O vice-primeiro-ministro da Itália e líder da Liga, Matteo Salvini, comandou a Marcha dos Patriotas que tomou as ruas de Milão. A manifestação nacionalista intitulada Senza paura. In Europa padroni a casa nostra terminou na Praça Duomo com forte tom soberanista.
O cortejo partiu da Porta Venezia e seguiu até o centro da cidade ao som da tradicional canção O mia bela Madunina. Os participantes exibiam faixas com lemas como proteção das fronteiras, direito à segurança e defesa das raízes italianas.
Conforme noticiou o portal ANSA, o evento reuniu diversos líderes da direita europeia. Entre os presentes estavam o presidente do partido EKRE da Estônia, Martin Helme, o vice-governador da Baixa Áustria pelo FPÖ, Udo Landbauer, e o dirigente do Vlaams Belang da Bélgica, Tom Van Grieken.
A presidente do Foni Logikis da Grécia, Afroditi Latinopoulou, também marcou presença na mobilização. O líder do Partido da Liberdade dos Países Baixos, Geert Wilders, e o presidente do Rassemblement National da França, Jordan Bardella, completaram a lista de figuras de destaque no local.
O ex-primeiro-ministro da República Tcheca e líder do ANO 2011, Andrej Babiš, enviou uma mensagem em vídeo aos participantes. O presidente do Vox da Espanha, Santiago Abascal, fez o mesmo para reforçar a frente comum dos nacionalistas.
O palco montado na praça trazia a frase Padroni a casa nostra e era cercado por bandeiras italianas junto a símbolos da Liga. Prefeitos e administradores locais do partido carregavam uma grande faixa com o lema na abertura do cortejo.
Um trator com os dizeres Protegemos nossa agricultura e o Made in Italy abriu o desfile e destacou a defesa do setor agroalimentar. Os manifestantes entoaram slogans como Europa ladrona, a Liga não perdoa e Sem medo, donos em nossa casa ao longo do trajeto.
As críticas se voltaram contra a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e contra o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, acusado de tentar barrar o evento. A trilha sonora contou com canções de Max Pezzali, Renato Zero, Heather Parisi e Pupo para animar os presentes.
Delegações da Hungria, da Letônia e da Polônia estiveram presentes para demonstrar o alcance continental do movimento. O ministro da Educação da Itália, Giuseppe Valditara, discursou antes de Salvini encerrar o ato com um forte discurso nacionalista.
A escolha do mesmo percurso da marcha tradicional do 25 de abril gerou críticas de setores progressistas e antifascistas, que realizaram uma contramanifestação. A mobilização dos Patriotas permaneceu pacífica e buscou projetar unidade entre as forças soberanistas contra as políticas da União Europeia.
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Sgt Bruno 🇧🇷
29/04/2026
Selva! Salvini está certíssimo em passar o trator e jogar esses comunistas na lata de lixo da história. Enquanto essas melancias ficam de papo furado nos comentários, o patriotismo de verdade avança com braço forte e ordem. O resto é choro de quem não aguenta a realidade e quer entregar a soberania para a bandidagem mundialista.
Augusto Silva
29/04/2026
Sargento, essa sua selva parece um jardim de infância ideológico diante do fato de que o patriotismo de Salvini entregou uma dívida de 140 por cento do PIB e um crescimento pífio que beira a estagnação. É curioso como o braço forte sempre amolece na hora de lidar com indicadores macroeconômicos ou de explicar por que esse isolacionismo mofado só serve para sufocar a indústria e afastar o capital produtivo.
Cecília Ramos
29/04/2026
Sargento, é triste ver esse clamor por força bruta enquanto o Evangelho nos ensina que a verdadeira ordem nasce da justiça social e do acolhimento ao próximo. Esse patriotismo que exclui o estrangeiro e ignora a pobreza não serve ao Reino de Deus, serve apenas ao egoísmo de quem prefere o conflito ao amor e à dignidade humana.
