O embaixador do Irã na ONU, Amir-Saeid Iravani, afirmou que a crise energética global resulta das ações militares dos Estados Unidos e Israel contra seu país.
Em sessão do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, Iravani declarou que a instabilidade no Estreito de Ormuz e seus impactos econômicos são responsabilidade dos agressores.
O Irã sofreu duas agressões em menos de um ano, com milhares de civis mortos e infraestruturas civis e ambientais destruídas.
O portal Mehr News destacou que Iravani apontou quatro fatores para a instabilidade: escalada militar ilegal de Israel e EUA, ataques à infraestrutura energética iraniana, sanções unilaterais dos EUA e a necessidade de segurança regional por meio do diálogo.
Os ataques à infraestrutura energética causaram danos econômicos e ambientais severos, afetando a segurança alimentar e a produção agrícola global.
Iravani criticou as sanções unilaterais e o bloqueio naval dos EUA, que fragmentaram cadeias de suprimentos e aumentaram a volatilidade nos mercados de energia.
O embaixador reafirmou o compromisso do Irã com o diálogo internacional para restaurar a estabilidade, desde que as agressões cessem e o bloqueio naval seja levantado.
Concluiu que a paz exige respeito mútuo e cooperação genuína, não pressão ou confronto.
Leia mais sobre o assunto na en.mehrnews.com.
Leia também: China acusa EUA e Israel de desestabilizar Estreito de Ormuz e ameaçar fluxo global de petróleo
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Dr. Thiago Menezes
16/05/2026
Sempre impressionante como o Irã consegue transformar qualquer crise numa novela em que eles são vítimas inocentes. Cadê os dados concretos que comprovem essa correlação causal entre ações militares de EUA/Israel e a crise energética global? Parece mais um exercício de propaganda para desviar da própria ineficiência na gestão de recursos e das sanções que são resposta direta ao programa nuclear deles. Sem evidências robustas, isso é só retórica de palanque na ONU.
João Carvalho
16/05/2026
A fala do embaixador iraniano, embora carregada de retórica geopolítica, encontra respaldo em análises de economia política internacional que há décadas apontam o uso de sanções unilaterais como instrumento de dominação. Mateus tem razão ao evitar a falsa simetria: a crise energética não surge do vácuo, mas de décadas de intervenção e desregulação neoliberal que privilegiam o lucro de corporações em detrimento da soberania energética dos países periféricos.
Mateus Silva
16/05/2026
Achei interessante a Julia apontar a hipocrisia do regime iraniano, mas nesse caso específico ela mesma cai numa falsa simetria. A crise energética global não é invenção de Teerã; é consequência direta de sanções unilaterais e da desestabilização promovida por Washington e Tel Aviv há décadas, com a conivência de potências europeias. O que o Irã faz é tentar extrair algum capital político disso, mas o diagnóstico do problema está correto.
Marina Costa
16/05/2026
Esse discurso do Irã é mais uma cortina de fumaça para esconder a própria incompetência. A Bíblia já nos alerta sobre os que buscam culpados em vez de arrependimento. Enquanto isso, a esquerda internacional aplaude quem persegue cristãos e odeia Israel. O Brasil precisa ficar atento a esses lobos disfarçados de ovelhas.
Julia Andrade
16/05/2026
Marina, entendo a sua preocupação com a instrumentalização do discurso religioso, e concordo que a retórica do Irã precisa ser lida com ceticismo — afinal, nenhum regime teocrático faz questão de transparência energética. Mas aí que o seu argumento escorrega: ao enquadrar a crise como mero teatro iraniano e moralizar o debate com “arrependimento” bíblico, você acaba reproduzindo o mesmo essencialismo que crítica. Culpar o Irã por “odiar Israel” enquanto ignora que a crise energética global é resultado de décadas de dependência de combustíveis fósseis, sanções assimétricas impostas pelos EUA e decisões deliberadas da OPEP+ — da qual Arábia Saudita e Emirados, aliados de Washington, também fazem parte — é reduzir geopolítica a um embate Maniqueísta. A Bíblia que você cita também diz “não darás falso testemunho”, e fingir que a política externa americana não usa sanções como arma de estrangulamento econômico (que atinge a população civil iraniana, não só o regime) é um testemunho bem seletivo.
Sobre a tal “esquerda internacional” que aplaude perseguição a cristãos: sua afirmação generaliza grotescamente. Movimentos feministas e de esquerda no Brasil, por exemplo, denunciam a perseguição a minorias religiosas onde quer que ocorra — seja na Nigéria, na Índia de Modi ou no Irã. O que muitas vezes é confundido com “ódio a Israel” é, na verdade, uma crítica ao projeto colonial de assentamentos e à ocupação militar dos territórios palestinos, que viola resoluções da ONU e o direito internacional há décadas. Dá pra defender a existência de Israel e ao mesmo tempo criticar as políticas do governo Netanyahu? Claro. Mas quando a defesa de Israel se torna um escudo moral intocável, qualquer análise material da crise energética vira refém de uma leitura teológica que só serve para desviar o foco dos reais interesses petroleiros — que, aliás, uniram EUA, Arábia Saudita e Israel no Acordo de Abraão, enquanto o povo iraniano segue sofrendo com inflação e apagões. No fundo, Marina, o perigo não são “lobos disfarçados de ovelhas”, mas o hábito de ler toda disputa internacional como uma batalha cósmica entre o bem e o mal, esquecendo que até os lobos têm interesses econômicos muito concretos.