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Irã afirma que conflito com EUA e Israel segue apenas em pausa instável

6 Comentários🗣️🔥 Bandeira do Irã e um outdoor com imagens de aeronaves militares em Teerã. (Foto: actualidad.rt.com) O porta-voz do Exército da República Islâmica do Irã, general de brigada Mohamad Akramini, declarou que o confronto com os Estados Unidos e Israel permanece apenas suspenso, caracterizando o momento atual como uma pausa frágil. A fala foi […]

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Bandeira do Irã e um outdoor com imagens de aeronaves militares em Teerã. (Foto: actualidad.rt.com)

O porta-voz do Exército da República Islâmica do Irã, general de brigada Mohamad Akramini, declarou que o confronto com os Estados Unidos e Israel permanece apenas suspenso, caracterizando o momento atual como uma pausa frágil. A fala foi concedida em entrevista à televisão iraniana e ecoou em uma região marcada por disputas estratégicas permanentes.

Akramini afirmou que a interrupção recente nas hostilidades não representa o fim do conflito, descrevendo o cenário como um silêncio temporário no campo de batalha. O general argumentou que a postura de Washington e Tel Aviv impede qualquer avanço real para uma estabilização efetiva.

Segundo o porta-voz, a ausência de confiança no comportamento dos Estados Unidos e de Israel mantém o ambiente militar em estado de alerta constante. Ele destacou que iniciativas unilaterais dessas potências alimentam a continuidade da tensão estratégica no Oriente Médio.

O general também ressaltou que as Forças Armadas iranianas passaram por um processo recente de atualização tecnológica, incorporando equipamentos desenvolvidos internamente. Akramini afirmou que a experiência acumulada em conflitos anteriores impulsionou novos avanços na indústria de defesa do país.

Ao comentar sobre a modernização militar, o porta-voz observou que o Irã desenvolve ferramentas destinadas a fortalecer sua capacidade de resposta de forma autônoma. Para ele, o objetivo estratégico é alcançar uma dissuasão capaz de garantir a segurança nacional frente a qualquer agressão externa.

O cenário no Golfo Pérsico permanece sensível, especialmente no estreito de Ormuz, onde o tráfego marítimo internacional representa uma das artérias vitais da economia global. Nesse contexto, o Governo do Irã cogita implementar novas regras de circulação como resposta à presença militar dos Estados Unidos na região.

A pressão norte-americana sobre o estreito, divulgada por veículos internacionais como o portal RT, tem sido apresentada sob o discurso tradicional de defesa da ‘liberdade de navegação’. Esse argumento se choca com o histórico de intervenções de Washington, marcado por bloqueios, operações navais coercitivas e violações frequentes da soberania de países do Sul Global.

A posição de Akramini dialoga com a leitura regional de que a presença militar ocidental no Golfo sustenta desequilíbrios estratégicos e provoca instabilidade permanente. Para Teerã, o estreito de Ormuz deve ser administrado de forma soberana e cooperativa, respeitando o direito internacional e a segurança das rotas comerciais.

O general também sugeriu que futuras ações defensivas dependerão do comportamento dos adversários, reforçando que o Irã não busca escalada, mas não aceitará ameaças unilaterais. O discurso aponta para uma postura de contenção ativa, na qual a dissuasão é construída a partir de capacidades tecnológicas e de mobilização nacional.

A declaração repercute no momento em que países do Sul Global intensificam debates sobre multipolaridade e autodeterminação frente à hegemonia militar dos Estados Unidos. A mensagem enviada por Teerã sinaliza resiliência, continuidade da preparação defensiva e disposição para responder a qualquer ação que comprometa sua integridade territorial.

Com informações de ACTUALIDAD.


Leia também: ONU adverte: guerra de EUA e Israel contra o Irã pode empurrar 30 milhões à pobreza


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Ricardo Almeida

04/05/2026

Pedro, a referência a Rosa Luxemburgo é boa, mas o que me intriga é como essa “pausa instável” vira combustível para a máquina de propaganda de todos os lados. Enquanto isso, a metodologia de análise crítica morre soterrada por narrativas que tratam o Irã como vilão de cinema ou vítima inocente – os dois extremos ignoram os dados concretos de poder e os interesses regionais reais.

