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Alemanha abate quase 3 mil javalis contaminados por césio-137 de Chernobyl

4 Comentários🗣️🔥 Três javalis em uma área florestal, possivelmente na Alemanha. (Foto: actualidad.rt.com) Quase quatro décadas após o desastre nuclear de Chernobyl, a Alemanha ainda colhe os efeitos persistentes da contaminação radioativa espalhada pela Europa em 1986. Em regiões como Baviera, Baden-Wurtemberg, Renânia-Palatinado, Turíngia e Saxônia, javalis continuam apresentando níveis elevados de césio-137. Trata-se de […]

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Três javalis em uma área florestal, possivelmente na Alemanha. (Foto: actualidad.rt.com)

Quase quatro décadas após o desastre nuclear de Chernobyl, a Alemanha ainda colhe os efeitos persistentes da contaminação radioativa espalhada pela Europa em 1986.

Em regiões como Baviera, Baden-Wurtemberg, Renânia-Palatinado, Turíngia e Saxônia, javalis continuam apresentando níveis elevados de césio-137. Trata-se de um isótopo radioativo que torna sua carne imprópria para o consumo humano.

Segundo dados publicados pelo jornal alemão Bild e referendados pela Oficina Federal de Proteção Radiológica da Alemanha, em 2025 foram abatidos 2.927 javalis com níveis de radiação acima do limite legal de 600 becqueréis por quilograma. No total, 3.099 animais contaminados foram detectados em todo o território alemão naquele ano.

Esse número ainda é inferior aos picos registrados em 2022 e 2020, quando as medições apontaram, respectivamente, 7.539 e 7.235 exemplares contaminados.

A persistência do problema está diretamente ligada à meia-vida do césio-137, estimada em cerca de 30 anos. Como o acidente ocorreu há aproximadamente 40 anos, o isótopo já completou mais de uma meia-vida — o que significa que cerca de 37% a 40% do material originalmente depositado ainda permanece radioativamente ativo nos solos europeus.

A chuva e o relevo favoreceram a deposição irregular das partículas, concentrando-as especialmente em florestas e áreas úmidas do sul do país.

As áreas mais afetadas identificadas pela Oficina Federal de Proteção Radiológica incluem florestas e zonas montanhosas próximas a Mittenwald e Berchtesgaden, na Baviera. Nessas regiões, medições recentes apontaram níveis de até 5.362 becqueréis por quilograma em alguns animais — quase nove vezes acima do limite legal estabelecido pelas autoridades sanitárias alemãs.

O comportamento alimentar dos javalis explica por que esses animais acumulam concentrações tão elevadas do isótopo. Eles consomem grandes quantidades de fungos subterrâneos e raízes ricas em césio-137, absorvendo o material de forma muito mais intensa do que outros animais silvestres.

Enquanto os solos agrícolas retêm o isótopo preso a minerais argilosos, impedindo sua absorção pelas plantas cultivadas, os ecossistemas florestais favorecem a reciclagem contínua do material radioativo por meio da decomposição orgânica.

Para compensar os caçadores que não podem comercializar a carne dos animais abatidos, a Oficina Federal de Administração da Alemanha oferece indenizações de 204 euros por javali adulto e 102 euros por filhote. O programa tem dupla função: evitar que a carne contaminada chegue ao mercado e garantir o controle populacional da espécie, que se reproduz rapidamente e provoca danos agrícolas expressivos nas regiões afetadas.

Autoridades ambientais alemãs ressaltam que os produtos agrícolas do país permanecem seguros para o consumo, já que a contaminação se restringe a ecossistemas silvestres. O caso dos javalis radioativos evidencia, no entanto, como os efeitos de Chernobyl continuam gravados na paisagem ecológica europeia, muito além das fronteiras da antiga União Soviética.

