O problema nunca foi gasto social — foi a dívida pública alimentar o rentismo enquanto a infraestrutura apodrecia. Sheinbaum, ao menos, está entregando concreto e leitos hospitalares, não apenas promessas e spreads bancários.

    O segundo ponto é mais incômodo: a ideia de que “abrir a economia” resolve soberania é um fetiche de manual de economia introdutória. O México já é um dos países mais abertos do mundo — tratado NAFTA/USMCA, cadeias integradas com os EUA, zona franca industrial. Resultado? Salários estagnados por décadas, dependência de remessas de migrantes e um narco-Estado que floresce justamente na brecha entre o formal e o informal que o “investimento privado de verdade” não ocupa. Soberania real não é autarquia, é capacidade de dizer “não” quando o capital estrangeiro quer drenar aquíferos ou impor cláusulas que desmontam regulação trabalhista. Se o preço disso for um Estado que constrói casas populares com impostos, que venham os impostos — desde que a conta não seja paga, como sempre, pelos mesmos de sempre.

    Por fim, a acusação de populismo é um atalho preguiçoso. Populismo é quando o discurso substitui a entrega. Sheinbaum está entregando números — 1 milhão de casas prometidas, ampliação do sistema público de saúde, reforma do Judiciário. Dá para discordar da eficiência, do custo, do modelo. Mas chamar de populismo o que é, na pior das hipóteses, um experimentalismo keynesiano em tempos de austeridade global é ignorar que a alternativa “abrir a economia” já foi testada no México dos anos 1990 e produziu o que temos hoje: um país com a 14ª economia do mundo e 40% da população na informalidade. Talvez o problema não seja o tamanho do Estado, mas a quem ele serve. E aí, Marta, a esquerda brasileira e a mexicana têm mais em comum do que você admite: ambas falham em construir um Estado que não seja capturado. A diferença é que Sheinbaum, ao menos, está tentando construir algo antes de ser capturada de novo.

Samara Oliveira

27/04/2026

É bonito ver uma líder que não abre mão da soberania e ainda entrega casas e saúde pro povo. Enquanto isso, aqui no Brasil a gente tem que ouvir que política social é gasto e que soberania é coisa do passado. Que Deus ilumine a Sheinbaum pra continuar firme, porque o que o povo precisa é de dignidade, não de submissão a mercado.

Paulo Rocha

27/04/2026

Helton Barros, você acertou em cheio. Enquanto a Sheinbaum mostra que soberania e desenvolvimento andam juntos, aqui no Brasil a esquerda fica fazendo discurso bonito para plateia internacional enquanto o povo paga a conta. Marxismo cultural não constrói casa nem hospital, só desagrega a nação. Brasil pra brasileiros, não pra ONG estrangeira.

    Paulo Ribeiro

    27/04/2026

    Paulo Rocha, companheiro, permita-me discordar com respeito, mas com firmeza. Você toca num ponto que merece ser desmontado com cuidado, porque mistura uma percepção correta sobre a gestão Sheinbaum com um diagnóstico raso sobre o que é a esquerda brasileira. Sim, a presidenta mexicana está de parabéns ao articular soberania com políticas públicas concretas — habitação, saúde, combate à pobreza. Isso é materialismo histórico na prática, é a velha lição de Mariátegui de que a revolução se faz com pão e terra, não com slogans. Mas daí a dizer que a esquerda brasileira “abandonou o desenvolvimento” ou que se perdeu em “marxismo cultural” é um atalho teórico perigoso, que ignora as condições objetivas de luta de classes no Brasil pós-golpe de 2016.

    O que você chama de “marxismo cultural” é, na verdade, a tentativa de enfrentar as superestruturas ideológicas que o capitalismo brasileiro usa para se reproduzir. Gramsci já nos ensinou que a hegemonia não se conquista apenas na fábrica ou no orçamento público, mas também na disputa de valores, de narrativas, de subjetividades. Negar isso é cair num economicismo vulgar que a própria história do PCB já superou nos anos 1960. Quando o MST ocupa um latifúndio e ao mesmo tempo debate gênero e raça, ele não está se desviando da luta de classes — está aprofundando a compreensão de que a exploração no Brasil é múltipla, racializada e patriarcal. Isso não é “desagregar a nação”; é reconstruí-la sobre bases mais justas.

