A escalada de tensões entre os Estados Unidos e o Irã começa a converter um choque econômico em instabilidade política interna para a União Europeia, que já enfrenta pressão inflacionária e desconfiança crescente nas instituições do bloco. Autoridades europeias temem que o conflito no Golfo Pérsico fragilize ainda mais a coesão do continente.
O presidente do Comitê Econômico e Social Europeu, Seamus Boland, afirmou que o aumento dos preços da energia já se propaga por setores essenciais como alimentação, transporte e habitação. Para Boland, esse cenário atinge com mais força as famílias de baixa e média renda e cria condições para o avanço de discursos protecionistas que colocam em xeque a integração europeia.
Boland alertou que a incapacidade de Bruxelas em proteger os cidadãos dos efeitos externos da crise energética ameaça a própria legitimidade política da União Europeia. A percepção de impotência diante das decisões de Washington pode acelerar o desgaste da confiança pública, especialmente em países mais dependentes de importações de gás natural liquefeito e petróleo.
O pano de fundo do problema é o bloqueio imposto pelos Estados Unidos ao tráfego marítimo com destino aos portos iranianos no Golfo Pérsico. A medida afeta diretamente cerca de 20% do fornecimento global de petróleo, derivados e gás natural liquefeito, provocando alta imediata nos preços internacionais e incerteza nos mercados europeus.
O bloqueio não se confunde com o controle do Estreito de Ormuz em si, que permanece formalmente aberto à navegação internacional. Washington sustenta que embarcações não iranianas podem transitar livremente pela via marítima, desde que não realizem pagamentos de taxas a Teerã — condição que, na prática, inviabiliza grande parte do comércio com a República Islâmica.
Para a Europa, o impacto é duplo: além da pressão inflacionária, há o risco de desestabilização política interna, com governos enfrentando protestos motivados pelo custo de vida. O aumento do preço do gás e do petróleo repercute em toda a cadeia produtiva, elevando os custos de transporte e alimentos e ampliando as desigualdades sociais dentro do bloco.
Boland ressaltou que a crise evidencia a vulnerabilidade estrutural da União Europeia diante de decisões unilaterais dos Estados Unidos em temas de segurança e energia. A ausência de uma política externa independente e de uma matriz energética suficientemente diversificada mantém o continente exposto a choques geopolíticos que não controla, aprofundando o debate sobre autonomia estratégica europeia.
O Irã, por sua vez, resiste às pressões e busca apoio de parceiros no âmbito do BRICS e de outros países que contestam a hegemonia norte-americana. A postura de Teerã insere-se em uma dinâmica mais ampla de reconfiguração das relações internacionais, em um cenário crescentemente multipolar.
Com a tensão no Golfo Pérsico e a insatisfação social em alta na Europa, o conflito entre Washington e Teerã deixa de ser uma disputa estritamente regional e passa a afetar diretamente o equilíbrio político e econômico do continente. A dependência energética europeia, construída ao longo de décadas sem uma estratégia de diversificação robusta, cobra agora seu preço político mais visível.
Leia mais sobre o assunto na Reports.
Leia também: União Europeia condena ameaças de Trump contra infraestruturas civis no Irã
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Silvia D.
27/04/2026
O José dos Santos tem toda razão: enquanto a Europa se debate com a própria dependência energética, aqui no Brasil a gasolina já bateu nos sete reais em São Paulo e ninguém no governo parece ter um plano B que não seja aumentar imposto. O problema não é só geopolítica, é falta de visão estratégica mesmo — e a população paga a conta.
José dos Santos
27/04/2026
Pois é, Luan, mas “Brasil acima de tudo” não paga conta de luz nem enche tanque. Enquanto a gente fica nessa de torcer pra crise alheia, o preço do diesel já subiu três vezes esse mês aqui em Salvador. Quero ver é o bolso no fim do mês, o resto é conversa de bar.
Luan Silva
27/04/2026
Luciana, a Europa depende dos EUA desde a Segunda Guerra. Agora tão colhendo o que plantaram. Brasil acima de tudo, faz o L nunca mais.
Luciana Costa
27/04/2026
Mais um capítulo em que a Europa paga o pato por uma política externa americana que não leva em conta os interesses dos aliados. O problema não é só o choque energético em si, mas a falta de uma estratégia energética própria e unificada do bloco, que há décadas prefere depender de terceiros a fazer escolhas difíceis sobre matriz e soberania.
Marina Silva
27/04/2026
Ana Paula, a utopia climática não é o problema — o problema é que o capitalismo precisa de crises pra se reerguer, e enquanto a Europa treme, o povo da periferia de Porto Alegre já sente o gás mais caro sem ter culpa de nada.
Ana Paula Conserva
27/04/2026
João Martins, o problema não foi só fechar as nucleares. A Europa se amarrou numa ideologia verde que troca segurança energética por utopia climática. Enquanto isso, o Brasil tem potencial hidrelétrico e biocombustíveis que poderiam nos blindar, mas o governo insiste em subsídios para energia cara e inconstante. O resultado é o mesmo: conta alta pra quem trabalha e crise na mão de quem não pensa nas consequências.
João Martins
27/04/2026
Eduardo, você está certo ao apontar a fragilidade da matriz energética europeia, mas acho que a culpa não é bem do “ventinho” — o problema é anterior e mais estrutural. A Alemanha fechou usinas nucleares seguras depois de Fukushima por pressão política e substituiu parte dessa base por gás russo barato. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, o preço do gás disparou e a dependência ficou exposta. Agora, com a tensão no Estreito de Ormuz, o que vemos é o terceiro choque em menos de cinco anos. Não é uma questão de esquerda ou direita, é de planejamento energético realista. Nenhum país sério deveria basear sua segurança em fontes intermitentes sem backup termelétrico ou estoques estratégicos robustos.
Sobre o comentário da Adriana, acho uma simplificação perigosa. A Europa não está pagando por “seguir cartilha comunista”, mas por ter subestimado a geopolítica da energia. Dados da Agência Internacional de Energia mostram que, em 2023, a UE importou cerca de 60% do gás que consome — e uma fatia relevante ainda passa por rotas que podem ser interrompidas por conflitos no Oriente Médio. O Irã, apesar de sancionado, controla de facto o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo global. Qualquer crise lá vira inflação aqui, e a Europa não tem margem fiscal para novos pacotes de auxílio como teve na pandemia. O que estamos vendo é uma crise de credibilidade institucional: o cidadão médio alemão ou francês não entende por que paga 30% a mais na conta de luz se o governo prometeu transição energética barata.
