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Organizações hondurenhas denunciam projeto de lei que privilegia agroindústria após massacre no Aguán

0 Comentários🗣️🔥 Vinte e sete organizações camponesas e de direitos humanos de Honduras rejeitaram publicamente um projeto de lei que concede privilégios ao grande capital agroindustrial, exigindo sua retirada imediata do Congresso Nacional. A iniciativa foi debatida em primeiro e segundo turnos nos dias 25 e 26 de maio, apenas quatro e cinco dias após […]

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Ilustração editorial sobre Organizações hondurenhas denunciam projeto de lei que privilegia agroindústria após massacre no Ag
Ilustração editorial sobre Organizações hondurenhas denunciam projeto de lei que privilegia agroindústria após massacre no Aguán. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Vinte e sete organizações camponesas e de direitos humanos de Honduras rejeitaram publicamente um projeto de lei que concede privilégios ao grande capital agroindustrial, exigindo sua retirada imediata do Congresso Nacional. A iniciativa foi debatida em primeiro e segundo turnos nos dias 25 e 26 de maio, apenas quatro e cinco dias após o massacre ocorrido na Cooperativa Campesina Paso Aguán, na comunidade de Rigores, Trujillo, departamento de Colón, no norte do país.

O manifesto conjunto divulgado pelas entidades afirma que o projeto legaliza e institui um regime de privilégios para os grandes agroindustriais, ao mesmo tempo em que desconhece e anula direitos históricos sobre a terra e o território. O texto também destaca que a proposta legislativa busca enfraquecer os controles ambientais, criminalizar o protesto social e violar o direito à consulta prévia, livre e informada das comunidades afetadas.

As organizações signatárias advertiram o Congresso Nacional que a aprovação do projeto constituirá um ato de traição à pátria e aos interesses do povo hondurenho. O pronunciamento responsabiliza os deputados que votarem a favor, afirmando que assumirão a responsabilidade histórica das consequências de sua implementação, incluindo repressão, violência e morte de pessoas que defendem um direito fundamental.

Yoni Rivas, porta-voz da Plataforma Agrária do Aguán, declarou ao portal Criterio.hn que o projeto é lesivo por violar o artigo 60 da Constituição da República de Honduras, que estabelece a inexistência de classes privilegiadas no país. Rivas classificou como condenável a aprovação de leis que protegem interesses de um pequeno setor enquanto vulneram os direitos de 46% da população que reside na área rural.

O deputado Hugo Noé Pino, do Partido Libertad y Refundación por Francisco Morazán, afirmou que desde a aprovação da Lei de Modernização Agrícola no início dos anos 1990 não houve uma lei tão nefasta como a que está sendo apresentada. A iniciativa foi protocolada em 4 de fevereiro pelo deputado Erick José Alvarado Alvarado, do Partido Nacional por Copán, mas só entrou na pauta de debates após o massacre de camponeses em Rigores.

O artigo 2 do projeto de Lei para o fortalecimento e proteção do setor agroindustrial estabelece a inafetabilidade de terras agroindustriais, aplicável inclusive contra causas de utilidade pública. Essa disposição colide frontalmente com o artigo 344 da Constituição hondurenha, que define a Reforma Agrária como instrumento destinado a substituir o latifúndio e o minifúndio por um sistema de propriedade que garanta justiça social no campo.

Entre as organizações que assinam o pronunciamento estão a Plataforma Agrária, a Coordenadora de Organizações Populares do Aguán, o Movimento Social Organizado de La Ceiba e o Bufete Justicia para los Pueblos. Também subscrevem o documento a Rede Nacional de Defensoras de Direitos Humanos, a Equipe de Reflexão Investigação e Comunicação, a Organização Fraternal Negra Hondurenha e o Centro de Direitos de Mulheres, além de movimentos camponeses de todo o território nacional.

As entidades também repudiaram qualquer organização que, sob o discurso de independente, tente falar em nome das comunidades e movimentos sociais para legitimar graves violações aos direitos humanos. O recado ao Legislativo foi claro: aprovar essa lei significará aprofundar um modelo agrário excludente que já produziu massacres, deslocamentos forçados e criminalização da luta pela terra em Honduras.

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