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A força eleitoral da Baixada Fluminense

Por Miguel do Rosário

21 de janeiro de 2014 : 12h15

Este é um post para os aficcionados em estratégia eleitoral.

O jornal Valor publicou ontem um estudo gráfico do cientista político Cesar Romero Jabob, da PUC-Rio, com o desempenho dos principais candidatos no Grande Rio.

Um dos fatores que mais chama a atenção é a tendência da Baixada Fluminense em NÃO votar nos candidatos preferidos das zonas ricas da região (sobretudo Zona Sul do Rio).

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A eleição no Rio se tornou um fenômeno notoriamente classista. Os votos da periferia vão para um lado, os do centro do mapa, para outro.

E isso começou já em 2002, quando Rosinha Garotinha se elege com uma votação concentrada na Baixada, contra Benedita da Silva (PT), que teve mais votos no centro.

O fenômeno se repete com Sérgio Cabral, nas duas eleições seguintes: seus votos se concentram na periferia, enquanto seus principais adversários eleitorais, como Denise Frossard (2006) e Fernando Gabeira (2010) tem votos altamente concentrados na zona sul da capital.

Essa é a realidade que Lindbergh Farias, e qualquer outro candidato de um partido da esquerda, terá de enfrentar. Terá de captar votos nas periferias.

Em tese, esta é uma tendência politicamente saudável, porque dá mais poder àqueles que mais precisam: os mais pobres, que moram em regiões que mais precisam de investimentos. No entanto, há efeitos colaterais nocivos, porque pressiona os candidatos a ultrapassar o limite do bom senso, como parece ter sido o caso do próprio Lindbergh, que andou flertando com o pastor Silas Malafaia. A parceria entre Lindbergh e Malafaia é coisa séria, tanto que Lindbergh foi o único senador do PT, e contrariando a orientação do partido, a votar contra o projeto de lei pela criminalização da homofobia, ação que mereceu o elogio de… Malafaia.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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5 comentários

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David Franco

21 de janeiro de 2014 às 19h44

pastor ladrão esse aí. apoia o serra.

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Luciano Prado

21 de janeiro de 2014 às 15h12

Lindinho é o nosso Fux? Tá matando no peito? Promete tudo antes para não cumprir depois? Que cena mais ridícula essa do Lindbergh com o Malafaia. E precisa de interpretes?

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Relme M V Dos Santos

21 de janeiro de 2014 às 15h20

Se eu fosse eleitor do RJ, o PT não teria meu voto, se aliar a esse sa.. que, nem voto tem, só por uma dúzia de encabrestados.

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Marcos

21 de janeiro de 2014 às 12h25

Interessante que para O Valor, ao que parece, o Estado do Rio de Janeiro se resume a região metropolitana, não existem as regiões dos lagos, norte e noroeste fluminense!

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    Miguel do Rosário

    21 de janeiro de 2014 às 13h06

    Não é bem isso, Marcos. È que a região corresponde a 74% do eleitorado no estado!

    Responder

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