A Bia tocou num ponto relevante, mas acho que o controle estatal sozinho não resolve. O problema não é só a propriedade das renováveis, é a falta de lastro. A Alemanha tem parques eólicos no Mar do Norte que ficam parados dias seguidos quando não venta, e aí precisa ligar térmicas a gás ou carvão. Isso não é culpa do especulador, é física básica. O que falta é um mix realista: nuclear (que a França manteve e se saiu melhor), hidrelétrica com bombeamento e armazenamento em larga escala. Enquanto a UE não encarar isso, vai continuar refém de crises externas. O dado mais preocupante é que a inflação de energia na zona do euro ainda roda em 4,5% ao ano, bem acima da meta de 2% do BCE — e isso corrói salários e alimenta populismo. A crise não é só energética, é política.
Eduardo Nogueira
27/04/2026
Adriana e Maria, a Europa trocou energia de verdade por ventinho e promessa de aquecimento global. Agora o Irã respira mais forte e eles já estão de joelhos. Enquanto isso, a esquerda chora e pede mais impostos.
Bia Carioca
27/04/2026
Eduardo, você tem razão em criticar a dependência energética europeia, mas esquece que a saída não é voltar ao carvão e sim investir em transporte público de qualidade e em fontes renováveis com controle estatal, não na mão de especulador que lucra com a crise.
Maria Silva
27/04/2026
Adriana, a senhora acha que na Europa tem L pra fazer? Lá o negócio é pior: eles trocaram carvão e nuclear por promessa de vento e sol, e agora tão pagando o pato. Aqui no Mato Grosso a gente sabe que energia boa é a que não falta na hora de ligar o pivô, não essa frescura de agenda climática.
Jeferson da Silva
27/04/2026
Maria Silva, a senhora tem razão em parte, mas esquece que a agenda climática foi sequestrada pelo mercado financeiro e pelo agroexportador que lucra com crédito de carbono enquanto o trabalhador da fábrica paga a conta da energia. Aqui no ABC a gente sabe que energia firme é direito do povo, não negócio de banqueiro.
Adriana Silva
27/04/2026
Faz o L, Europa! Isso que dá seguir a cartilha comunista do aquecimento global. Vai pra Cuba pegar energia a vela!
Cíntia Alves
27/04/2026
Nadia, você foi precisa: enquanto a esquerda europeia finge que o problema é só o aquecimento global e a direita culpa imigrante, o mercado financeiro já embolsou a grana. O pior é que agora vão culpar o Brasil pelo etanol pra desviar o foco de novo.
Nadia Petrova
27/04/2026
Mateus Silva, você foi cirúrgico ao apontar que o problema não é “esquerda vs direita” e sim a financeirização da energia. A UE terceirizou a segurança estratégica pra traders de gás e agora colhe o resultado: qualquer barulho no Estreito de Ormuz vira crise existencial em Berlim. Enquanto isso, os mesmos que pediam descarbonização acelerada agora correm atrás de carvão indonésio. Ironia ou hipocrisia?
Zé do Povo
27/04/2026
UE se meteu onde não devia e agora chora! 😡 Quem mandou abraçar discurso esquerdista e largar energia própria? Volta carvão e nuclear já!
Mateus Silva
27/04/2026
Zé do Povo, seu diagnóstico é certeiro sobre o erro estratégico, mas a culpa não é de “discurso esquerdista” e sim do liberalismo de mercado que transformou a energia em mercadoria financeira e entregou a segurança energética da Europa a Gazprom e ao xá do gás catariano. Voltar ao carvão é regredir ao século XIX; o problema não é a fonte, é quem controla a torneira e a que preço.
Rick Ancap
27/04/2026
UE se fodeu por escolher ideologia no lugar de pragmatismo energético. Agora chora.
Cláudio Ribeiro
27/04/2026
Gabriel Teen, você tocou num ponto que o debate europeu insiste em escamotear: o Brasil tem seus próprios problemas estruturais com a Petrobras, mas ao menos não cometemos o suicídio estratégico de desativar capacidade instalada por puro fetichismo ideológico. O que a Alemanha fez com as nucleares é um caso de livro didático de como a social-democracia europeia trocou soberania energética por virtude moral barata — e agora quem paga a conta é o trabalhador alemão, não o burocrata de Bruxelas que aplaudiu a decisão.
Gabriel Teen
27/04/2026
Lucas, o Brasil trata Petrobras como vaca leiteira desde sempre, mas pelo menos a gente não pagou pra desligar usina que já tava pronta igual a Alemanha fez.
Lucas Moreira
27/04/2026
Clarice, você acertou em cheio. O erro da Alemanha não foi técnico, foi ideológico: desligar usinas nucleares seguras e se atrelar ao gás russo foi uma aposta burra que agora cobra a fatura em euros e em votos. Enquanto isso, o Brasil insiste em manter a Petrobras como vaca leiteira do governo, com preços controlados e subsídios que só aumentam o rombo fiscal. Soberania energética se constrói com mercado livre, não com planejamento central de cartilha.
Clarice Historiadora
27/04/2026
Alice T., você foi cirúrgica, mas faltou um detalhe: a Alemanha desativou usinas nucleares seguras e ampliou a dependência de gás russo por puro lobby ideológico do partido Verde. Agora estão pagando o preço da própria burrice estratégica com a conta de luz nas alturas e a indústria migrando pra China. Isso não é crise, é consequência.
Alice T.
27/04/2026
Renato Professor, você foi cirúrgico. A UE passou anos bancando a moralista enquanto se lambuzava em gás barato de regimes autoritários. Agora querem culpar Trump ou o Irã, mas a conta é simples: quem não tem soberania energética não tem soberania política. E adivinha quem paga o pato? O trabalhador europeu que vai ter que escolher entre aquecer a casa e comer. Hipocrisia tem preço, e o boleto chegou.
Renato Professor
27/04/2026
Carlos Menezes, você tocou num ponto crucial que muitos ignoram: a União Europeia sempre preferiu o discurso moralista das sanções à construção de uma política energética soberana. Agora o preço dessa hipocrisia está chegando na conta de luz do cidadão comum, e a extrema-direita que tanto criticamos aqui dentro vai surfar nessa onda de descontentamento popular. Enquanto isso, o Brasil precisa urgentemente aprender com esse erro e não repetir a mesma dependência energética que está quebrando a Europa.
Carlos Menezes
27/04/2026
Pois é, Maura, mas apontar o dedo só pra extrema-direita brasileira é conveniente demais. A União Europeia tá colhendo o que plantou há anos: dependência energética de regimes instáveis enquanto bancava sanções econômicas sem plano B. Agora o choque vira crise política e ninguém quer assumir responsabilidade. O erro foi coletivo, não de um espectro só.