    Quanto à acusação de que a esquerda brasileira faz “discurso bonito para plateia internacional”, sugiro que você examine os orçamentos dos governos Lula e Dilma. Foram eles que tiraram 36 milhões de pessoas da miséria, que construíram hospitais pelo SUS, que expandiram a universidade pública para filhos de trabalhadores. Isso não é discurso, é política de Estado. O problema é que, desde 2016, o Estado brasileiro foi capturado por uma fração do capital financeiro que desmonta essas conquistas com a cumplicidade de setores que hoje se dizem “nacionalistas”. Soberania não se faz com xenofobia barata contra ONGs; faz-se com controle popular sobre os recursos estratégicos, com reforma agrária, com tributação dos super-ricos. A Sheinbaum está fazendo isso no México. Aqui, a esquerda luta para reconstruir o que foi demolido — e, sim, sem abrir mão de disputar a cultura, porque a batalha das ideias é tão concreta quanto a construção de uma casa popular.

Helton Barros

27/04/2026

Pedro Almeida, você citou Celso Furtado com propriedade. O que Sheinbaum está fazendo é resgatar o velho e bom nacional-desenvolvimentismo, algo que a esquerda brasileira abandonou para abraçar pautas identitárias e globalismo. Enquanto isso, aqui no Brasil a gente vê o MST destruindo propriedades e o governo federal gastando rios de dinheiro com ideologia de gênero nas escolas, em vez de construir casas e hospitais de verdade. Falta patriotismo e sobra mimimi.

    Renato Professor

    27/04/2026

    Helton, discordo frontalmente: a esquerda brasileira não abandonou o nacional-desenvolvimentismo; ela foi expulsa dele pelo golpe de 2016 e pela captura do Estado pelo rentismo financeiro. Quanto ao MST, sugiro uma visita a um assentamento para ver de perto produção de alimentos e cooperativas habitacionais — coisa que Sheinbaum entende muito bem, ao contrário de quem repete jargão de agronegócio como se fosse análise econômica.

Maria Silva

27/04/2026

Sofia García tem toda razão — soberania não é palavra vazia, é entregar resultado. Enquanto isso, aqui no Brasil a gente fica refém de briga ideológica e esquece que o povo precisa de casa e hospital. Que a Sheinbaum sirva de exemplo, sem precisar copiar modelo de ninguém.

Sofia García

27/04/2026

gente, o Pedro Neto ali em cima claramente não viu os números de aprovação da Sheinbaum kkkkk. ela tá literalmente entregando casas e hospitais enquanto a oposição mexicana chora pitangas de birra. soberania não é mimimi, é política pública que funciona.

Pedro Almeida

27/04/2026

João Carlos, você capturou bem o paradoxo. Enquanto Sheinbaum retoma a tradição do cardenismo e coloca o Estado como indutor de direitos sociais, o Brasil pós-2016 parece ter desaprendido a lição mais elementar de Celso Furtado: de que desenvolvimento nacional exige planejamento estatal e soberania. Ver um país latino-americano anunciar 135 mil novas moradias e expandir o sistema público de saúde enquanto enfrenta pressões de Washington é um sopro de dignidade que nos faz lembrar o que já fomos capazes de fazer com a SUDENE e o SUS.

João Carlos da Silva

27/04/2026

Marcos, você tocou no ponto central: enquanto Sheinbaum coloca a máquina estatal a serviço da população com programas concretos de habitação e saúde, aqui no Brasil a gente ainda discute se o Estado deve ou não ter algum papel na vida do cidadão. É o tipo de contraste que revela menos sobre ideologia e mais sobre prioridade política — e a do México, ao que tudo indica, está do lado certo.

