O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não apenas lidera a corrida eleitoral: ele está abrindo distância do bolsonarismo em ritmo acelerado. A pesquisa Vox Brasil, divulgada nesta sexta-feira (5/6) pelo Metrópoles, mostra o petista com 42,1% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33,6% do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A vantagem de 8,5 pontos é a maior já registrada entre os dois desde o início do ano. Lula cresceu 7,8 pontos percentuais em um mês, enquanto Flávio perdeu quase 3 pontos no mesmo período. O dado revela uma dinâmica clara: o governo consegue converter crescimento econômico e políticas sociais em apoio eleitoral, enquanto a direita segue sem conseguir unificar seu discurso.
No segundo turno, a diferença é ainda mais expressiva. Lula aparece com 47,8% das intenções de voto, contra 41,3% de Flávio. A vantagem de 6,5 pontos é quase o dobro da registrada em maio, quando o petista liderava por 3,4 pontos. O movimento sugere que, mesmo com rejeição alta, Lula está conseguindo atrair eleitores que antes flertavam com candidaturas menores ou com o voto nulo.
A rejeição, aliás, é um dos pontos mais curiosos da pesquisa. Quase metade dos eleitores (49,2%) diz que não votaria em Lula de jeito nenhum, enquanto 48,3% rejeitam Flávio. Os números são quase idênticos, mas o desempenho nas urnas mostra que Lula consegue transformar sua gestão em votos, enquanto Flávio patina na tentativa de se descolar do legado do pai sem perder a base bolsonarista.
O cenário da direita é de fragmentação total. O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 6,9%, seguido por Romeu Zema (Novo), com 5,1%. Renan Santos (Missão) e Aécio Neves (PSDB) não passam de 3,1% e 2,1%, respectivamente. Joaquim Barbosa, Cabo Daciolo e Augusto Cury mal aparecem nas pesquisas, com menos de 1% cada um.
Essa pulverização é um problema estratégico para o campo conservador. Enquanto Lula consolida sua liderança, a direita não consegue apresentar uma alternativa viável. Caiado e Zema, que já flertaram com candidaturas próprias, agora tentam se posicionar como opções de centro-direita, mas sem conseguir romper a barreira dos 10%. Flávio, por sua vez, segue como o único nome com potencial de chegar ao segundo turno, mas sua campanha enfrenta dificuldades para crescer.
A pesquisa Vox Brasil ouviu 2.100 pessoas entre os dias 1º e 3 de junho, com margem de erro de 2,15 pontos percentuais. Os números reforçam uma tendência observada em outros levantamentos recentes: Lula está em trajetória de alta, enquanto a direita segue sem rumo. A pergunta que fica é se o bolsonarismo conseguirá se reorganizar a tempo de evitar uma derrota anunciada.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!