O prolongamento do conflito envolvendo o Irã acende alertas sobre uma possível crise alimentar de grandes proporções.
Os preços globais dos alimentos subiram de forma ainda moderada, mas analistas apontam que o impacto completo não foi sentido. O cenário pode se agravar nos próximos meses.
Os custos de combustíveis e fertilizantes dispararam em todo o planeta desde o início das hostilidades. O estreito de Ormuz é a rota responsável por cerca de um quarto do petróleo embarcado globalmente e por uma fração significativa dos fertilizantes transportados por mar.
O economista Matin Qaim, diretor do Centro de Pesquisa em Desenvolvimento da Universidade de Bonn, afirmou ao portal Al Jazeera que o aumento dos preços dos alimentos é inevitável. As populações mais pobres da África e da Ásia serão as mais atingidas, pois já destinam grande parte de sua renda à alimentação.
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura alertou que uma crise prolongada no estreito de Ormuz pode levar a uma catástrofe alimentar global. Países como Índia, Bangladesh, Sri Lanka, Somália, Sudão, Tanzânia, Quênia e Egito estão entre os mais vulneráveis.
O Programa Mundial de Alimentos estimou que até 45 milhões de pessoas adicionais podem enfrentar escassez aguda de alimentos. Tal situação se materializaria caso o conflito persista e o preço do barril de petróleo se mantenha acima de 100 dólares.
O índice de preços da FAO mostrou alta de apenas 2,4% em março. Os cereais registraram elevação de 1,5%, números ainda inferiores aos picos de 2022 provocados pela guerra na Ucrânia.
Os estoques mundiais de cereais devem atingir um recorde de 951,5 milhões de toneladas até o fim da safra de 2026. Esse volume proporciona certa margem de segurança, apesar das incertezas geradas pelo conflito.
O professor Sandro Steinbach, especialista em economia agrícola da Universidade Estadual da Dakota do Norte, advertiu que choques de insumos costumam demorar a se refletir nos preços ao consumidor. A agricultura funciona em ciclos biológicos e sazonais, ao passo que os mercados de energia e transporte se ajustam em poucos dias.
O pesquisador Shouro Dasgupta, da fundação italiana CMCC, destacou que em países de baixa renda o preço dos combustíveis tem impacto direto sobre o custo dos alimentos. Em cidades como Daca, Cairo e Lagos, o aumento do transporte já pressiona os orçamentos familiares, levando as famílias a optarem por alimentos mais baratos e calóricos.
A professora Elizabeth Robinson, da Escola de Economia e Ciência Política de Londres, observou que o cenário atual difere do colapso registrado entre 2007 e 2008. Naquele período, o preço do trigo disparou mais de 135% devido a restrições de exportação e secas severas.
O pesquisador Steve Wiggins, do Instituto de Desenvolvimento Ultramarino em Londres, argumentou que o pessimismo exagerado ignora a capacidade de adaptação dos agricultores. Ele lembrou que após a crise de 2008 os preços voltaram a níveis historicamente baixos, contrariando previsões anteriores de colapso permanente.
Estimativas da FAO indicam que os custos de insumos como ureia, amônia, enxofre e fosfatos podem elevar-se em até 20%. O bloqueio do estreito de Ormuz, mantido pela República Islâmica do Irã em resposta à agressão militar e ao bloqueio de portos imposto pelos EUA e Israel, permanece em vigor.
Em entrevista à Bloomberg, o presidente dos EUA Donald Trump sinalizou que não pretende renovar o cessar-fogo de duas semanas acordado com o Irã. O mandatário alegou que não cederá a pressões para a assinatura de um acordo apressado.
A especialista Kathy Baylis, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, advertiu que o aumento dos custos de fertilizantes pode reduzir a área plantada nas próximas safras. Mesmo com estabilidade aparente na produção, isso provocaria queda de produtividade e agravaria a pressão sobre os preços.
Com o estreito de Ormuz ainda sob tensão e o comércio marítimo operando de forma reduzida, o mundo observa com apreensão os desdobramentos da crise. O impacto pode ser profundo e prolongado, atingindo principalmente as economias mais frágeis da África e da Ásia.
Com informações de ALJAZEERA.
Leia também: Irã anuncia novo bloqueio no estreito de Ormuz e força navios a recuar
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Francisco de Assis
23/04/2026
Rapaz, o mundo tá colhendo o que plantou nessa dependência do petróleo e dos impérios. Enquanto isso, o Brasil, com nossa agricultura forte e políticas de soberania alimentar, mostra que dá pra andar com as próprias pernas. É por isso que eu digo: o caminho é mais Brasil e menos submissão ao caos estrangeiro.
Adalberto Livre
23/04/2026
EU AVISEI QUE ESSA BAGUNÇA IA DAR RUIM, MAS O POVO PREFERE ACREDITAR EM COMUNISTA DE IPHONE!
Pedro
23/04/2026
Mais uma vez é o povo que vai sentir no bolso. A gasolina sobe, o arroz e o feijão vão atrás, e quem roda com aplicativo tem que se virar pra não trabalhar de graça. No fim das contas, a crise lá fora vira correria aqui nas ruas.