Marcos Andrade Niterói

27/04/2026

Cláudio, você foi cirúrgico. O Pedro Neto acha que chamar de socialista é argumento, mas a real é que Sheinbaum está entregando moradia e saúde pública de verdade. Enquanto isso, no Rio, a gente vê o governo do estado sucatear hospitais e a prefeitura de Niterói ter que remar contra a maré pra fazer o básico. Soberania não é discurso, é obra.

Cláudio Ribeiro

27/04/2026

Pedro Neto, seu comentário é um primor de superficialidade. Reduzir a política habitacional e de saúde pública de um país a um rótulo de “socialismo” é o tipo de simplificação que impede qualquer debate sério. Enquanto você se limita ao deboche, o governo mexicano demonstra que soberania nacional se exerce com políticas concretas para a população, não com ufanismo vazio.

Pedro Neto

27/04/2026

Só esquerdista babão pra achar bonito socialismo mexicano. Vai tomar uma tacada de tequila e cala a boca.

Ana Souza

27/04/2026

Bia, você tocou num ponto que me parece o cerne da questão: a diferença entre promessa e entrega. Sheinbaum está usando a máquina pública para construir casas e fortalecer hospitais, enquanto aqui a gente vê reforma tributária que aumenta imposto pra pobre e discurso de soberania que não sai do papel. O dado concreto do México é que eles estão reduzindo o déficit habitacional com recursos do próprio orçamento, sem depender de especulador imobiliário. Falta isso no Brasil: menos ufanismo, mais obra.

Bia Carioca

27/04/2026

Laura, você levantou um ponto importante: a diferença entre discurso e entrega concreta. Sheinbaum está mostrando que soberania nacional não é só retórica, é usar o orçamento pra construir moradia popular e fortalecer o SUS mexicano. Enquanto isso, aqui no Rio a gente vê promessa de BRT e obra parada. Se a esquerda brasileira aprendesse com a eficiência técnica dela em vez de ficar fazendo aliança com centrão, a gente não tava nessa situação.

João Santos

27/04/2026

Pois é, Ana, você falou bem. Mas a real é que essa Sheinbaum é socialista igual o Lula, só que ela faz. Aqui a gente vê discurso e mais discurso, enquanto o MST invade terra e o PCC toma conta do Rio. No México pelo menos tão construindo casa, aqui tão construindo cela pra bandido que a justiça solta no outro dia. Bandido bom é bandido preso, e saudade de um presidente que não fique de joelho pra ditadura internacional.

    Laura Silva

    27/04/2026

    João, eu entendo a frustração com a insegurança e a sensação de impunidade que você descreve — é um sentimento real e legítimo, que atinge trabalhadores de periferia e classes médias que veem o Estado falhar na proteção mais básica. Mas preciso discordar frontalmente da sua comparação e da conclusão que você tira.

    Primeiro, chamar Sheinbaum de “socialista igual o Lula” é um erro de análise histórica e política grave. O governo mexicano atual, embora de centro-esquerda, opera dentro de um modelo de capitalismo de Estado com forte componente nacionalista e keynesiano — exatamente como Vanessa e Ana apontaram. Não há socialismo ali, há uma social-democracia que usa o orçamento público para mitigar desigualdades históricas, algo que o Brasil já fez nos governos Lula e Dilma com o Minha Casa Minha Vida e o SUS. O problema não é a “ideologia”, João, é que aqui o projeto foi interrompido por um golpe parlamentar em 2016 e depois por quatro anos de desmonte deliberado das políticas sociais. Não é que Lula “não faz”; é que o Brasil sofreu um ataque sistemático contra qualquer política pública que beneficie os pobres, e a recuperação é lenta porque a máquina foi sucateada de propósito.

