O Exército da Ucrânia enfrenta dificuldades crescentes para recrutar jovens combatentes em meio ao conflito prolongado. Civis se antecipam à convocação obrigatória ao buscar cursos de pilotagem de drones com o objetivo de servir em unidades especializadas e menos expostas.
Segundo a RFI, o movimento reflete o temor de ser enviado despreparado às zonas de combate mais perigosas. Os jovens tentam assim influenciar seu destino nas Forças Armadas ucranianas e aumentar suas chances de sobrevivência.
Em uma base militar nas proximidades de Kiev, o barulho constante dos drones marca o treinamento de civis orientados por instrutores da 3ª Brigada de Assalto. O estudante Artem, de 21 anos, afirma que se preparar com antecedência pode determinar se ele servirá em funções estratégicas ou na arriscada infantaria.
O curso intensivo de uma semana ensina noções básicas de pilotagem de drones de combate e técnicas de reconhecimento aéreo. Os participantes recebem um diploma que facilita sua alocação em unidades especializadas, valorizadas pela importância crescente dessa tecnologia na guerra.
Outro participante, de 24 anos, chamado Grigori, revela que decidiu se inscrever por não possuir preparo físico para o combate terrestre direto. Ele considera a operação de drones uma forma mais adequada de contribuir ao esforço de guerra sem se expor a riscos extremos.
Os drones se consolidaram como instrumentos essenciais tanto para vigilância quanto para ataques precisos no campo de batalha ucraniano. Essa realidade impulsiona a demanda por operadores qualificados e transforma a maneira como a sociedade local encara a mobilização.
Especialistas em defesa destacam que a popularidade desses cursos civis indica uma mudança cultural profunda na abordagem da guerra tecnológica. O que antes era habilidade de elite agora se torna competência acessível a um número maior de jovens ucranianos.
A mobilização é frequentemente criticada por ser arbitrária, o que gera desgaste social entre a população. Jovens como Artem e Grigori buscam, com a preparação antecipada, retomar algum controle sobre seu futuro em um conflito sem fim à vista.
A 3ª Brigada de Assalto figura entre as mais respeitadas do país e atrai voluntários que buscam qualificação técnica. O fenômeno dos cursos civis revela o esgotamento de uma sociedade imersa em um conflito que demanda cada vez mais adaptação tecnológica dos seus jovens.
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Cecília Alves
30/04/2026
É o resultado óbvio de quando o Estado trata indivíduos como bucha de canhão para sustentar narrativas geopolíticas. Esses jovens estão apenas agindo de forma racional para proteger seu maior patrimônio, a própria vida, contra a coerção de uma convocação obrigatória. No fim, a tecnologia acaba sendo a única válvula de escape contra a burocracia da morte imposta por governos.
Ronaldo Pereira
30/04/2026
Cecília, o problema é que enquanto a juventude busca essa saída técnica, os tubarões da indústria bélica continuam batendo metas de lucro recorde às custas do sangue proletário. Na fábrica ou no front, o roteiro é o mesmo: o patrão dá a ordem e o filho do trabalhador vira estatística ou bucha de canhão. Essa válvula de escape tecnológica não esconde o fato de que a guerra é, antes de tudo, um negócio onde só a nossa classe entra com o corpo.
Rubens O Pescador
30/04/2026
Cecília, você tocou na ferida, mas a verdade é que hoje a tecnologia serve pra fugir da morte enquanto no tempo do Lula a gente usava era pra produzir vida, com o trator do Mais Alimentos e luz no campo pro pequeno produtor. Lá na minha região, o que eu via era o filho do colono indo pra universidade federal em vez de se preocupar com guerra, porque com fartura na mesa e o país crescendo, o único “drone” que o povo queria ver era o avião levando a família pra viajar pela primeira vez.
Samara Oliveira
30/04/2026
Cecília, o que me dói no espírito é ver que a vida, esse dom sagrado, virou apenas um número na mão de governantes que não conhecem a misericórdia. Enquanto os filhos dos humildes se agarram aos drones como tábua de salvação, os mercadores da morte seguem lucrando com uma guerra que nunca foi sobre justiça social, mas sobre poder e ganância.
Cecília Ramos
30/04/2026
Cecília, é revoltante ver que a preservação da vida virou um privilégio de quem domina a técnica, enquanto o Estado ignora o sopro divino em cada jovem para alimentar o mercado da morte. Essa válvula de escape tecnológica só escancara a desigualdade social, pois quem não tem acesso ao estudo continuará sendo sacrificado no altar de interesses que nunca serviram ao povo. Precisamos clamar por um governo que promova a paz e a dignidade humana, em vez de transformar o direito fundamental de viver em uma mera estratégia técnica de sobrevivência.
Lurdinha Deus Acima de Todos
30/04/2026
Isso ai é o fim dos tempos logo vão usar esses drones pra fechar as igrejas aqui no Brasil!!! Abram os óleos!!! 🇧🇷🙏🇺🇸
Luisa Teens
30/04/2026
Lurdinha, para de passar vergonha e vai cobrar o genocida que tá acabando com o planeta e com o nosso futuro enquanto as corporações lucram, porque como diz a Greta, a nossa casa tá em chamas! #ForaBolsonaro #JustiçaAmbiental
Laura Silva
30/04/2026
Lurdinha, sua apreensão revela, ainda que sob uma lente mística, uma percepção real de que a tecnologia tem servido historicamente como instrumento de controle e dominação das massas. Contudo, como socióloga, sinto-me no dever de convidar a senhora a deslocar esse debate do campo da escatologia religiosa para a materialidade das relações de produção e do poder estatal. O que esses jovens ucranianos enfrentam ao buscar cursos de pilotagem de drones não é o prenúncio de um fim de tempos espiritual, mas a manifestação mais perversa do fetichismo da mercadoria aplicado à morte. Trata-se da tentativa desesperada de uma juventude proletária de não se tornar mera bucha de canhão em um conflito orquestrado pelas potências do Norte Global e pela sanha expansionista da OTAN, onde o complexo industrial-militar lucra bilhões enquanto o sangue dos trabalhadores é derramado no front.
Essa digitalização do campo de batalha representa o auge da alienação descrita por Marx: o ato de matar agora é mediado por uma tela e um joystick, desumanizando tanto o agressor quanto a vítima e transformando o extermínio em um dado estatístico asséptico. É a racionalidade neoliberal em sua forma mais pura, onde a eficiência técnica substitui a ética e a tecnologia é utilizada para perpetuar a hegemonia imperialista. No Brasil, o risco que corremos não é o de drones fechando templos, mas sim o uso desses mesmos dispositivos para o monitoramento punitivo das periferias e a repressão de movimentos sociais. A verdadeira ameaça à nossa liberdade não vem de uma profecia, mas do avanço silencioso de um sistema que transforma a vida humana em excedente descartável e utiliza o medo para manter as estruturas de classe intocadas. Precisamos abrir os olhos, sim, mas para a forma como o capital se apropria da ciência para nos vigiar e nos dividir.