Maura Santos
27/04/2026
João Batista, é exatamente isso. Enquanto a diplomacia vira jogo de xadrez entre potências, quem paga o pato é o povo que precisa encher o tanque e colocar comida na mesa. Mas não esquece que essa crise energética não caiu do céu: o apagão que a extrema-direita deixou no Brasil também foi fruto de escolhas ruins, com privatização desenfreada e sucateamento de estatais. Agora a UE colhe o que plantou com sanções cegas e dependência de energia suja.
João Batista
27/04/2026
Pois é, Pedro e Pedro Silva, a teoria sempre parece distante até a bomba do posto mostrar o preço. Mas é justamente essa guerra de ricos que a gente financia sem ter voto nela. Enquanto os governantes europeus e americanos brincam de xadrez com sanções, quem carrega o piano é o povo, como sempre foi desde os tempos de César e dos sumos sacerdotes.
Pedro
27/04/2026
Pois é, Pedro Silva, falou tudo. Enquanto uns debatem teoria, eu tô aqui vendo o litro da gasolina subir de novo e pensando se ainda vale a pena rodar. Essa crise aí é bonita no papel, mas na prática quem se vira é o povo que precisa trabalhar, não importa se o barril tá caro por causa de guerra ou de sanção.
Pedro Silva
27/04/2026
Pois é, Letícia, bonito o discurso da materialidade histórica, mas o que eu vejo na rua é o preço do diesel subindo e o arroz na prateleira custando os olhos da cara. Enquanto esses acadêmicos ficam citando autor, motorista de aplicato que nem eu tá é tentando entender como vai pagar a conta de luz no fim do mês. Pra mim, essa briga de EUA e Irã é mais um capítulo dessa novela que não acaba nunca e o povo que se vire.
Carlos Meirelles
27/04/2026
João Carlos da Silva, você citou Gramsci, mas esqueceu de mencionar Mises. A crise europeia não é crise de autoridade, é crise de escolhas erradas. Quando você troca energia nuclear e gás americano por dependência de regimes hostis, o resultado é previsível. Agora a UE colhe o que plantou com regulação excessiva e ideologia climática. O Brasil que aprenda com isso e não repita o erro.
Letícia Fernandes
27/04/2026
Carlos Meirelles, seu comentário é tão revelador quanto sintomático. Você invoca Mises como se a “escolha racional” fosse um fator que opera no vácuo, descolado das relações de poder e da materialidade histórica que determinam o leque de opções disponíveis para cada nação. A ideia de que a Europa “escolheu” trocar gás americano por dependência de regimes hostis ignora que, durante décadas, o capital europeu se beneficiou do gás russo barato exatamente porque isso maximizava a taxa de lucro das suas indústrias — e a Alemanha, em particular, construiu seu modelo exportador sobre essa base energética. Quando você reduz a crise a um erro de cálculo individual ou a “ideologia climática”, está fazendo o que a tradição liberal sempre fez: transformar contradições sistêmicas do capitalismo em falhas morais ou técnicas de gestão. A regulação ambiental que você critica, por mais imperfeita que seja, não é a causa da crise; ela é, no máximo, um sintoma da tentativa desesperada do capital de administrar suas próprias externalidades destrutivas sem tocar na propriedade privada dos meios de produção.
O que me parece mais grave no seu raciocínio é a sugestão implícita de que o Brasil deveria “aprender” com esse suposto erro europeu e mergulhar de cabeça na exploração predatória de petróleo, como se a crise climática fosse uma miragem e a dependência de combustíveis fósseis fosse um caminho de soberania. Você inverte a causalidade: a União Europeia não está em crise porque escolheu a “ideologia climática”; ela está em crise porque o capitalismo globalizado construiu cadeias produtivas tão frágeis e concentradas que qualquer abalo geopolítico — como a sanção à Rússia ou a tensão com o Irã — desnuda a fragilidade de um sistema que precariza a vida em nome da acumulação. Mises diria que o mercado se autorregula; a história concreta mostra que ele se autorregula à custa de guerras, fome e desemprego. O Brasil que você defende, que “não repita o erro”, é o Brasil que repete o erro de sempre: achar que extrair petróleo a qualquer custo é desenvolvimento, quando na verdade é a perpetuacão de uma inserção subordinada na divisão internacional do trabalho.
Por fim, Carlos, sua defesa do gás americano como alternativa “confiável” é quase cômica se olharmos para a história recente. Os Estados Unidos usam o xisto e o gás natural liquefeito como instrumento de pressão geopolítica exatamente da mesma forma que a Rússia usou o gasoduto — a diferença é que o imperialismo americano veste terno e gravata enquanto o russo veste uniforme militar. Trocar uma dependência por outra não é “escolha racional”, é rearrumação das cadeiras no convés do Titanic. O que a Europa colhe não é o que plantou com regulação; é o que plantou com décadas de desregulamentação financeira, precarização trabalhista e submissão à OTAN. Se o Brasil quer aprender algo, que aprenda a não repetir a tragédia de acreditar que o mercado resolve contradições que ele mesmo cria.
João Carlos da Silva
27/04/2026
Tiago Mendes, você tocou no ponto nevrálgico: a conta da geopolítica nunca é paga por quem decide as sanções. O que estamos vendo é a materialização daquilo que Gramsci chamava de crise de autoridade — quando o consenso se rompe e a coerção econômica escancara as contradições de classe. Enquanto a UE financia tanques, o trabalhador alemão paga 500 euros de aquecimento e o brasileiro perde o poder de compra. Não é choque, é projeto.
Tiago Mendes
27/04/2026
Paulo Ribeiro, você tocou num ponto que pouca gente vê. Essa crise não é só sobre gás, é sobre quem paga a conta no fim do dia. Enquanto os governos europeus discutem sanções, os mais pobres aqui e lá fora sufocam com inflação de alimentos e energia. O evangelho que eu leio não se cala diante disso — tem nome: injustiça estrutural.
João Santos
27/04/2026
Pois é, João Augusto, você viaja na maionese com esse papo de “materialidade histórica”. A verdade é que a Europa abraçou o gás russo porque era barato e agora chora as pitangas. Enquanto isso, o Brasil precisa parar de frescura e explorar nosso próprio petróleo e gás. Dependência de país estrangeiro é roubada na certa, seja de gringo ou de esquerdista.