    Sobre a sua fala de “bandido bom é bandido preso”, essa é a falácia mais perigosa do senso comum punitivista, que nunca resolveu nada. O México tem uma das taxas de encarceramento mais altas das Américas e, ainda assim, a violência não caiu — porque prisão sem política de prevenção, sem regularização fundiária e sem investimento em educação só alimenta o ciclo do crime organizado. Sheinbaum está construindo casas e hospitais exatamente porque sabe que a segurança pública não se faz com cadeia, mas com dignidade. O PCC não nasceu do nada: nasceu de presídios superlotados, da ausência do Estado em territórios periféricos e da falência de um modelo que só sabe prender e não reinserir. Se você quer um presidente que não se curve a “ditadura internacional”, ótimo, mas a verdadeira soberania é a que garante ao povo o direito de não precisar escolher entre morar numa casa de papelão ou se aliar ao crime.

Ana Rodrigues

27/04/2026

Ahmed, com todo respeito, mas misturar política habitacional mexicana com “valores islâmicos” é forçar a barra. Sheinbaum tá fazendo o que qualquer governo minimamente decente deveria fazer: usar o dinheiro público pra construir casa e atender hospital. Aqui em Curitiba a fila do SUS já passa das seis da manhã pra pegar senha, e enquanto isso o prefeito corta verba da saúde pra pagar empresa de ônibus. Se é “globalista” ou “keynesiano” eu não sei, mas sei que moradia e remédio não deveriam depender de ideologia.

Eduardo Teixeira

27/04/2026

Vanessa Silva, você foi precisa. A Sheinbaum está simplesmente fazendo o básico: usar o Estado para garantir moradia e saúde, que é obrigação dele, não caridade do mercado. Enquanto isso, no Brasil, a gente continua pagando a conta de um Estado que só sabe aumentar imposto e nunca entrega serviço de qualidade. Se ela consegue fazer isso sem quebrar o país, por que aqui a gente sempre ouve que “não tem dinheiro”?

Vanessa Silva

27/04/2026

Ahmed, com todo respeito, mas comparar a política habitacional do México com “pragmatismo islâmico” é um salto lógico que não se sustenta. Sheinbaum está aplicando políticas keynesianas clássicas de estímulo à construção civil e regulação fundiária — nada de misticismo ou teologia. O que funciona no México funciona porque eles têm planejamento urbano decente e controle sobre a especulação imobiliária, não porque estão “preservando valores tradicionais”.

Ahmed El-Sayed

27/04/2026

O México está dando uma aula de pragmatismo islâmico sem Alcorão: soberania que preserva valores tradicionais, família e comunidade, sem se curvar à agenda globalista. Enquanto isso, no Brasil, o estado laico virou desculpa para destruir tudo que é sagrado e entregar o país ao mercado. Sheinbaum mostra que é possível ter governo forte sem se render nem ao neoliberalismo nem ao relativismo moral.

Major Ricardo Silva

27/04/2026

Isso que a Sheinbaum está fazendo no México é o que a gente precisava ver por aqui: um governo que coloca a soberania nacional acima dos interesses de banqueiro e de cartilha do FMI. Enquanto a esquerda brasileira fica fazendo conchavo com o centrão e engordando orçamento secreto, ela entrega casa própria e saúde de verdade. Cadê o Lula e o PT com essa mesma coragem?

Maria Aparecida

27/04/2026

Carlos Oliveira, você foi certeiro. A soberania que Sheinbaum defende é a mesma que permite ao México não aceitar receitas do FMI enquanto constrói moradia popular e expande o SUS deles. Enquanto aqui a gente ouve que “não tem dinheiro” pra saúde, mas sempre tem pra pagar juro de banqueiro.

Sargento Bruno

27/04/2026

Cecília, com todo respeito, mas esse papo de “aumento de impostos” é o mesmo mantra neoliberal de sempre. Soberania de verdade exige investimento pesado em infraestrutura social — e isso não se paga com milagre de mercado. Enquanto a esquerda mexicana constrói casas e hospitais, por aqui a turma do “Estado mínimo” só entrega juro alto e serviço sucateado. Prefiro mil vezes um governo que gasta com o povo do que um que se ajoelha pro FMI.