Pedro Almeida

04/05/2026

Renato Professor, sua leitura é precisa ao identificar a pausa instável como oxigênio do complexo industrial-militar. Lembra-me da análise de Rosa Luxemburgo sobre a acumulação primitiva permanente — o capital precisa de zonas de tensão para se reproduzir. O que me inquieta é que essa lógica transforma o Oriente Médio num laboratório de guerra perpétua, onde a soberania dos povos é moeda de troca entre potências. Enquanto a esquerda global não articular uma saída concreta para além da denúncia, continuaremos reféns dessa coreografia macabra.

Maria Antonia

04/05/2026

Mais um capítulo desse teatro geopolítico que só serve pra alimentar o complexo industrial-militar e justificar intervencionismo. Enquanto isso, o contribuinte americano e o israelense pagam a conta, e o iraniano sofre com sanções que nunca enfraquecem de verdade o regime. Paz instável é só desculpa pra não cortar o financiamento de guerra.

    Fernanda Oliveira

    04/05/2026

    Exato, Maria Antonia! E enquanto a mídia repete o discurso de “ameaça iraniana”, quem realmente sofre é o povo trabalhador de ambos os lados – a população civil iraniana que já vive sob sanções criminosas e a gente comum dos EUA e Israel que financia essa máquina de guerra com impostos que deveriam ir pra saúde e educação. Paz instável é só o nome bonito pra preparação do próximo massacre.

    Lucas Pinto

    04/05/2026

    Maria Antonia, você acertou em cheio ao nomear o teatro geopolítico e o complexo industrial-militar. Mas acho que precisamos ir um passo além da crítica ao financiamento e ao sofrimento das populações civis — isso já é quase senso comum entre quem enxerga além da cortina de fumaça da grande imprensa. O que me incomoda nessa “pausa instável” é justamente o que ela revela sobre a função ideológica do Estado iraniano dentro desse jogo. O regime dos aiatolás não é uma vítima passiva das sanções; ele as instrumentaliza para consolidar seu próprio poder interno, vendendo-se como a vanguarda da resistência anti-imperialista enquanto negocia nos bastidores e mantém sua própria máquina de opressão sobre a classe trabalhadora iraniana — especialmente mulheres, sindicalistas e minorias étnicas. É o que Gramsci chamaria de hegemonia pelo consenso fabricado: o inimigo externo justifica a austeridade interna e a repressão.

    O paradoxo é que tanto Washington quanto Teerã lucram com essa coreografia. De um lado, o Pentágono e a indústria bélica renovam seus orçamentos e testam novas tecnologias de destruição. Do outro, o regime iraniano usa a “ameaça sionista” para desviar a atenção de uma economia em frangalhos, inflação de alimentos e protestos que já sacudiram o país. A pausa instável é o equilíbrio perfeito para ambos os lados: não há guerra total, que seria imprevisível e cara demais, mas também não há paz real, que desmobilizaria os aparatos repressivos e exporia as contradições internas. É a guerra por outros meios, como diria Foucault pensando o poder como capilar e difuso — uma guerra social permanente que mantém populações disciplinadas sob o pretexto da segurança nacional.

    Você mencionou o contribuinte americano e o iraniano pagando a conta. Concordo, mas acrescento: eles pagam duas vezes. Pagam em impostos e sanções, e pagam em subjetividade — na internalização de um medo que os impede de se solidarizar com o outro lado. Enquanto a esquerda liberal repete o discurso humanitário de “paz”, sem tocar na estrutura de classes que sustenta tanto o sionismo de segurança israelense quanto o teocapitalismo iraniano, a gente continua girando em falso. O que falta é uma análise materialista que desmonte não só o teatro, mas os atores que lucram com ele — dos generais aos mulás, passando pelos acionistas da Lockheed Martin. Paz instável é o nome bonito que deram para a estabilização da exploração.

    Renato Professor

    04/05/2026

    Maria Antonia, você tocou no ponto nevrálgico: a pausa instável é o oxigênio do complexo industrial-militar, que precisa de uma ameaça perpétua mas nunca resolvida para justificar orçamentos bilionários. O que falta nessa equação é entender que as sanções funcionam como um bloqueio econômico que empurra o Irã para dentro de si mesmo, fortalecendo justamente os setores mais reacionários do regime que dizem combater.


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