Paulo Ribeiro
27/04/2026
João Santos, seu comentário revela uma confusão conceitual que é preciso desfazer com calma, porque ela não é inocente — ela serve a um projeto político muito específico. Você diz que João Augusto “viaja na maionese” ao falar em materialidade histórica, mas é exatamente essa categoria que explica por que a Europa não “abraçou o gás russo porque era barato” como se fosse uma escolha de supermercado. A materialidade histórica, caro João, é o conjunto das relações de produção, dos interesses de classe e das disputas geopolíticas que condicionam as decisões dos Estados. A dependência alemã do gás russo foi gestada nos anos 1990 e 2000 pela social-democracia de Gerhard Schröder, que, em aliança com a burguesia industrial alemã, priorizou o Nord Stream para garantir energia barata à indústria exportadora — enquanto os EUA, via OTAN, empurravam a expansão da aliança para o Leste. Não foi “frescura ideológica”, foi cálculo de lucro e poder. Reduzir isso a “era barato e agora chora” é, desculpe a franqueza, um raciocínio digno de manchete de jornal sensacionalista, não de análise política.
Agora, sobre o Brasil: você defende “explorar nosso próprio petróleo e gás” como se isso fosse um ato de soberania, mas esquece que a Petrobras, desde o governo Temer e com força total em Bolsonaro, foi capturada pela lógica do mercado financeiro — preço de paridade internacional, distribuição de dividendos bilionários aos acionistas, desinvestimento em refino. Soberania energética não se constrói com mais exploração predatória de pré-sal entregue a multinacionais; constrói-se com controle estatal da cadeia produtiva, com investimento em refinarias nacionais e em transição energética que não reproduza a dependência estrutural. O que você chama de “roubada na certa” quando vem de estrangeiro ou de “esquerdista” é, na verdade, a lógica do capitalismo dependente que sempre fez do Brasil exportador de commodities baratas e importador de tecnologia cara. Quer um exemplo concreto? Enquanto a Petrobras bate recorde de produção de petróleo, o preço do diesel no Brasil é atrelado ao mercado internacional — ou seja, a “exploração do nosso petróleo” não nos protege do choque externo, porque o lucro vai para o acionista, não para o povo.
Por fim, João, seu ataque gratuito a “esquerdista” revela o que realmente está em jogo: você não quer debater a materialidade dos fatos, quer desqualificar quem aponta as contradições do sistema. Gramsci já alertava que o senso comum dominante é fragmentário e acrítico, e seu comentário é a prova viva disso. A crise energética europeia não é um “castigo” nem uma “frescura” — é a manifestação concreta das contradições do imperialismo e da financeirização da economia. Se o Brasil quer soberania, precisa romper com o rentismo do pré-sal, retomar o controle da Petrobras, investir em energia limpa com distribuição de renda e, acima de tudo, parar de achar que “explorar petróleo” é sinônimo de desenvolvimento. Desenvolvimento sem justiça social é só crescimento da desigualdade. E isso, meu caro, não é teoria de esquerdista — é a história do Brasil desde 1500.
João Augusto
27/04/2026
Pedro Neto, seu diagnóstico é raso. Reduzir a crise energética europeia a um mero “colheu o que plantou” ignora a materialidade histórica: a dependência do gás russo foi construída por décadas de política burguesa alemã, com o beneplácito de Washington, e a “agenda verde” que a senhora Carmem Souza corretamente associa à justiça social foi sabotada justamente pelos mesmos interesses que agora lucram com a guerra. O que vemos é o capitalismo canibalizando suas próprias mediações institucionais — a UE se desintegra não por excesso de virtude ecológica, mas pela lógica implacável da acumulação e da disputa interimperialista.
Cecília Silva
27/04/2026
Pedro Neto, com todo respeito, mas chamar isso de “colheu o que plantou” é reducionista demais pra uma crise que já tá matando gente de fome na periferia global. Enquanto a Europa briga por gás, aqui na favela a gente sente no preço do pão e do gás de cozinha. O problema não é se a agenda verde é certa ou errada — é que o pobre sempre paga a conta das guerras dos ricos, seja em Teerã, seja em Brasília.
Pedro Neto
27/04/2026
Europa colheu o que plantou, agora chora. Brasil que se cuide pra não repetir o erro.
Carmem Souza
27/04/2026
Ana Rodrigues, você trouxe um ponto crucial que poucos enxergam: a crise energética não é um problema isolado da Europa, ela bate direto no bolso do brasileiro. Como evangélica, vejo que a soberania energética é uma questão de justiça social — quando o preço do diesel sobe, quem mais sofre é o povo humilde que depende do transporte público e do frete dos alimentos. Oremos para que nossos governantes aprendam com esses erros antes que a crise se aprofunde ainda mais aqui.
Ana Rodrigues
27/04/2026
Pois é, enquanto a Europa briga com agenda verde e gás caro, aqui em Curitiba eu tô vendo o etanol subir de novo e a gasolina batendo nos seis reais. O problema não é só lá fora, não. A gente importa diesel e adubo, e quando o barril dispara por causa de briga de país grande, quem paga o pato é o motorista de aplicativo que enche o tanque todo dia. Podiam pelo menos dar uma segurada nos impostos federais quando o preço internacional sobe, mas né, governo nunca perde a chance de arrecadar.
Karina Libertária
27/04/2026
Gente, pelo amor de Deus, ler isso aqui é dose. A Europa inteira se curvando pra agenda verde sem pensar em segurança energética e agora chora as pitangas porque o preço do gás disparou. Enquanto isso, no Brasil, a gente fica refém desse governo que só sabe aumentar imposto e dar Bolsa Família em vez de explorar nosso próprio pré-sal como deveria. Se tivessem seguido o modelo americano de independência energética em vez de mimimi climático, não estariam nessa enrascada.
Cristina Rocha
27/04/2026
Karina, querida, seu comentário é um prato cheio pra desfazer alguns equívocos que a direita brasileira repete como mantra sem o menor rigor analítico. Primeiro, quando você fala em “agenda verde” como se fosse um capricho de ecochatos, esquece que a crise energética europeia não nasceu da pauta climática — nasceu da geopolítica do gás, da dependência estrutural de combustíveis fósseis e, principalmente, da lógica imperialista dos EUA que, desde 2014, empurrou a Ucrânia contra a Rússia enquanto vendia gás de xisto liquefeito pra Europa a preço de ouro. A Alemanha fechou nucleares? Sim, por pressão interna legítima pós-Fukushima, mas o erro não foi “ter agenda verde” — foi acreditar que o mercado de gás russo era confiável, o que é um erro liberal clássico, não ambientalista. A esquerda europeia alertou por décadas que energia não pode ser tratada como commodity, e agora a direita neoliberal colhe o que plantou: insegurança energética e inflação.