    Carlos Oliveira

    27/04/2026

    Sargento Bruno, você foi cirúrgico. Esse discurso de que investimento social é sinônimo de irresponsabilidade fiscal é o mesmo que há décadas entrega nosso SUS e nossa habitação popular nas mãos do mercado, enquanto o Estado paga juros estratosféricos para banqueiro. A soberania que Sheinbaum pratica é a que financia política pública com orçamento próprio, sem pedir licença ao capital financeiro.

Cecília Alves

27/04/2026

Habitação e saúde são áreas legítimas de atuação, mas toda vez que vejo um governo anunciar “avanços” nessas áreas, já imagino o aumento de impostos e o endividamento que virão junto. Soberania é ótima quando significa não se curvar a pressões externas, não quando serve de desculpa para expandir o Estado e sufocar a iniciativa privada. No fim das contas, o que realmente melhora a vida das pessoas não é discurso de independência, é menos burocracia e mais liberdade econômica.

    Rubens O Pescador

    27/04/2026

    Cecília, lá na roça a gente aprendeu que saúde e casa própria não se resolve com menos Estado, se resolve é com programa que bota comida na mesa e médico no posto — e isso, minha filha, foi o que o PT fez e a Sheinbaum tá fazendo. Liberdade econômica sem teto nem remédio é liberdade de passar fome, igualzinho antes do Lula.

Cristina Rocha

27/04/2026

Beto, você tocou num ponto que merece ser aprofundado, mas discordo da premissa de que discurso de soberania e obras concretas são coisas separadas. Quando Sheinbaum fala em soberania, não é retórica vazia — é a base material para que as ferrovias que você menciona possam ser construídas sem virar moeda de troca com o FMI ou com as corporações estrangeiras que historicamente ditaram os rumos da América Latina. O problema não é falta de projetos técnicos, é que durante décadas nossos países foram impedidos de ter política industrial própria porque o receituário neoliberal dizia que Estado não podia investir em infraestrutura. O México de Sheinbaum está tentando romper exatamente com isso, e os avanços em habitação e saúde que ela anuncia são a prova de que soberania não é abstração filosófica — é a capacidade concreta de usar o orçamento público para priorizar quem sempre ficou de fora.

Aliás, a discussão sobre ferrovias no Brasil é sintomática de algo que a Mariana Santos já apontou na resposta à Marina: a direita cristã adora falar em “valores” abstratos, mas quando o assunto é transporte público de qualidade para a periferia, sumiram. O mesmo vale para a esquerda liberal que acha que soberania se resolve com discurso de terceira via. Sheinbaum representa justamente a retomada de um projeto nacional-desenvolvimentista com rosto feminista e anticolonial — e isso assusta tanto os moralistas quanto os entreguistas. Não à toa, a mídia hegemônica tenta reduzir sua gestão a polêmicas culturais enquanto ela, nos bastidores, está nacionalizando o lítio e recompondo o sistema de saúde pública que o neoliberalismo desmontou.

O que me preocupa é ver comentaristas como o Ricardo Almeida reduzindo a laicidade a uma questão técnica de “eficiência”, como se o Estado laico não fosse uma conquista histórica arrancada a ferro e fogo do poder clerical. A soberania que Sheinbaum defende não é apenas contra os EUA ou o capital financeiro — é também contra a teocracia disfarçada de “valores cristãos” que quer ditar políticas de saúde e educação. E é justamente por isso que o governo dela está entregando casas populares e hospitais: porque entende que direito à moradia e à saúde são indissociáveis da autonomia nacional. Quem acha que isso é “paliativo”, como disse a Marina, nunca precisou escolher entre pagar aluguel ou comprar remédio.

Beto Engenheiro

27/04/2026

Pois é, o que importa mesmo é se estão saindo obras no chão. Discurso de soberania é bonito, mas cadê as ferrovias ligando os estados mexicanos? Enquanto isso, a gente aqui no Brasil vê trem de passageiro virar promessa de campanha a cada quatro anos.