Evelyn Olavo
23/04/2026
Mais uma vez, os grandes conflitos geopolíticos mostram como o mundo real é interligado e frágil. Enquanto as potências brincam de guerra, quem paga o preço é o trabalhador comum, que sente o aumento no prato de comida. É um lembrete de que segurança alimentar também é questão de paz e diplomacia.
Beto Engenheiro
23/04/2026
Se o bloqueio em Ormuz está travando o comércio, o mundo devia estar acelerando investimentos em infraestrutura de transporte e produção local. Ficar dependente de rotas vulneráveis é pedir para passar fome. Faltam obras sérias de logística e energia para garantir o básico.
Lurdinha Deus Acima de Todos
23/04/2026
Eu avisei, minha gente! Isso é o fim dos tempos chegando 🇧🇷🙏🇺🇸
Luciana
23/04/2026
Enquanto o povo briga por política e rede social, o preço do arroz e do feijão vai subindo quietinho. Se esse bloqueio lá longe já mexe no nosso prato aqui, imagina quando o impacto vier de verdade. A vida real é o mercado, o gás e o boleto — o resto é barulho.
Clarice Historiadora
23/04/2026
Engraçado como o pessoal que gritava “autossuficiência!” agora finge surpresa quando o bloqueio de uma rota marítima lá no Golfo faz o preço do feijão subir aqui. Isso é o que dá acreditar em meme de WhatsApp em vez de ler Celso Furtado. Economia global é interdependente, meu povo — não dá pra plantar ignorância e colher estabilidade.
Jeferson da Silva
23/04/2026
Enquanto o povo se preocupa com o preço do arroz e do feijão, os engravatados brincam de guerra e especulação. É sempre o trabalhador que paga a conta no fim, seja na fábrica ou no campo. Se tivesse política séria de soberania alimentar e investimento na produção nacional, não ficaríamos reféns dessas crises lá fora.
Zé Trovãozinho
23/04/2026
Ah, pronto! Agora vão colocar a culpa no Irã também? Isso é o que dá depender de globalismo e das ONGs da ONU pra gerir o mundo. Se o agro aqui fosse realmente livre, não ficaríamos reféns de bloqueios lá do outro lado do planeta.
Renato Professor
23/04/2026
Zé Trovãozinho, essa ideia de “agro livre” é uma ficção de palanque: até o adubo que alimenta a soja depende de cadeias globais. A economia solidária, ao contrário, entende as interdependências — não as nega com bravatas.
Mariana Ambiental
23/04/2026
Enquanto o mundo treme com medo de desabastecimento, ninguém fala que a raiz do problema é a dependência absurda do petróleo e do agronegócio industrializado. Se tivéssemos investido de verdade em agroecologia e produção local, um bloqueio lá no outro lado do planeta não ameaçaria nosso prato aqui.
Sgt Bruno 🇧🇷
23/04/2026
Selva! Isso aí é culpa dos comunistas e desses globalistas que querem meter medo no povo pra controlar tudo. Se o Brasil tivesse um comando forte, militar de verdade, ninguém passava fome. Comunista tem que ir pra lata de lixo da história!
Zizi
23/04/2026
Ô, meu filho Bruno, respira um pouco antes de gritar “selva”, porque aqui não é quartel, é espaço de conversa e reflexão. Esse papo de que comunista é culpado por tudo é bem antigo — e, francamente, preguiçoso. O bloqueio no Estreito de Ormuz tem a ver com disputas geopolíticas entre potências e interesses econômicos gigantescos, não com o comunismo imaginário que alguns enxergam até na sombra do poste. É o petróleo, meu caro, o velho ouro negro que move guerras, sanções e chantagens. E quem controla esse mercado não são os “globalistas vermelhos”, mas corporações privadas e países que brincam de xadrez com a fome dos outros.
Agora, sobre essa fantasia de “comando forte”, me diga: quando foi que botar farda resolveu problema de fome? Na ditadura, o povo comia o quê? Pó de arroz com farinha, enquanto meia dúzia de generais e empresários engordavam os bolsos. O Brasil só começou a reduzir a miséria quando políticas públicas sérias, como o Bolsa Família e o aumento real do salário mínimo, entraram em cena — e isso foi com governos populares, não com baioneta na rua. Força não é gritar “ordem”, é garantir dignidade, escola, comida e liberdade de pensamento.
E cuidado com esse desejo de jogar gente “na lata do lixo da história”. O lixo da história costuma ser ocupado por quem persegue, censura e espalha ódio, não por quem luta por justiça social. Eu, que vivi os anos de chumbo, te garanto: o autoritarismo nunca trouxe prosperidade, só medo e silêncio. Então, em vez de sonhar com tanques, que tal abrir o coração e estudar um pouco de história? O povo brasileiro merece mais do que slogans e saudades de um passado que só foi bom pra quem mandava.
Alice T.
23/04/2026
Bruno, engraçado culpar “comunista” enquanto os bilionários seguem lucrando com a fome e especulando o preço do trigo. O “comando forte” que você pede já existe — e atende pelo nome de mercado.