Agora, sobre o Brasil e o pré-sal: você cai na mesma armadilha de achar que explorar petróleo é sinônimo de soberania. O pré-sal é nosso, sim, e deve ser explorado com controle estatal, como a Petrobras fazia antes do golpe de 2016, quando a Lava Jato e o governo Temer entregaram fatias gigantes pra petroleiras estrangeiras com o discurso de “eficiência privada”. Hoje, o Brasil produz mais petróleo que nunca, mas a renda vai pra acionistas estrangeiros, não pra saúde, educação ou transição energética. E o Bolsa Família, que você desdenha, é o programa que tira milhões da miséria enquanto o agronegócio e a mineração exportam riqueza sem pagar imposto decente. O “modelo americano de independência energética” que você cita é uma farsa: os EUA são o maior produtor de petróleo do mundo, mas continuam sendo o país com maior desigualdade social do G7, com cidades em colapso e uma população que morre por falta de plano de saúde. Independência energética sem distribuição de renda é só mais concentração de poder nas mãos de meia dúzia de bilionários do xisto.
Por fim, Karina, seu discurso reproduz a lógica patriarcal e colonial que acha que “desenvolvimento” é sinônimo de destruir tudo em nome do lucro imediato. A crise europeia não é prova de que a agenda climática falhou — é prova de que o capitalismo fóssil é intrinsecamente instável e violento. O Brasil, com seu potencial solar, eólico e de biomassa, poderia liderar uma transição energética justa se o Estado recuperasse seu papel planejador e se a esquerda tivesse força pra enfrentar o rentismo do pré-sal. Mas enquanto a direita repete “explora, explora, explora” sem perguntar pra quem e pra quê, a gente continua refém não de governo A ou B, mas do próprio modelo que transforma energia em mercadoria e povo em número. No mais, sugiro ler “A Grande Transformação” de Karl Polanyi antes de culpar o Bolsa Família pela crise energética europeia.
Paula Santos
27/04/2026
Mariana, você foi cirúrgica. A “racionalidade de mercado” realmente some quando os governos têm que fazer escolhas impopulares, mas que garantem o futuro. Acho que a lição aqui é que nenhum país deveria terceirizar a segurança do seu povo — nem para aliados. Se a UE não aprender isso agora, a próxima crise pode ser ainda pior.
Mariana Costa
27/04/2026
João Silva, você tocou num ponto que muitos ignoram: a tal “racionalidade de mercado” sempre some quando o negócio é segurança energética. A Alemanha desativou nucleares por pressão política interna, mas ninguém no governo deles teve coragem de admitir que a substituição por gás russo era uma aposta, não um plano. Agora a UE descobre na prática que energia não é commodity como soja — é instrumento de poder. O erro não foi ter ou não “agenda woke”, foi acreditar que interdependência econômica impede conflito.
Marcos Conservador
27/04/2026
Rodrigo, você confunde “agenda woke” com planejamento energético de longo prazo. A Alemanha fechou nucleares por pressão interna, sim, mas o erro foi achar que gás russo barato era eterno. Agora a UE colhe o que plantou: dependência de quem não tem os mesmos interesses. O problema não é esquerda ou direita, é soberania energética jogada no lixo por pragmatismo de curto prazo.
Rodrigo RedPill
27/04/2026
Ah, mais um bando de esquerdista chorando porque a Europa tá pagando o preço de não ter independência energética. Se tivessem seguido o exemplo dos EUA e investido em petróleo e gás de verdade ao invés dessa agenda woke de energia limpa, não estariam nessa crise. Mas claro, preferem culpar o Trump e o Irã enquanto tomam no cu com inflação.
João Silva
27/04/2026
Rodrigo, o problema não é energia limpa ou suja — é a ilusão liberal de que mercado resolve segurança nacional. Enquanto você repete papagaio de think tank americano, a Alemanha fechou usinas nucleares por pressão interna e agora paga o pato. Petroestado não é agenda woke, é planejamento.
John Marshall
27/04/2026
Lucas, você está quase lá, mas ainda falta um passo. O que você chama de hegemonia é, na verdade, a expressão contemporânea do que Hobbes descreveu como estado de natureza entre as nações — uma guerra de todos contra todos onde o mais forte impõe sua lei. A tragédia da UE não é terceirizar a segurança, é acreditar que instituições liberais podem domar a força bruta do petróleo e do gás. Marx diria que a infraestrutura energética determina a superestrutura política, e os europeus estão redescobrindo essa lição a duras penas.
Maria Antonia
27/04/2026
Márcio, você faz um esforço intelectual bonito pra justificar a subserviência europeia como “cálculo racional”, mas racionalidade sem autonomia é só gerência de crise. A UE terceirizou a segurança energética e agora descobre que não existe almoço grátis em geopolítica. Enquanto isso, aqui no Brasil a conta chega antes do discurso.
Lucas Pinto
27/04/2026
Maria Antonia, você acertou em cheio ao apontar que racionalidade sem autonomia é só gerência de crise. É exatamente aí que a análise precisa descer do plano da “escolha racional” para o terreno da hegemonia. O que Márcio chama de cálculo racional é, na verdade, o que Gramsci descreveria como a incorporação da lógica do dominante como se fosse interesse próprio. A Alemanha, por exemplo, não “escolheu” depender do gás russo por pura estupidez geopolítica — ela foi ativamente empurrada para essa posição pela arquitetura financeira e militar do pós-Guerra Fria, onde a OTAN expandia enquanto a Rússia era tratada como fornecedora descartável. O cálculo racional de curto prazo (gás barato, indústria competitiva) sempre foi a máscara de uma subordinação estrutural: a segurança energética europeia nunca foi pensada como um projeto autônomo, mas como um nó numa rede global controlada por Washington e pelo dólar.
O ponto crucial que você levanta — “a conta chega antes do discurso” — é a materialização concreta dessa dialética. Enquanto os think tanks europeus debatem “diversificação de fornecedores” em conferências climatizadas, o preço do GNV aqui no Brasil já subiu 15% nos últimos três meses, e a inflação de alimentos bate na porta de quem nunca teve acesso a gás encanado. Não é coincidência: a crise energética europeia é transmitida para a periferia via commodities financeirizadas. O Gás Natural Liquefeito (GNL) virou ativo financeiro nos mercados futuros de Londres e Cingapura; cada sanção contra o Irã ou contra a Rússia não é um ato geopolítico puro, mas um movimento que redefine quem pode respirar e quem vai cozinhar com lenha. A “gerência de crise” europeia, como você bem diagnostica, é a administração técnica de uma crise que eles mesmos ajudaram a criar, enquanto o Sul global paga a fatura em forma de desemprego e fome.