O desastre de abril de 1986, ocorrido na então República Socialista Soviética da Ucrânia, liberou uma nuvem de partículas radioativas que varreu boa parte do continente europeu. A Alemanha, situada a mais de mil quilômetros do reator destruído, recebeu precipitações contaminadas que se depositaram de forma desigual, criando bolsões de radiação persistente que décadas de descontaminação natural ainda não foram capazes de eliminar.

Com a lenta degradação do césio-137 e a dinâmica particular dos ecossistemas florestais, especialistas estimam que o monitoramento sistemático dos javalis deverá se estender por várias décadas adicionais. A situação impõe à Alemanha — e à Europa como um todo — a necessidade de políticas públicas contínuas voltadas à segurança alimentar e ao rastreamento ambiental dos legados de acidentes nucleares de grande escala.

Com informações de ACTUALIDAD.


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Pedro Neto

29/04/2026

Faz o L e vai pra Cuba comer javali com césio, seus comunista ladrão.

    João Augusto

    29/04/2026

    É fascinante observar como o anacronismo serve de anteparo para a incompreensão da Dialética do Esclarecimento aplicada ao colapso ambiental europeu. O senhor confunde geografia e ideologia ao ignorar que os javalis em questão pastam no solo da locomotiva capitalista alemã, evidenciando que a radiação, tal como o capital, não respeita suas parcas fronteiras retóricas.

    Francisco de Assis

    29/04/2026

    É de uma alienação abissal o sujeito confundir a Baviera com Havana só pra destilar esse veneno de quem tem o juízo curto e a cabeça colonizada. Enquanto essa gente se perde num mapa-múndi de ódio, o Brasil de Lula retoma o protagonismo soberano, mostrando pro mundo que desenvolvimento de verdade se faz com ciência e respeito ao povo.

    Ana Karine Xavante

    29/04/2026

    Pedro, é impressionante como a sua cegueira ideológica te impede de enxergar que o solo não tem partido e que a radiação não pede passaporte. Enquanto você se ocupa em repetir bordões vazios sobre Cuba e política partidária nacional, a realidade material da Europa — esse berço da civilização que gente como você tanto idolatra — está lidando com as cicatrizes purulentas de um modelo de progresso que ignorou os limites da vida. O que acontece na Alemanha com esses javalis é a prova viva de que o colonialismo estrutural e a obsessão pela energia nuclear deixam heranças que o tempo humano não consegue curar. O césio-137 não é comunista nem capitalista; ele é o rastro de uma humanidade que decidiu que o controle da natureza valia o sacrifício do futuro.

    Para nós, povos indígenas, essa notícia não é uma curiosidade científica ou um palanque para deboche, mas um espelho do que enfrentamos aqui no Mato Grosso e em toda a Amazônia. O veneno que contamina o solo alemão por décadas é o mesmo espírito que despeja mercúrio nos nossos rios e agrotóxicos nas nossas sementes em nome de um desenvolvimento que nunca nos incluiu. Você fala de fazer o L como se o colapso climático e a degradação da biosfera fossem questões de torcida organizada, enquanto os parentes na base sentem na pele a destruição da terra. O javali contaminado na Baviera e o peixe com mercúrio no Xingu são faces da mesma moeda: uma civilização doente que consome a si mesma e ainda faz piada enquanto o solo queima e as águas morrem.

    O seu comentário só reforça como a colonialidade do saber operou um apagamento da sua capacidade de compreender a complexidade da crise que vivemos. Você defende um sistema que envenena o que você come e ainda chama isso de liberdade. Se você tivesse a mínima conexão com a ancestralidade e com o pertencimento ao território, entenderia que quando o solo é ferido, todos nós sangramos, independentemente da bandeira que você carrega no perfil. Estude sobre a meia-vida dos elementos e sobre como a ganância humana, camuflada de progresso técnico, está inviabilizando a nossa existência. O desastre é global, Pedro, e a sua ignorância é apenas mais um sintoma desse césio mental que corrói a possibilidade de um amanhã para todos.


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