Pesquisadores da McMaster University, no Canadá, criaram um processo eletroquímico que produz amônia de forma limpa e eficiente. A técnica utiliza eletricidade renovável e nitrato, poluente comum em águas, para gerar o composto essencial à agricultura sem as emissões de carbono do método tradicional.
O método Haber-Bosch, dominante na indústria global de fertilizantes há mais de um século, exige temperaturas entre 400 e 500 graus Celsius e consome grandes volumes de combustíveis fósseis. A Agência Internacional de Energia Renovável estima que a produção mundial de amônia precisará crescer até 2050 para alimentar a população global, o que torna insustentável o processo atual, responsável por quase 2% das emissões globais de CO₂.
O pesquisador Navid Noor, que liderou o estudo durante seu doutorado sob orientação do Dr. Drew Higgins, explicou que a equipe descobriu que as propriedades de superfície dos catalisadores eram cruciais para o sucesso da reação. O material mais eficiente, uma versão funcionalizada de catalisador à base de ferro, permitiu que o nitrato fosse transformado em amônia com maior eficiência.
A pesquisa utilizou a Fonte de Luz Canadense, na Universidade de Saskatchewan, para analisar o comportamento de quatro versões do catalisador. Segundo reportagem do portal Phys.org, a técnica de espectroscopia de absorção de raios-X foi fundamental para compreender o desempenho dos materiais durante a reação eletroquímica.
A equipe da Fonte de Luz Canadense auxiliou no desenho dos experimentos e na interpretação dos dados. O estudo, publicado no Journal of the American Chemical Society, representa um avanço na busca por alternativas sustentáveis para a indústria química, um dos setores mais difíceis de descarbonizar.
Os próximos passos incluem testar a descoberta em condições reais e em escala industrial. A combinação de um poluente aquático como matéria-prima e eletricidade renovável abre caminho para um sistema mais sustentável, capaz de transformar a agricultura mundial.
A amônia é a base dos fertilizantes nitrogenados que sustentam a produção de alimentos para bilhões de pessoas. O atual processo de fabricação é um dos maiores contribuintes para as emissões industriais. A nova tecnologia pode reduzir emissões e promover soberania tecnológica e independência energética, especialmente para países produtores agrícolas.
Leia também: Cientistas criam painel para orientar transição energética global
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!