A questão, me parece, é que essa gerência de crise não é apenas um erro de cálculo — é a expressão de uma racionalidade política que Foucault chamaria de governamentalidade neoliberal: a crença de que todos os problemas podem ser resolvidos por ajustes de mercado e alianças táticas, sem jamais questionar a estrutura de poder que as engendra. A UE não é “vassala” no sentido medieval que Clotilde usou, mas sim um nó numa rede de dependência complexa onde a autonomia foi sistematicamente trocada por acesso a mercados e proteção militar. O que a crise atual revela é que essa troca não era um contrato, mas uma armadilha. E enquanto os europeus discutem se compram gás do Catar ou da Argélia, o Brasil — que poderia estar usando seu próprio pré-sal como alavanca de desenvolvimento — segue refém da mesma lógica, exportando petróleo cru e importando gasolina refinada a preço de ouro. No fim, a racionalidade sem autonomia não é só gerência de crise: é a perpetuação do subdesenvolvimento como destino.
Clotilde Pátria
27/04/2026
João Pereira, você tem razão, mas esse papo de “interesses próprios” é um luxo que a Europa nunca teve. Eles são vassalos dos EUA desde o Plano Marshall, e agora tão pagando o preço de ter terceirizado a segurança energética pra quem não respeita nem tratado internacional. Se fosse o Brasil fazendo isso com a Venezuela, já tava todo mundo gritando “ditadura do petróleo”.
Márcio Torres
27/04/2026
Clotilde, você tocou num ponto que muitos preferem evitar: a seletividade moral da geopolítica energética. Mas discordo da sua caracterização da Europa como “vassala” — isso subestima o cálculo racional que os Estados europeus fizeram por décadas. Eles não foram vassalos; foram free riders conscientes. Durante a Guerra Fria, aceitaram a proteção militar americana em troca de alinhamento político, mas mantiveram canais comerciais abertos com o Oriente Médio e a Rússia. O problema não é vassalagem, é que o custo-benefício desse arranjo mudou quando os EUA decidiram que o Irã era prioridade máxima e a Rússia fechou a torneira do gás.
Sua comparação com Brasil e Venezuela é cirúrgica, mas precisa de ajuste fino. Quando o Brasil dependia do gás boliviano ou da energia de Itaipu com o Paraguai, ninguém gritava “ditadura do petróleo” porque havia contratos e interdependência real. A diferença é que a Europa terceirizou não só a energia, mas a própria capacidade de decidir quando e como usar essa energia. O Brasil, mesmo nos piores momentos com a Venezuela, nunca deixou de ter a Petrobras como instrumento de política — a Europa vendeu suas refinarias e entregou a logística para traders privados. Não é vassalagem, é desmantelamento deliberado da autonomia estatal.
O mais irônico é que a Alemanha, que mais grita “independência energética” agora, foi quem mais pressionou pelo Nord Stream 2 e quem mais resistiu a sanções contra o Irã nos anos 2010. Eles sabiam que estavam se amarrando a regimes instáveis, mas preferiram o curto prazo barato ao longo prazo seguro. Agora colhem o que plantaram: inflação, desindustrialização e um discurso moralista que soa vazio quando você vê Berlim implorando por gás catariano enquanto financia bombardeios no Iêmen.
No fim, o que falta na sua análise — e na de muitos — é reconhecer que a Europa não é vítima nem algoz. É um ator racional que fez apostas erradas. A crise atual não é punição divina por ter sido “vassala”, mas o resultado de décadas de escolhas políticas que priorizaram preço sobre segurança e retórica sobre ação concreta. Se o Brasil fizesse o mesmo, estaríamos no mesmo buraco — e a diferença é que ainda temos tempo de não repetir o erro.
João Pereira
27/04/2026
Tadeu, você tocou no cerne da questão. A UE sempre jogou no time dos EUA quando o assunto é Oriente Médio, mas agora que o preço do gás tá nas alturas, os europeus lembram que têm interesses próprios. O problema é que esse “peso morto” que você citou é resultado de décadas de terceirização da segurança energética pra Washington. Agora vão pagar a conta.
Tadeu
27/04/2026
Pois é, Cíntia, mas essa fragmentação que você citou é justamente o que torna a UE um peso morto em crises energéticas. Enquanto Alemanha e França brigam por subsídios, o preço do gás dispara e a inflação corrói a renda aqui no Brasil também. No fim, o choque energético vira crise política porque ninguém quis investir em fontes próprias quando o dólar estava baixo.
Cíntia Ribeiro
27/04/2026
A discussão está boa, mas acho que falta um ponto institucional aqui: a União Europeia não é um Estado nacional, e essa fragmentação de interesses entre Alemanha, França e os países do Leste Europeu impede uma resposta coesa. Cada vez que os EUA apertam o cerco ao Irã, quem paga a conta é a coesão política do bloco. A crise energética é só o sintoma de um problema mais profundo de governança.
Ricardo Almeida
27/04/2026
Pois é, Lucas, mas acho que a Silvia tem um ponto que merece ser levado a sério: a Europa sempre tratou o Irã como parceiro comercial quando convinha e como pária quando a Casa Branca apertava o botão. Agora colhem o que plantaram — dependência energética e discurso moralista que desaba na primeira crise. O problema não é só o preço do gás, é a falta de estratégia própria.
Silvia Ramos
27/04/2026
Pois é, Sgt Bruno, o senhor tocou no ponto que ninguém quer ver: enquanto essa rapaziada fica fazendo teoria, o trabalhador brasileiro já sente no bolso o peso dessa crise que começou lá fora. E o pior é ver a Europa se curvando ao Irã, um regime que persegue cristãos e oprime mulheres, tudo por causa de petróleo. O Brasil precisa é de um governo que priorize nossa soberania energética e não fique de joelhos pra ninguém, como está escrito em Provérbios 22:7: o rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é servo do que empresta.
Lucas Gomes
27/04/2026
Silvia Ramos, a Bíblia que a senhora cita também condena a usura e a exploração do estrangeiro, mas o capitalismo petroleiro que a Europa e os EUA praticam no Oriente Médio é a mesma lógica que mantém o Brasil refém do pré-sal privatizado — não se trata de joelhos para o Irã, mas de joelhos para o mercado, que não poupa cristão, muçulmana ou trabalhadora nenhuma.
Sgt Bruno 🇧🇷
27/04/2026
Mariana Alves, bela aula, mas cadê a solução prática? Enquanto vocês teorizam sobre contradições do capital, o preço do diesel já subiu de novo e o caminhoneiro vai parar o Brasil. Europa que se vire, aqui a conta chega antes do discurso.
