Aporte de R$ 30 bilhões amplia presença no varejo e reforça indústria e logística até 2030
A Coca-Cola anunciou um plano de investimento de R$ 30 bilhões no Brasil até 2030. O valor será aplicado na construção de novas fábricas e centros de distribuição nas cinco regiões do país. O anúncio foi feito pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante um evento em Brasília que reuniu executivos da companhia e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Alckmin, que também chefia o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o investimento reforça a confiança da multinacional no mercado brasileiro. Ele destacou o alcance nacional do plano, embora não tenha detalhado cronogramas ou locais específicos.
“A Coca-Cola, como indústria, anunciou ao presidente Lula que vai investir, até 2030, 30 bilhões em novas fábricas e centros de distribuição no Brasil todo”, disse Alckmin durante evento sobre a Copa do Mundo ao lado de executivos da Coca-Cola e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O aporte ocorre em um momento em que o governo federal busca estimular a reindustrialização e fortalecer cadeias produtivas. Além disso, a expansão logística tende a reduzir custos de distribuição e melhorar o abastecimento em regiões menos atendidas.
Expansão no varejo acompanha estratégia industrial
Enquanto a Coca-Cola amplia sua estrutura produtiva, o grupo mexicano Femsa fortalece sua atuação no varejo brasileiro. Reconhecida como a maior engarrafadora independente de produtos Coca-Cola no mundo, a empresa também opera a rede de lojas de conveniência Oxxo.
A companhia planeja expandir suas operações no Brasil nos próximos anos. O foco está na abertura de novas unidades, especialmente após mudanças societárias que alteraram o controle da rede no país.
Presente no Brasil desde 2020, a Oxxo passou por uma reconfiguração estratégica. A parceria com a Raízen foi encerrada, e a gestão ficou exclusivamente sob responsabilidade da Femsa. A ruptura, embora desafiadora, abriu espaço para decisões mais autônomas e uma nova fase de crescimento.
Sob a nova administração, a meta é inaugurar mais 100 lojas apenas em 2026. O plano demonstra confiança na expansão do consumo de proximidade, tendência que ganhou força nas grandes cidades.
Meta de mil lojas indica aposta no consumo urbano
Atualmente, a Oxxo soma 607 lojas distribuídas em 24 cidades do estado de São Paulo. Embora a atuação permaneça concentrada no Sudeste, a empresa pretende acelerar o ritmo de inaugurações. A meta é atingir 1.000 unidades no país, consolidando presença no varejo urbano.
O CEO Jose Garza-Lagüera destacou o potencial de crescimento e a experiência adquirida com a antiga parceria. Segundo ele, o aprendizado operacional contribuiu para aprimorar processos e licenças, preparando a empresa para atuar de forma independente.
“Não temos um número exato preciso de quantas lojas precisamos ter para um breakeven, mas provavelmente seja em torno de 1 mil lojas… Nos deu [Raízen] um tipo de ‘treinamento’ sobre como construir, obter licenças e essas coisas. Mas agora estamos muito empolgados porque estamos prontos para seguir sozinhos, e o potencial que enxergamos ainda é enorme”, revelou o CEO, Jose Garza-Lagüera.
A estratégia reforça a aposta no consumo rápido e na conveniência, segmento que cresce impulsionado pela urbanização e pela mudança de hábitos.
Resultados financeiros acendem sinal de alerta
Apesar dos planos ambiciosos, os números recentes indicam desafios relevantes. Segundo o portal InvestNews, o Grupo Nós — joint venture formada anteriormente por Raízen e Femsa Comercio — registrou prejuízo líquido de R$ 165,7 milhões no exercício 2022-2023, o mais recente divulgado.
O resultado negativo expõe as dificuldades de consolidação do modelo de conveniência no Brasil. Custos operacionais elevados, logística complexa e adaptação ao perfil do consumidor figuram entre os principais obstáculos.
Ainda assim, a empresa afirma que indicadores operacionais apresentam melhora consistente. Rotatividade de funcionários, custos de contratação e demissão e eficiência operacional evoluem mês a mês, segundo a companhia.
Para equilibrar as contas, a estratégia inclui operar com equipes enxutas. O objetivo é manter cerca de sete funcionários por loja, reduzindo despesas e aumentando a produtividade.
Novos serviços buscam ampliar receita e fidelização
Além da expansão física, a rede testa novos serviços para diversificar receitas. Entre as iniciativas estão cartões-presente para jogos eletrônicos e produtos de outros varejistas. A proposta visa aumentar o fluxo de clientes e ampliar o ticket médio.
Essa diversificação reflete uma tendência global no varejo de conveniência. Lojas deixam de ser apenas pontos de compra rápida e passam a oferecer serviços adicionais. Com isso, buscam fidelizar consumidores e competir com grandes redes.
Ao mesmo tempo, a expansão da Coca-Cola no país fortalece toda a cadeia de distribuição. Novos centros logísticos tendem a abastecer redes de conveniência e pequenos comércios, ampliando o alcance de produtos.
Impactos econômicos e sociais do investimento
O investimento bilionário anunciado tem potencial para gerar empregos diretos e indiretos. A construção de fábricas e centros de distribuição mobiliza setores como construção civil, transporte e serviços. Além disso, a ampliação da rede varejista cria oportunidades de trabalho nas cidades.
Sob uma perspectiva social, a expansão industrial pode contribuir para reduzir desigualdades regionais. Ao distribuir unidades produtivas pelas cinco regiões, o plano favorece a interiorização do desenvolvimento.
Por outro lado, especialistas alertam que o crescimento precisa vir acompanhado de políticas trabalhistas sólidas. Modelos com equipes reduzidas exigem atenção para garantir condições dignas e estabilidade no emprego.
Brasil segue estratégico para multinacionais
O anúncio reforça o papel do Brasil como mercado prioritário para multinacionais do setor de bebidas e varejo. O tamanho da população, a urbanização acelerada e a diversidade regional tornam o país um laboratório de estratégias comerciais.
Ao mesmo tempo, o governo federal busca atrair investimentos que estimulem a produção local e fortaleçam a economia. A aproximação entre poder público e empresas, como evidenciado no evento em Brasília, sinaliza uma tentativa de alinhar interesses econômicos e sociais.
Nesse cenário, a expansão da Coca-Cola e da Femsa revela uma aposta de longo prazo. Apesar dos desafios financeiros recentes, as empresas demonstram confiança no potencial de crescimento do consumo interno.
Assim, o Brasil se mantém no centro das estratégias globais do setor. O sucesso dessas iniciativas, porém, dependerá da capacidade de equilibrar lucro, geração de empregos e inclusão econômica.

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