O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova rodada de negociações com o Irã e advertiu que poderá ordenar ataques contra a infraestrutura iraniana caso não haja acordo.
A declaração foi feita em publicação na rede Truth Social, na qual Trump acusou Teerã de violar o cessar-fogo temporário com supostos disparos contra navios no estreito de Ormuz, incluindo embarcações francesas e britânicas.
Trump afirmou que seus representantes seguirão para Islamabad, no Paquistão, para tentar avançar nas conversas. Alertou que não haverá mais “Mr. Nice Guy” se o Irã rejeitar o que chamou de proposta justa e razoável.
O presidente acrescentou que, em caso de fracasso, Washington destruiria todas as usinas de energia e pontes iranianas. A declaração eleva o tom da retórica militar em meio à tensão no Golfo Pérsico.
Segundo o portal RT, Trump indicou que o enviado especial Steve Witkoff liderará a delegação norte-americana, com a participação do empresário Jared Kushner em papel de assessoria informal. O vice-presidente J.D. Vance não participará da missão por motivos de segurança, embora o próprio Trump tenha sugerido que poderá comparecer pessoalmente se houver perspectiva de acordo iminente.
A primeira rodada de negociações entre Washington e Teerã, também realizada no Paquistão, terminou sem avanços significativos. O principal impasse segue sendo o programa nuclear iraniano, com os Estados Unidos exigindo a desmontagem das instalações de enriquecimento de urânio e a entrega do material já produzido — exigências rejeitadas por Teerã como inaceitáveis.
O presidente da República Islâmica do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que Trump não tem qualquer justificativa para tentar privar o país de seus direitos nucleares legítimos. A agência Tasnim informou que Teerã não retornará à mesa enquanto Washington mantiver o que considera exigências excessivas.
Fontes de segurança paquistanesas, citadas pela Al Jazeera, afirmaram que os preparativos para as reuniões já estão em andamento, com aumento das medidas de segurança e deslocamento de aeronaves militares norte-americanas para a região. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, classificou as pressões econômicas e restrições impostas pelos Estados Unidos como violação direta do cessar-fogo e ato criminoso segundo a Carta das Nações Unidas.
Baqaei denunciou as medidas como forma de punição coletiva e crime de guerra, reforçando que Teerã está preparado para defender sua soberania e integridade territorial diante de qualquer nova ofensiva. O general Abdolrahim Mousavi, chefe do Exército iraniano, também prometeu resistência total, afirmando que as forças armadas defenderão a independência e a segurança do país diante de qualquer escalada.
As ameaças de Trump reacendem o risco de um novo confronto direto no Oriente Médio, em um momento em que o estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — permanece no centro das tensões. O impasse entre Washington e Teerã se insere em um contexto mais amplo de disputa geopolítica, no qual as exigências norte-americanas esbarram na firme recusa iraniana de abrir mão do que considera direito soberano irrenunciável.
Com informações de RT.
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