Francisco de Assis
27/04/2026
Sgt Bruno, o senhor tem toda razão na pressa, mas solução prática sem entender o jogo é remédio que não cura — enquanto a Europa chora o gás, a Petrobras podia tá segurando o diesel se não fosse o preço de paridade internacional que o Paulo Guedes deixou de herança. O caminhoneiro não precisa de teoria, precisa de política de combustível que olhe pro Brasil primeiro, e isso o Lula já tá tentando arrumar na marra.
Mariana Alves
27/04/2026
João Carvalho e Laura Silva, vocês dois articulam com precisão o que tento demonstrar em sala de aula quando debato a geopolítica dos recursos naturais. O que a União Europeia experimenta agora não é um desvio de rota, mas a manifestação concreta das contradições que o capitalismo imperialista gestou durante décadas. A dependência energética europeia em relação ao gás natural não caiu do céu: foi uma escolha política deliberada, feita nos anos 1990 e 2000, quando o discurso neoliberal pregava que o mercado resolveria a segurança energética. Agora, com a escalada entre Washington e Teerã, o véu cai e revela que a “autonomia estratégica” europeia sempre foi uma ficção.
O que me parece particularmente revelador é como essa crise desnuda a fragilidade do projeto de integração regional europeu. A União Europeia foi vendida como um modelo pós-nacional, supostamente acima das rivalidades geopolíticas tradicionais. No entanto, quando o preço do barril dispara e os dutos de gás ameaçam ser cortados, cada Estado-membro corre para renegociar acordos bilaterais, desfazendo a suposta unidade. A Alemanha reativa usinas a carvão, a França acelera seus contratos nucleares, a Hungria faz acordos diretos com Moscou — cada um salva a própria pele. Isso não é exceção, é a regra do capitalismo em crise: a solidariedade internacional se desfaz quando os lucros e a sobrevivência econômica imediata estão em jogo.
Laura, você mencionou o sistema-mundo capitalista operando em plenitude, e é exatamente isso. A hierarquia das dores que João Carvalho apontou não é apenas discursiva, é material. Enquanto a Europa debate pacotes de subsídios para amortecer o choque, países como o Brasil — que sequer têm controle sobre sua própria política de preços dos combustíveis, amarrados que estão à paridade de importação — absorvem o impacto sem qualquer rede de proteção social robusta. A Petrobras, uma empresa estatal, opera como extensão da lógica financeira internacional, repassando a volatilidade do mercado global diretamente para o bolso do trabalhador brasileiro. Isso não é coincidência, é a divisão internacional do trabalho em ação.
Por fim, não posso deixar de notar o silêncio ensurdecedor da grande mídia europeia sobre o papel dos EUA nessa escalada. Washington impõe sanções máximas ao Irã, sabendo que isso desestabiliza seus aliados europeus, e ninguém ousa chamar isso de chantagem geopolítica. A Europa prefere culpar Teerã ou Moscou a reconhecer que sua subordinação militar e política a Washington a transformou em refém de uma política externa que não controla. Enquanto a esquerda europeia não fizer essa crítica estrutural, continuará apenas administrando a crise em vez de apontar a saída — que passa necessariamente pela ruptura com a lógica imperialista e pela construção de uma soberania energética real, baseada em fontes renováveis e controle público dos recursos.
Laura Silva
27/04/2026
João Carvalho, você tocou num ponto central que merece ser desdobrado com mais rigor teórico. Essa hierarquia das dores que você menciona não é um acidente retórico, é a própria estrutura do sistema-mundo capitalista operando em sua plenitude. Quando a União Europeia trata a crise energética como uma “emergência política”, está mobilizando um vocabulário que pressupõe direitos e expectativas de bem-estar que foram historicamente negados à periferia. O Sul global vive em estado de emergência permanente desde a colonização — o que muda agora é que o centro do sistema começa a experimentar as contradições que sempre exportou.
A ironia trágica desse momento histórico é que a Europa colhe exatamente o que plantou. Durante décadas, os países da União Europeia terceirizaram sua segurança energética para regimes autoritários do Oriente Médio, alimentaram guerras por procuração e fecharam os olhos para o sofrimento de populações inteiras em nome da “estabilidade dos mercados”. Agora que os EUA decidem reconfigurar suas alianças na região — e o Irã responde à altura —, a fragilidade dessa arquitetura geopolítica se revela. Não há choque externo aqui, há o esgotamento de um modelo que sempre se sustentou na violência estrutural.
O que me preocupa, como socióloga que estuda as classes trabalhadoras, é ver como essa crise será gerida politicamente. O risco concreto é que a extrema-direita europeia capitalize o desespero das famílias com contas de aquecimento impagáveis para aprofundar a xenofobia e o autoritarismo. Já vimos esse filme em 2008, quando a crise financeira foi transformada em “crise dos refugiados” e “austeridade para os pobres”. Agora, com o agravante de que o discurso climático pode ser sacrificado no altar da “segurança energética”, abrindo caminho para mais exploração de gás de xisto e retrocessos ambientais que nos afetarão a todos.
E não nos enganemos, João Carlos Silva: o que acontece na Europa não fica na Europa. A precarização que você sente no bolso aqui no Brasil não é coincidência, é a transmissão em cadeia da crise sistêmica. O aumento da gasolina que você menciona está diretamente ligado à dolarização do petróleo e à política de paridade de preços da Petrobras, herança maldita do governo Temer que o atual governo ainda não conseguiu reverter. Enquanto a esquerda brasileira perder tempo discutindo pautas identitárias sem enfrentar o capital financeiro internacional, continuaremos sendo a válvula de escape das crises alheias. A solidariedade de classe que precisamos construir não é com a Europa abastada, mas com os trabalhadores iranianos, venezuelanos e angolanos que sofrem as mesmas sanções e a mesma exploração.
Celio Fazendeiro
27/04/2026
João Carlos Silva, falou pouco mas falou bonito. Enquanto a Europa chora o gás caro por causa de briga de americano com iraniano, aqui no Brasil a gente já sente no bolso o reflexo dessa crise energética global. Mas claro, a mídia e os governantes da União Europeia tratam como crise política existencial, enquanto aqui a gasolina subindo é só “ajuste de preços”. Hipocrisia pura.
João Carvalho
27/04/2026
Celio Fazendeiro, você tem razão ao apontar a assimetria: o que para o Norte global é crise política, para o Sul global é apenas mais um capítulo da precarização cotidiana. Essa seletividade na nomeação dos problemas revela como a hierarquia das dores segue o mapa do poder econômico, não o da necessidade humana.
