Uma descoberta arqueológica impressionante emergiu segundo apontou o portal Euronews, quando pesquisadores recuperaram mais de 1.000 objetos romanos muito bem preservados no Lago Neuchâtel, na Suíça, datados de entre 20 e 50 d.C. A embarcação que transportava esse cargamento afundou com utensílios domésticos, armas, acessórios militares e até restos alimentares, tudo mantido em estado quase intocado graças ao sedimento lacustre.
O achado partiu de um indício visual incomum no fundo do lago captado por drone — uma mancha escura, à primeira vista interpretada como depósito de minas da Segunda Guerra Mundial. A partir daí, mergulhadores da Fundação Octopus, com Fabien Langenegger e Julien Pfyffer à frente, investigaram o local ao longo de campanhas que totalizaram quase um mês entre 2025 e 2026, revelando o carregamento surpreendente. Os objetos recuperados incluíram cerâmica para cozinha, louça de mesa, fivelas ou broches (fibulae), espadas romanas, um punhal, fivelas de cinto e até uma cesta de vime contendo utensílios dos marinheiros da embarcação. Restos de comida em vasos cerâmicos entram agora em análise, assim como detalhes finos de fabricação e selagem das peças. A dedicação ao resguardo motivou que a descoberta fosse mantida em segredo até a conclusão inicial das escavações, para evitar saques.
Estima-se que o carregamento destinava-se a um acampamento militar romano para cerca de 6.000 homens. A presença de equipamentos de legionários, como duas espadas de gladiador, um bastão característico dos centuriões, um punhal e articulados de armadura, reforça a hipótese de escolta militar ao navio. Embora ainda não encontrado, o casco do navio parece ter sumido — restou apenas o cargamento disperso sobre o fundo do lago.
Entre as peças mais enigmáticas está uma cesta de vime milagrosamente preservada pelos sedimentos calcários do lago, contendo seis objetos cerâmicos com estilo distinto do restante da carga. Supõe-se que fossem pertences dos marinheiros, menos refinados e usados no dia a dia, ao contrário da louça de cerâmica produzida em série para fins oficiais ou domésticos de maior prestígio.
Todo o material foi trazido à tona antes que âncoras ou redes pudessem danificá-los irremediavelmente. Restauração e limpeza estão em curso em solo firme. O processo permitirá observar detalhes difíceis de captar debaixo d’água, como traços de selos de fabricação, resquícios alimentares e elementos de proteção entre pratos — como palha entre cerâmicas. Fluxos sedimentares subaquáticos costumam ocultar essas camadas preciosas.
A exposição pública dessas preciosidades está prevista no Laténium, maior museu arqueológico da Suíça, em Neuchâtel. Também se prepara um livro e documentário para 2027, que devem levar ao grande público não só os objetos físicos, mas também a narrativa oculta sob as águas — do comércio, da vida militar e marítima, do cotidiano romano no coração da Europa.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!