O embaixador do Irã na China, Abdolreza Rahmani Fazli, detalhou publicamente o conteúdo da comunicação diplomática que Teerã tem transmitido a Pequim no contexto do conflito em curso. Ele descreveu a relação com a China como uma fonte de profundidade estratégica que permite ao país demonstrar que possui parceiros reais e alternativas concretas diante da pressão norte-americana.
Rahmani Fazli destacou os esforços de Pequim para manter abertos os canais de diálogo na Ásia Ocidental por múltiplas vias. Isso inclui consultas com atores regionais e uma proposta de quatro pontos apresentada pelo presidente chinês Xi Jinping.
O diplomata foi direto ao detalhar o que Teerã pede a Pequim. A questão central, afirmou, é saber se o outro lado está pronto para ouvir a mensagem real do Irã — e a China pode desempenhar um papel único ao transmitir essa mensagem ao nível das grandes potências.
“A mensagem do Irã é clara”, disse Rahmani Fazli, conforme reportou a agência Mehr News: “Um fim permanente da guerra, a consolidação de um cessar-fogo duradouro, o levantamento do bloqueio e o respeito aos direitos legítimos do Irã.” Para o embaixador, a China pode refletir essa mensagem ao nível das grandes potências.
Rahmani Fazli também sublinhou que a Parceria Estratégica Abrangente firmada entre Irã e China vai muito além de sua dimensão econômica. “Este documento não é apenas sobre investimento, petróleo, infraestrutura ou comércio”, afirmou. “É sobre como o Irã define seu lugar em uma ordem global em transformação.”
A cooperação de longo prazo com a China cria, segundo o diplomata, uma forma de profundidade estratégica diplomática para o Irã. Isso permite a Teerã demonstrar de forma concreta que possui opções reais, parceiros relevantes e capacidades alternativas diante da pressão dos EUA — um sinal de que o país não se encontra isolado, independentemente das sanções impostas por Washington.
A Parceria Estratégica Abrangente entre Irã e China, assinada em 2021, estabelece um marco de cooperação de 25 anos abrangendo energia, infraestrutura, comércio e segurança. O acordo tornou-se cada vez mais central na política externa iraniana à medida que as relações com os governos ocidentais se deterioraram. Funciona tanto como arranjo econômico prático quanto como sinal político de que Teerã possui alternativas duráveis ao engajamento com o Ocidente.
O embaixador ressaltou ainda que a China tem operado como um dos poucos canais multilaterais ainda ativos no atual contexto regional. Para Rahmani Fazli, é precisamente essa posição singular de Pequim — com trânsito junto a múltiplos atores — que torna a China um interlocutor insubstituível para que a mensagem iraniana chegue às grandes potências com o peso diplomático necessário.
Leia também: China intensifica mediação entre EUA e Irã por estabilidade no Estreito de Ormuz
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Evelyn Olavo
13/05/2026
O Irã agora tenta vender “profundidade estratégica” pra China como quem oferece cobertura em bingo de asilo. Enquanto isso, o Capitão Tavares acha que a solução é bala, mas não percebe que o jogo real é feito em mesas onde nem ele nem a gente sentam.
Marta
13/05/2026
Minha querida Evelyn, que aula triste você nos dá com esse cinismo de salão. Vamos por partes, como eu fazia com meus alunos do terceiro ano quando eles tentavam resumir Maquiavel sem nunca ter lido uma linha. Você reduz a profundidade estratégica — um conceito que vem desde Clausewitz e foi reelaborado por estudiosos sérios das relações internacionais — a “cobertura em bingo de asilo”. Sabe o que isso revela? Um desprezo olímpico pelo pensamento não-ocidental. O Irã tem milênios de história, sobreviveu a cercos, invasões mongóis, golpes orquestrados pela CIA em 1953, sanções que matam crianças por falta de remédio, e ainda assim segue negociando com a China sem pedir licença a think tanks de Washington. Isso não é bingo, minha filha. É maturidade geopolítica. Quando você compara a diplomacia de uma nação antiga com um jogo de azar, está cometendo o mesmo erro dos colonizadores de 1500: achar que o “outro” é tosco e desorganizado. A história mostra quem acabou surpreendido.