João Carlos Silva
27/04/2026
Pois é, Lucas Andrade, o senhor tem razão, mas acho que a coisa é mais simples pra quem vive apertando o cinto aqui no Brasil. Lá na Europa tão chorando o preço do gás, mas aqui a gasolina já subiu três vezes esse mês e ninguém fala em crise política. O problema é que o bolso do pobre sempre aperta primeiro, seja em Berlim ou na periferia de São Paulo.
Lucas Andrade
27/04/2026
Maria Aparecida, você tocou no ponto nevrálgico. Essa crise não é um acidente de percurso do capitalismo, é a própria engrenagem da necropolítica energética se revelando. Enquanto a Europa finge surpresa com o choque, esquece que o Império sempre usou o Oriente Médio como laboratório de desestabilização — agora o preço do gás é só o sintoma de um sistema que precisa da crise pra se reproduzir.
Marta Souza
27/04/2026
Mariana Ambiental, sua análise está correta, mas falta o essencial: isso não é crise climática, é crise de intervencionismo. A Europa está colhendo o que plantou ao se tornar refém de fornecedores estatais como o Irã e a Rússia, em vez de investir em produção própria de energia. Se deixassem o mercado livre operar sem amarras verdes e subsídios distorcidos, a indústria europeia não estaria implorando por gás iraniano.
Maria Aparecida
27/04/2026
Marta Souza, com todo respeito, mas o mercado livre nunca alimentou ninguém — a mão invisível sempre fecha o punho pra quem não tem poder de compra. A Europa tá pagando o preço de décadas de exploração imperialista, não de falta de “amarras verdes”; a crise é de quem acha que lucro pode salvar alma.
Lurdinha Deus Acima de Todos
27/04/2026
Vão fechar as igrejas na Europa por causa do petróleo? Isso é o fim dos tempos! 🙏🇧🇷
Julia Andrade
27/04/2026
Lurdinha, entendo que a sua preocupação vem de um lugar de fé genuína, mas acho importante a gente separar o que é um fenômeno geopolítico concreto do que é uma leitura apocalíptica. A crise energética que a Europa enfrenta agora não tem absolutamente nada a ver com fechamento de igrejas ou perseguição religiosa. O que está em jogo é a dependência estrutural do continente em relação ao gás e petróleo iranianos e russos, e como um eventual conflito no Estreito de Ormuz pode desorganizar cadeias de suprimento inteiras. A União Europeia está lidando com inflação, risco de desindustrialização e pressão sobre os governos — é uma crise de Estado, não de fé.
Quando você diz que “é o fim dos tempos”, me parece que está aplicando uma chave de leitura teológica a um problema que é, na verdade, um choque de interesses entre potências. A Europa já passou por crises muito mais severas — guerras mundiais, colapsos econômicos, pandemias — e as igrejas continuaram de pé. O que pode acontecer, e já está acontecendo, é um aprofundamento da crise social: contas de aquecimento impagáveis, protestos de rua, e uma direita radical surfando nesse descontentamento. Isso sim é preocupante, mas não porque “vão fechar as igrejas”, e sim porque o tecido democrático pode se desgastar.
Acho que a sua fé poderia ser um ponto de partida interessante para pensar em solidariedade, não em pânico. Em vez de ver isso como um sinal do apocalipse, que tal enxergar a chance de a Europa repensar seu modelo energético e reduzir a dependência de regimes autoritários? As igrejas, aliás, têm um papel histórico enorme em movimentos por justiça social e paz. Se a crise for usada para promover mais cooperação e menos belicismo, talvez a gente saia dela menos traumatizado. O problema não é o petróleo, Lurdinha — é quem controla ele e com que objetivos.
Marta
27/04/2026
Lurdinha, minha filha, senta aqui que a tia Marta vai te explicar uma coisa. A Europa não está fechando igreja por causa de petróleo, não. Isso é fake news que esses meninos mal-educados da internet espalham pra confundir o povo de bem. A crise energética que a União Europeia tá enfrentando é resultado de décadas de dependência de gás e petróleo de regimes autoritários, como o Irã e a Rússia, combinado com sanções econômicas mal calculadas e uma transição energética que ainda não se completou. Fechar igreja não resolve problema de barril de petróleo, assim como rezar não faz poço jorrar. Isso é papo de quem nunca leu um livro de geopolítica na vida.
Agora, sobre o “fim dos tempos”: olha, Lurdinha, eu sou professora aposentada, estudei História a vida inteira, e posso te garantir que desde que o mundo é mundo tem gente anunciando o apocalipse por causa de crise. Na Idade Média, era a peste negra; no século XX, foi a ameaça nuclear; agora é o preço do diesel. O que muda é que hoje tem gente lucrando em cima do medo alheio, vendendo curso de profecia e livro de autoajuda. O Lula, que é um estadista de verdade, sempre defendeu o diálogo entre os povos e a soberania energética do Brasil, justamente pra não ficarmos reféns dessas crises que assombram a Europa. Em vez de se desesperar, a gente deveria apoiar políticas públicas que fortaleçam nossa independência, como os investimentos em biocombustíveis e energia limpa que o governo federal vem fazendo.
Então, minha querida, não se deixe levar por esse pânico fabricado. A Europa não vai fechar igreja nenhuma, e o mundo não vai acabar por causa de tensão entre EUA e Irã. O que vai acontecer é que os países vão ter que aprender a lição: não se pode terceirizar a segurança energética pra ditaduras e esperar que tudo dê certo. Se você quiser, eu te empresto um livro do Celso Furtado pra entender melhor como funciona essa tal de economia. Mas, por favor, para de espalhar esse alarmismo que só serve pra desviar o foco do que realmente importa: cuidar do povo brasileiro.
Rubens O Pescador
27/04/2026
Lurdinha, deixa eu te contar um causo: na seca de 2005 aqui no interior, o povo rezava novena pedindo chuva e Deus mandou. Mas se o governo não tivesse botado comida na mesa com Bolsa Família, a fé sozinha não enchia barriga de criança. Essa história de fechar igreja é lorota de quem quer esconder que falta petróleo porque os governos de lá cortaram investimento em refinaria, igual o Temer fez aqui.
Mariana Ambiental
27/04/2026
Lurdinha, a Europa não está fechando igreja nenhuma — o que tá pegando é que o preço do gás e da energia disparou porque os EUA tão apertando o Irã e a Europa depende desse gás pra aquecer casa e manter indústria funcionando. Se quer falar em fim dos tempos, olha pra crise climática que o agronegócio e os combustíveis fósseis aceleram todo dia, isso sim é sinal dos tempos que a gente deveria estar rezando contra.