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Libaneses retornam ao sul devastado após cessar-fogo com Israel

0 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Libaneses retornam ao sul devastado após cessar-fogo com Israel. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) Milhares de famílias libanesas iniciaram o retorno às suas cidades no sul do país após o cessar-fogo que interrompeu semanas de confrontos intensos com Israel. As estradas voltaram a se encher de carros e caminhões carregados […]

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Ilustração editorial sobre Libaneses retornam ao sul devastado após cessar-fogo com Israel. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Milhares de famílias libanesas iniciaram o retorno às suas cidades no sul do país após o cessar-fogo que interrompeu semanas de confrontos intensos com Israel.

As estradas voltaram a se encher de carros e caminhões carregados de pertences, enquanto moradores deslocados tentavam reencontrar o que restou de suas casas e de suas rotinas. Conforme reportagem da RFI, o cenário de destruição era visível em cidades como Nabatiyé e Kharayeb, onde os bombardeios israelenses deixaram ruas inteiras em ruínas.

Mesmo diante dos alertas das autoridades libanesas sobre o risco de novas hostilidades, o sentimento predominante entre os que voltavam era de orgulho e resistência. Um casal que retornava a Kharayeb afirmou que, apesar da perda total da casa de três andares, o retorno simbolizava uma vitória moral — a destruição material, secundária diante da sensação de dignidade preservada.

Em Nabatiyé, moradores como Nour expressaram tristeza ao ver suas casas destruídas, mas também alívio por poder voltar. Portas e janelas explodidas, fachadas rachadas e ruas cobertas de entulho compunham o retrato de uma cidade em processo de reorganização.

Comerciantes locais, como os funcionários da padaria Hassan, já começaram a limpar os destroços e planejavam reabrir as portas o quanto antes, como gesto concreto de retomada da vida cotidiana. Na periferia sul de Beirute, onde os bombardeios também foram intensos, famílias retornavam para avaliar os danos e recuperar o que sobrou.

Hassan Dib, que perdeu sua casa e todos os móveis, afirmou que o mais importante era preservar a dignidade e seguir as orientações do Hezbollah sobre o momento seguro para o retorno definitivo. Outros, como Ali Mrad, que havia se refugiado em Trípoli, relataram um misto de esperança e incerteza.

Ali Mrad descreveu o retorno como o fim de uma crise pessoal e coletiva, destacando a importância de poder voltar a um lar, mesmo que em ruínas. Já para Zahra Chehadé, o cessar-fogo era visto com cautela, pois ela temia que Israel voltasse a romper a trégua e retomasse os ataques.

As declarações do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, de que suas tropas permaneceriam no sul do Líbano durante a trégua, aumentaram a apreensão entre os libaneses. O cessar-fogo trouxe alívio imediato, mas também expôs a dimensão das perdas humanas e materiais acumuladas ao longo do conflito.

O retorno dos deslocados, ainda que arriscado, evidencia a escala do deslocamento provocado pelos bombardeios e a urgência da reconstrução. A trégua, ainda frágil, abre espaço para que comunidades inteiras avaliem os danos e retomem atividades básicas interrompidas pelas semanas de guerra.


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