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Flávio Bolsonaro assume papel de guardião da grife familiar na sucessão presidencial

0 Comentários🗣️🔥 A configuração da sucessão presidencial aponta para uma reedição do duelo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o bolsonarismo, agora encarnado no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como provável adversário direto na disputa pelo Palácio do Planalto. O cenário repete, com sinais trocados, o impasse de 2018, quando o jornal O […]

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Ilustração editorial sobre Flávio Bolsonaro assume papel de guardião da grife familiar na sucessão presidencial. (Ilustração:
Ilustração editorial sobre Flávio Bolsonaro assume papel de guardião da grife familiar na sucessão presidencial. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

A configuração da sucessão presidencial aponta para uma reedição do duelo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o bolsonarismo, agora encarnado no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como provável adversário direto na disputa pelo Palácio do Planalto.

O cenário repete, com sinais trocados, o impasse de 2018, quando o jornal O Estado de S. Paulo classificou como difícil a escolha entre o então candidato Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, ex-prefeito da capital paulista que concorria com o apoio de Lula, à época preso em Curitiba.

Flávio chega à reta final do processo eleitoral em baixa, após ter oferecido o Brasil ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de enfrentar revelações sobre sua proximidade com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e figura central no maior escândalo financeiro da história recente do país.

Lula, por sua vez, navega em alta, impulsionado pela nova onda de tarifas alfandegárias que os EUA impuseram ao Brasil. O movimento blindou o discurso presidencial de defesa da soberania nacional e recolocou o mandatário no centro da preferência de amplas fatias do eleitorado.

Segundo análise publicada pelo blog de Ricardo Noblat no Metrópoles, uma parcela expressiva dos brasileiros gostaria de contar com outras opções, mas as alternativas disponíveis não demonstram viabilidade até o início oficial da campanha.

Nomes como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos, circulam como possibilidades, porém nenhum deles apresenta força suficiente para desbancar o herdeiro político da extrema direita.

Flávio não é candidato por méritos próprios, mas exclusivamente pelos méritos do pai, Jair Bolsonaro, criador da direita brasileira que assumiu sem pudores sua identidade e métodos antes restritos aos porões da política nacional.

Nunca passou pela cabeça do senador que um dia seria candidato à Presidência da República. Ele foi quatro vezes deputado estadual no Rio de janeiro graças à força eleitoral do patriarca e conquistou a cadeira no Senado aproveitando a campanha presidencial paterna, assim como os irmãos.

De todos os filhos do clã, Flávio sempre foi o mais vocacionado para negócios e enriquecimento, razão pela qual não tem muito a perder com uma eventual derrota para Lula nas urnas.

O ex-presidente Jair Bolsonaro deu-lhe a missão de sucedê-lo como guardião de uma parcela expressiva dos votos da direita, impedindo que aventureiros se apoderem desse espólio eleitoral cultivado desde a ascensão do bolsonarismo como fenômeno de massas.

A grife Bolsonaro não pode desaparecer, pois rende muito dinheiro à família. Dinheiro é o que realmente importa na lógica do clã, forjada no DNA familiar desde os tempos das rachadinhas nos gabinetes da Assembleia Legislativa do Rio de janeiro.

A candidatura de Flávio Bolsonaro serve, portanto, a um duplo propósito: manter acesa a chama da direita radical no Brasil e assegurar a sobrevivência financeira e política de uma família que transformou o mandato popular em empreendimento privado.

O Brasil caminha para colocar frente a frente, mais uma vez, o projeto progressista encarnado por Lula e a maquinaria de poder construída pelo bolsonarismo nos últimos anos como esteira de negócios, influência e dinheiro.

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