A unidade de Teerã do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) concluiu um exercício militar de larga escala ao redor da capital iraniana, demonstrando plena prontidão de combate em áreas estratégicas.
A operação, intitulada ‘Comandante Mártir’, foi realizada ao longo de cinco dias e noites consecutivos. Envolveu batalhões e equipes de operações especiais do Grande Corpo de Teerã do IRGC em múltiplos cenários táticos.
Conduzida sob o lema ‘Labbayk Ya Khamenei’, expressão de lealdade ao Líder Supremo Ali Khamenei, a manobra mobilizou efetivos em diferentes frentes. Conforme reportado pelo portal Mehr News, todos os objetivos planejados foram executados com êxito.
O comandante do Grande Corpo de Teerã do IRGC, o brigadeiro-general Hassan Hassanzadeh, afirmou que o exercício teve como propósito central aprimorar a capacidade de combate. ‘O fortalecimento da prontidão contra o inimigo americano-sionista foi central para as atividades, e todas as metas foram atingidas com êxito’, declarou o oficial.
Hassanzadeh ressaltou que os cenários simulados abrangeram desde operações de defesa territorial até manobras de resposta rápida em ambiente urbano e periurbano. A escolha das áreas ao redor de Teerã reflete a importância estratégica da capital, que concentra infraestrutura política, militar e econômica vital para a República Islâmica.
O exercício se insere em um contexto de escalada de tensões regionais que envolve diretamente o Irã, Israel e os Estados Unidos. O Governo do Irã tem intensificado seus ciclos de treinamento militar em resposta às ameaças de ataques e ao avanço de negociações nucleares em terreno instável.
A realização de manobras de cinco dias consecutivos ao redor da capital sinaliza uma mensagem clara de dissuasão direcionada às potências ocidentais e a Tel Aviv. O IRGC é o principal instrumento de projeção de poder da República Islâmica tanto no plano doméstico quanto no regional.
Leia também: EUA avaliam ofensiva militar contra o Irã enquanto Teerã reafirma capacidade de resposta estratégica
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Beto Engenheiro
12/05/2026
Cinco dias de manobra perto de Teerã, com caça e tanque, mas cadê o trem de carga que o país precisa pra escoar produção? Gasto militar é necessário, mas sem contrapartida em infraestrutura produtiva vira só show de pirotecnia. O povo iraniano merece obras que gerem emprego e renda, não só desfile de armamento.
Maria Silva
12/05/2026
Mariana, você trouxe um ponto importante sobre as engrenagens de poder. A verdade é que esse tipo de manobra militar só aumenta a tensão no Oriente Médio e não traz solução pra ninguém. O povo iraniano merece paz e investimento em qualidade de vida, não em armamento. Cadê o bom senso dos líderes de todos os lados pra sentar e dialogar de verdade?
João Carvalho
12/05/2026
Pô, esses caras tão é ensaiando pra guerra, hein? Falam de ameaça americana e israelense, mas quem sofre com esse circo todo é o povo iraniano, que paga o pato com a inflação. Se o Brasil fizesse igual e gastasse bala de munição em treino, tava todo mundo reclamando que o dinheiro sumiu.
Francisco de Assis
12/05/2026
João, meu filho, cê tá comparando alhos com bugalhos. O Irã vive cercado de inimigo que ameaça invadir e destruir o país, não é treino à toa não. Enquanto isso, o Brasil tem paz com os vizinhos, mas aí mesmo assim tem gente que reclama de gasto com defesa, querem é que a gente fique de mão abanando pros Estados Unidos mandar em tudo.
Mariana Oliveira
12/05/2026
João, entendo sua indignação com o gasto militar iraniano e a conta que sobra pro povo — você acerta ao apontar que a população arca com o custo. Mas sua comparação com o Brasil perde de vista as engrenagens de poder que operam por trás desse teatro de guerra. Se a gente analisar pela lente interseccional que a Kimberlé Crenshaw nos ensina, não dá pra tratar “povo iraniano” como um bloco homogêneo. Quem sente o peso da inflação e da militarização de forma mais brutal são as mulheres, as minorias étnicas (como os curdos e árabes no Irã) e as classes trabalhadoras — exatamente os grupos que o discurso de “ameaça externa” usa pra justificar repressão interna. O exercício militar ao redor de Teerã não é só um ensaio contra EUA e Israel; é também um show de força do regime pra calar a oposição doméstica, que em grande parte é liderada por mulheres, como vimos nos protestos de 2022.
A bell hooks, em “Feminism is for Everybody”, mostra como o nacionalismo militarista sempre se alimenta de hierarquias de gênero e raça: enquanto os homens do Estado exibem mísseis, as mulheres são empurradas pra economia informal, pra dupla jornada e pra violência institucionalizada. No Irã, a combinação de sanções internacionais com gastos bélicos joga as famílias pobres — chefiadas muitas vezes por mulheres — numa crise de acesso a comida e remédios que não aparece na contabilidade da defesa. No Brasil, a mesma lógica opera em escala menor: quando a gente gasta rios de dinheiro com blindados e caças, enquanto o orçamento da saúde e da educação murcha, são as mulheres negras e periféricas que viram na fila do SUS e na precarização do cuidado.
O ponto é que questionar o gasto militar é urgente, mas precisa ir além da denúncia do desperdício. Precisa expor como a segurança nacional é sempre construída sobre o corpo de quem não está no centro do poder — e como a ameaça real pro povo iraniano (e pro brasileiro) não é só o tanque estrangeiro, é também o Estado que sacrifica direitos sociais no altar do complexo industrial-militar. Enquanto a gente tratar guerra como esporte de homens fortes, a conta continua recaindo sobre quem não tem voz nas decisões.