Mariana Oliveira
29/04/2026
Sgt Bruno, essa retórica do braço forte e da ordem que você celebra como patriotismo é, na verdade, a face mais nítida de um projeto que Kimberlé Crenshaw descreveria como uma estrutura de exclusão deliberada. Quando você fala em passar o trator, é preciso perguntar quem está sob as engrenagens. O nacionalismo de Salvini não é uma defesa da soberania popular, mas a manutenção de um poder que se sustenta na hierarquização de corpos. Como aponta a teoria da interseccionalidade, as políticas de extrema-direita não atingem a todos da mesma forma; elas operam esmagando especificamente as mulheres migrantes, os trabalhadores racializados e as periferias, que são lidos por esse sistema como ameaças à pureza de uma nação que nunca existiu de fato. O que você chama de realidade é uma construção ideológica que utiliza o medo do outro para esconder a incapacidade de oferecer dignidade real para a própria classe trabalhadora italiana, que continua sofrendo com a precarização enquanto o ódio é destilado nos palanques.
Para além da economia, o que vemos em Milão é a reafirmação do que bell hooks conceituava como o patriarcado capitalista supremacista branco. Esse patriotismo que você defende se alimenta da fragilidade masculina e da nostalgia de uma autoridade que só se valida pelo domínio e pela força bruta, nunca pelo consenso ou pela justiça social. Ao rotular qualquer crítica como comunismo ou mundialismo, você ignora que a verdadeira soberania de um povo se constrói na autonomia de suas gentes, e não no fechamento de fronteiras que serve apenas para blindar elites enquanto criminaliza a sobrevivência de quem foge de crises climáticas e conflitos — crises muitas vezes alimentadas pelo próprio Norte Global que Salvini diz proteger. A ordem que nasce do medo e da exclusão não é ordem, é controle social repressivo. Como mineira e estudiosa dessas dinâmicas, vejo que esse discurso de braço forte é, no fundo, o sintoma de uma covardia política que não consegue lidar com a complexidade de um mundo plural e prefere a ilusão da bota sobre o pescoço do diferente.
Ana Paula Conserva
29/04/2026
É inspirador ver o povo nas ruas defendendo a soberania de sua nação e os valores que construíram a civilização cristã. Precisamos de mais coragem assim para proteger a família e as nossas tradições contra quem quer destruir nossa identidade. Que a ordem e o patriotismo sempre prevaleçam.
Julia Andrade
29/04/2026
Ana Paula, é fundamental que a gente questione a partir de que perspectiva estamos definindo essa soberania e, principalmente, quem está sendo sacrificado no altar dessa tal civilização cristã. Ao analisarmos o fenômeno da Liga de Matteo Salvini sob a ótica dos estudos culturais contemporâneos, percebemos que esse apelo à tradição não é uma defesa orgânica da identidade, mas sim a reativação de uma política de exclusão que pensadoras como Judith Butler definiriam como a demarcação de quais vidas são de fato consideradas humanas e dignas de proteção. O que você chama de coragem para proteger a família opera, na verdade, como um mecanismo biopolítico que instrumentaliza o medo do Outro — o imigrante, o dissidente de gênero, o corpo racializado — para consolidar um projeto de poder que é intrinsecamente patriarcal e eurocêntrico. A ordem que você celebra é a mesma que historicamente silenciou as vozes das periferias globais e das minorias que não se encaixam nesse padrão normativo branco e heteronormativo.
Além disso, precisamos discutir como essa retórica do patriotismo se apropria de uma ideia de identidade nacional que, como bem pontuou Benedict Anderson, é uma comunidade imaginada, muitas vezes forjada através da violência simbólica e material. Quando líderes nacionalistas marcham em Milão em nome de valores cristãos, eles raramente falam de alteridade ou acolhimento, mas de um fechamento de fronteiras que ignora as responsabilidades históricas do colonialismo europeu na desestabilização das regiões de onde esses fluxos migratórios derivam. Para nós, no Brasil, ecoar esse tipo de discurso é ignorar que a nossa própria formação identitária é pautada pelo choque e pela resistência contra esse modelo hegemônico que agora tenta se blindar na Europa. Defender a família tradicional como um bloco monolítico contra ameaças externas é ignorar que a pluralidade de existências e as novas configurações de afeto são o que realmente sustenta a sociedade, enquanto esse nacionalismo tóxico apenas aprofunda o abismo social e a desumanização.
Alice T.
29/04/2026
Ana Paula, bizarro você chamar de coragem uma cortina de fumaça que protege bilionário enquanto a gente se degladia por pauta de costumes. O papo de soberania é lindo até você ver que a Itália perde quase 100 bilhões de euros anuais com evasão fiscal da elite, dinheiro que nunca chega no trabalhador que o Salvini finge defender. Esse patriotismo de fachada não paga boleto e só serve pra manter o 1% no topo enquanto o povo briga por migalha.