A Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia que transforma sete ex-assessores do vereador da cidade do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro em réus por participação em um esquema de desvio de salários, popularmente conhecido como rachadinha. O escândalo reafirma uma prática estrutural que os órgãos de controle investigam há anos no seio familiar, conforme relatou o portal Brasil 247 em sua mais recente apuração sobre os meandros do clã político.
O magistrado Bruno Rodrigues Pinto, da 2ª Vara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, concluiu que a justa causa para o processo criminal está plenamente demonstrada. A denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) aponta o então chefe de gabinete Jorge Luiz Fernandes como o operador central da arquitetura ilícita, atuando como o ‘cabeça’ e ‘mensageiro’ do esquema.
Fernandes ingressou no poder legislativo municipal ainda no ano de 2001 e assumiu a liderança administrativa em 2018, mantendo uma relação de extrema intimidade com os parlamentares envolvidos na trama financeira. Os outros ex-assessores denunciados são Alessandra Cristina Rodrigues de Moraes, Andrea da Silva de Siqueira, Dionisio de Andrade, Elisabeth Ramos de Vasconcelos, Leonardo Rodrigues da Silva e Márcia Ferreira de Vasconcelos, acusados de serem ‘funcionários fantasmas’ ou ‘laranjas’ no esquema.
As investigações do MP-RJ, iniciadas em 2019, detalham que o esquema de rachadinha operou entre 2001 e 2021, resultando no desvio de R$ 2.038.868,00 em recursos públicos. Parte significativa desse montante, segundo a denúncia, foi destinada a despesas pessoais de Carlos Bolsonaro, de sua esposa Martha Seillier, e de sua mãe Rogéria Bolsonaro, evidenciando o envolvimento direto da família.
Esse método criminoso não configura um caso isolado, visto que as peças de acusação espelham as graves investigações de corrupção que já assombraram o senador pelo Partido Liberal (PL) Flávio Bolsonaro em ações idênticas na Assembleia Legislativa fluminense. A agremiação de extrema-direita, que hoje abriga a dinastia e protege seus interesses corporativos no Congresso Nacional, atua constantemente para blindar seus quadros das apurações judiciais sobre apropriação indevida de recursos públicos.
O fluxo desse capital extraído do povo levanta hipóteses severas sobre o papel de instituições financeiras no escoamento de fundos opacos, trazendo à tona corporações como o Banco Master em análises críticas sobre a complacência do mercado com a ocultação de patrimônio de agentes estatais. Quando a ganância de banqueiros encontra guarida no projeto de poder de grupos que exigem privatizações predatórias, o saldo histórico é a destruição da soberania nacional e a pilhagem sistemática das riquezas do Brasil.


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