O governo de Israel celebrou a reabertura do assentamento de Sa-Nur na Cisjordânia ocupada, quase 21 anos após sua evacuação em 2005. O evento contou com a presença do ministro das Finanças de Israel Bezalel Smotrich e do ministro das Relações Exteriores Israel Katz, que participaram da cerimônia oficial de reinauguração do local, marcada por discursos que reafirmaram a expansão da colonização israelense na região.
Smotrich classificou a retomada como uma ‘correção histórica’ e declarou que o país estaria ‘enterrando a ideia de um Estado palestino’. A cerimônia, segundo o portal Al Jazeera, simboliza o avanço da política de assentamentos do governo de extrema direita liderado pelo primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu, que tem ampliado a presença israelense em territórios palestinos ocupados.
As autoridades israelenses aprovaram 126 novas unidades habitacionais em Sa-Nur, localizado ao sul da cidade palestina de Jenin, e 16 famílias já se mudaram para o local. Yossi Dagan, chefe do Conselho dos Assentamentos da Cisjordânia e um dos colonos removidos em 2005, descreveu o retorno como um ‘fechamento de ciclo pessoal’, afirmando que os colonos ‘voltaram para ficar’.
O assentamento de Sa-Nur foi desocupado como parte da política de desengajamento implementada em 2005, que também incluiu a retirada de colonos da Faixa de Gaza. Desde então, grupos de colonos tentaram repetidamente reocupar o local, e o governo israelense aprovou recentemente sua reinstalação, contrariando o direito internacional, que considera ilegais todos os assentamentos em territórios ocupados.
Em março de 2023, o Parlamento israelense (Knesset) aprovou uma emenda à lei de desengajamento permitindo o retorno de colonos a quatro antigos assentamentos: Sa-Nur, Homesh, Ganim e Kadim. Poucos meses depois, Smotrich anunciou planos para a criação de 22 novos assentamentos na Cisjordânia, incluindo os quatro reativados, e em dezembro Ganim e Kadim foram oficialmente reconhecidos pelo governo como assentamentos legais.
Atualmente, cerca de 700 mil colonos israelenses vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, e o ritmo de expansão aumentou desde a formação da coalizão de Netanyahu em 2022. Organizações de direitos humanos denunciam que as aprovações de novos assentamentos e o aumento da violência de colonos contra palestinos se intensificaram após outubro de 2023, quando o conflito em Gaza se agravou.
Um caso recente citado pela ONU envolveu o assassinato de um palestino por colonos israelenses na vila de Deir Jarir, próxima a Ramallah, em abril. O relatório da Agência das Nações Unidas para Refugiados da Palestina (UNRWA) apontou que março foi um dos meses mais letais de violência de colonos na Cisjordânia desde o início dos registros.
Segundo a organização israelense Peace Now, apenas no último mês foram aprovados 34 novos assentamentos, elevando para 104 o total autorizado desde o início do atual governo. O movimento reforça a guinada expansionista de Israel e o enfraquecimento das perspectivas de uma solução de dois Estados, enquanto a comunidade internacional continua a considerar os assentamentos um obstáculo central à paz duradoura no Oriente Médio.
Leia mais sobre o assunto na aljazeera.com.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Padre Antônio Rocha
28/04/2026
É um exemplo de resistência contra esse secularismo que tenta apagar a história e a fé dos povos. Enquanto o modernismo prega a desconstrução, a volta a essa terra sagrada reafirma o valor da família e da tradição bíblica. Que o Senhor abençoe essa retomada contra a vontade dos que tentam destruir nossos valores cristãos e a nossa herança religiosa.
João Carvalho
28/04/2026
Com todo respeito à sua vocação, Padre, é temerário quando a mística religiosa é utilizada para validar o que a teoria política e o direito internacional descrevem como colonialismo de assentamento. Essa retomada não é apenas um ato de fé, mas uma engrenagem de exclusão que aprofunda a desigualdade e nega a alteridade fundamental para qualquer paz duradoura na região.
Maura Santos
28/04/2026
Padre, engraçado o senhor falar de valores enquanto aplaude ocupação de terra alheia. Essa turma da tradição é a mesma que critica o progresso social mas nos largou no breu total com o apagão de 2001, provando que o foco de vocês é o retrocesso e não a dignidade do povo.
Cecília Ramos
28/04/2026
Padre, me dói ver a Bíblia sendo usada para justificar a ocupação de terras e o sofrimento de famílias, algo que vai totalmente contra o clamor dos profetas por justiça social. Como evangélica, entendo que nossa verdadeira herança deve ser a defesa da vida e dos direitos humanos, e não a validação de um projeto que gera violência e pobreza em nome de Deus.
Célia Carmo
28/04/2026
Se manca, padre, usar a bíblia pra validar apartheid e roubo de terra é o puro suco do mau-caratismo burguês, igualdade já! #ForaImperialismo