Sobre as “mesas onde nem ele nem a gente sentam”, sua frase é bonita, quase poética, mas esconde um conformismo de quem já aceitou a derrota sem lutar. Em 1988, o Brasil tinha uma inflação de 80% ao mês, os trabalhadores viam o salário derreter, e a mídia dizia que só um “choque técnico” resolveria — adivinha quem foi chamado de “atrasado” por propor participação popular? Lula. As Diretas Já em 1984 não aconteceram porque nos convidaram a sentar em mesas bonitas, Evelyn. Foi gente comum, do chão de fábrica que o Jeferson mencionou, ocupando praças. Em 2003, quando o FMI ria das metas sociais, Lula colocou o povo no orçamento e pagou a dívida antes do prazo. Essas mesas de poder são mesas de cozinha transformadas em varanda de casa de sindicato. O jogo real não é exclusivo de embaixadores e banqueiros — é feito quando uma comunidade se organiza para exigir água encanada e acaba mudando o discurso de um governo.
Aliás, já que você gosta de ironia, deixa eu te contar uma história que não está no seu manual de liberal chique. Durante a crise do petróleo de 1973, os EUA riam da “OPEP de camelôs” — até o barril quadruplicar e Washington descobrir que aqueles sheiks tinham mais poder de barganha que muitos chanceleres de gravata. Hoje, o Irã pode não sentar na mesa do Conselho de Segurança da ONU com direito a veto, mas tem mísseis de precisão e influência sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial. A China compra tecnologia de drones deles. Isso é profundidade estratégica: jogar com as cartas que se tem, não com as que se gostaria de ter. É muito fácil, do conforto de um iPhone fabricado com minerais do Congo, debochar de quem precisa negociar com o pé no chão.
Sobre o Capitão Tavares, você tem razão no diagnóstico — ele erra ao achar que bala resolve —, mas seu argumento joga a criança fora junto com a água do banho. O povo armado que ele idealiza é sim problemático, mas é uma resposta distorcida a uma fome real de soberania. Em vez de ridicularizar, por que não explicar que a soberania se conquista com educação, ciência e integração regional? Foi assim que o Brasil ajudou a enterrar a ALCA em 2005, sem dar um tiro. Mas para ensinar isso, é preciso acreditar que vale a pena conversar com o “povo”, e não apenas postar frases prontas em fóruns. Eu passei 35 anos dando aula em escola estadual com goteira, Evelyn. Sei que a revolução não vem de bunker, mas também sei que ela jamais virá de um apartamento com varanda gourmet onde se acha que política externa é “bingo de asilo”. Vamos estudar um pouquinho antes de digitar, sim? Beijo no coração.
Capitão Tavares 🇧🇷
13/05/2026
Mais uma trama desses países pra enganar trouxa. O Brasil tá entregue a bandido e esses lixos ainda querem ditar como a gente deve viver. Cadê nossas forças pra dar um basta nessa palhaçada? O povo tá armado e cansado de promessa vazia.
Clarice Historiadora
13/05/2026
Capitão, esse papo de “povo armado” me lembra aquela passagem clássica de Eric Hobsbawm sobre como as milícias voluntárias da Revolução Francesa achavam que estavam defendendo a pátria, mas acabaram servindo de bucha de canhão enquanto a burguesia comprava títulos da dívida pública — a história é generosa com quem confunde fuzil na mão com projeto político.
Jeferson da Silva
13/05/2026
Capitão, esse papo de povo armado é igual discurso de sindicato pelego: enche a boca de revolução mas na prática só serve pra quem nunca suou a camisa no chão de fábrica. Enquanto você fantasia milícia, a gente aqui luta todo dia contra hora extra não paga e patrão que chama pejotização de “liberdade”.