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Lula gigante é detectada em cânions submarinos da Austrália em descoberta rara

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Ilustração editorial sobre Lula gigante é detectada em cânions submarinos da Austrália em descoberta rara. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Uma lula gigante, criatura envolta em mistérios abissais, foi recentemente detectada nos cânions submarinos da costa ocidental da Austrália. Este achado, anunciado em um estudo publicado pela Curtin University, marca a primeira detecção do animal na região em décadas, utilizando DNA ambiental.

Segundo Georgia Nester, autora principal da pesquisa e doutoranda na universidade, a descoberta vai além do fascínio popular pela lula gigante. Ela representa apenas uma peça de um vasto mosaico de biodiversidade ainda inexplorada nos oceanos profundos.

O estudo, conduzido em 2026, utilizou técnicas avançadas de DNA ambiental para mapear espécies nas profundezas dos cânions de Cape Range e Cloates, na costa de Ningaloo. Este método, que analisa traços genéticos deixados naturalmente pelos organismos na água, permitiu identificar 226 espécies, incluindo a enigmática Architeuthis dux.

Lisa Kirkendale, chefe de zoologia aquática do Museu da Austrália Ocidental, destacou que esta é a detecção mais ao norte da lula gigante no Oceano Índico Oriental. Apesar de registros prévios na região, nenhum avistamento havia sido confirmado nos últimos 25 anos, tornando o achado ainda mais significativo.

Além da lula gigante, a pesquisa revelou criaturas como o cachalote-pigmeu e o raríssimo tubarão-adormecido. Também foram encontrados corais de águas profundas e espécies que podem ser totalmente desconhecidas da ciência, ampliando a compreensão sobre a biodiversidade marinha.

Os cânions submarinos explorados alcançam profundidades de até 4.500 metros, um cenário que desafia os limites tecnológicos e humanos. Durante a expedição, mais de mil amostras foram coletadas, revelando um ecossistema em grande parte inexplorado.

O fascínio pela lula gigante transcende o âmbito científico, permeando a cultura popular desde o século XIX, com a obra “20 Mil Léguas Submarinas”, de Júlio Verne. Pouco se sabe sobre este animal colossal, que pode atingir até 13 metros de comprimento, devido à raridade de avistamentos em seu habitat natural.

Historicamente, a maior parte do conhecimento sobre a Architeuthis dux vem de carcaças encontradas por pescadores ou levadas às praias. Esta nova abordagem, que dispensa a captura física dos animais, representa um avanço significativo na pesquisa de espécies marinhas.

Para Nester, a identificação de espécies que não correspondem aos registros científicos conhecidos reforça o imenso potencial de descobertas no oceano profundo. “Isso não significa necessariamente que sejam espécies novas, mas sugere que há muito mais a ser compreendido”, afirmou.

O estudo, publicado na revista Environmental DNA, não apenas amplia o entendimento sobre a biodiversidade marinha, mas também destaca a importância de preservar ecossistemas ainda pouco explorados. A costa de Ningaloo, onde a pesquisa foi realizada, é considerada um dos maiores patrimônios naturais da Austrália.

Com base em tecnologias inovadoras e colaborações interdisciplinares, a pesquisa reafirma o papel da ciência em desbravar os mistérios das profundezas oceânicas. O estudo completo está disponível no USA Today.


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