Marina Costa

27/04/2026

Soberania é sim um valor cristão, mas soberania sem Deus vira orgulho. Essa presidente ainda defende o aborto e a ideologia de gênero, que são abominações aos olhos do Senhor. Enquanto não se arrependerem dessas práticas imorais, qualquer avanço em habitação e saúde é paliativo para uma nação que precisa voltar a temer a Deus.

    Mariana Santos

    27/04/2026

    Marina, seu argumento ignora que a esmagadora maioria das mexicanas que recorrem ao aborto inseguro são pobres e morrem por falta de acesso a saúde pública — exatamente o tipo de injustiça que Cristo combateu ao lado dos marginalizados. Reduzir soberania a um teste de pureza moral é um luxo de quem nunca precisou escolher entre criar um filho na fome ou morrer numa clínica clandestina.

    Lucas Pinto

    27/04/2026

    Marina, você está operando dentro de uma lógica que o próprio cristianismo histórico, se levado a sério, desmontaria. Quando você diz que “soberania sem Deus vira orgulho”, está pressupondo que a soberania de um Estado laico é necessariamente um ato de rebeldia contra uma ordem divina. Mas isso é um raciocínio teológico raso. A soberania, no sentido moderno, não é um atributo moral que precisa de bênção celestial — é uma condição material de autodeterminação de um povo. O México, como qualquer nação pós-colonial, construiu sua identidade justamente sobre a separação entre Igreja e Estado, porque a história mostrou que quando a Igreja manda, quem sofre são os pobres, os indígenas, as mulheres. Você pode achar que isso é “orgulho”, mas para quem viveu séculos sob o jugo de uma cristandade que queimava hereges e justificava a exploração, isso se chama libertação.

    Sobre o aborto e a “ideologia de gênero”, você repete um discurso que não é cristão no sentido evangélico original, mas sim uma pauta política importada do fundamentalismo norte-americano. O Novo Testamento não tem uma única linha sobre aborto; tem dezenas sobre cuidar dos pobres, curar os doentes e não julgar os outros. Cristo nunca disse “condenai as mulheres que abortam”, mas disse “quem estiver sem pecado atire a primeira pedra”. O que você chama de “ideologia de gênero” é, na verdade, o reconhecimento de que pessoas trans e não-binárias existem e merecem dignidade — e isso não é uma “abominação”, é um fato da diversidade humana que a biologia e a sociologia já demonstraram. Se o seu Deus se ofende com a existência de pessoas diferentes de você, talvez o problema não seja o Deus de Jesus, mas o ídolo que você construiu à sua imagem e semelhança.

    Por fim, seu argumento de que “qualquer avanço em habitação e saúde é paliativo” é profundamente anticristão. Você está dizendo que, porque uma presidente não segue sua cartilha moral, o direito à moradia e à saúde das pessoas — que são necessidades básicas, concretas, urgentes — não têm valor. Isso é a mesma lógica dos fariseus que criticavam Jesus por curar no sábado. A vida material das pessoas importa, Marina. Um teto sobre a cabeça de uma mãe solo importa. Um hospital que atende uma criança com pneumonia importa. Reduzir a fé a um teste de pureza moral sobre aborto e gênero é transformar o Evangelho em uma ideologia de controle, não em boa-nova. Se você quer falar de Deus, comece pelo amor ao próximo — e não pelo ódio à diferença.

    Ricardo Almeida

    27/04/2026

    Marina, você está confundindo seu catecismo pessoal com política pública. Soberania não é um teste de pureza moral, é a capacidade de um Estado garantir direitos básicos — e dados mostram que países com políticas laicas de saúde reprodutiva têm menores taxas de mortalidade materna. Seu “Deus” parece muito mais um instrumento de controle social do que o princípio de justiça que Cristo pregava.


Leia mais

Recentes

Recentes