Comentários sobre o áudio vazado de André Esteves (BTG Pactual)

Gilmar e seus escândalos

Por Miguel do Rosário

07 de fevereiro de 2014 : 11h36

Estou em estado de choque com essa lembrança do Tijolaço. Agora a gente entende porque inventaram o mensalão. O escândalo serve para acobertar todas as falcatruas protagonizadas pelos protegidos da mídia. Enquanto a população é bombardeada com páginas e páginas sobre Pizzolato, informada sobre se ele comia espaguete al sugo, carbonara ou bolonhesa, ninguém fala nada de Gilmar Mendes, o “vigilante de doações”.

Fernando Brito inicia o post com um comentário melancólico, explicando que não tem muita esperança de que o ministro será devidamente investigado pelo Conselho Nacional de Justiça, por esse escândalo recente envolvendo o tribunal da bahia, que contratou o IDP, de Gilmar, sem licitação, por R$ 12 milhões.  O desalento de Brito tem uma razão:  Gilmar já esteve envolvido em outra denúncia cabeluda e não aconteceu nada. Ele integra o rol dos “intocáveis”. 

Confira esse trecho de denúncia (cuja íntegra está aqui) feita pelo Procurador Luíz Francisco de Souza contra Gilmar Mendes, em 2002. É estarrecedor, sobretudo se pensarmos que a ação foi extinta, e a imprensa jamais disse nada. Bem, talvez agora com a blogosfera em cima, o MP seja um pouco mais combativo. Ou será que o MP só funciona movido a reportagens da Globo?

*

A AGU efetuou, com o conhecimento e a anuência tácita do Dr. Gilmar, 451 ( quatrocentos e cinqüenta e um) contratos informais ímprobos, com a empresa do próprio Dr. Gilmar, locupletando-o, enriquecendo-o ilicitamente. Os responsáveis por tais despesas eram membros da AGU, subordinados ao Dr. Gilmar e dependentes do mesmo para manterem cargos de chefia e funções gratificadas ( DAS etc).

O primeiro réu, Dr. Gilmar, permitiu que seus subordinados usassem o poder da entidade e do órgão que dirigia para beneficiar-se, para que sua empresa obtivesse, ilicitamente, receitas e lucros, recursos oriundos da AGU. Beneficiou-se com 451 contratos ilícitos, cada um destes, um ato de improbidade.

O Dr. Gilmar, com a ajuda do Dr. Barletta, permitiu e/ou promoveu contratações informais e pagamentos irregulares e ímprobos, efetuados pela AGU, por serviços do Instituto Brasiliense de Direito Público – IDP Ltda., empresa pertencente ao Dr. Gilmar Ferreira Mendes, contrariando o artigo 9º da Lei de Licitação (que proíbe ao dirigente de órgão ou servidor contratar, direta ou indiretamente, com o órgão onde trabalha ou dirige), violando também vários artigos da Lei de improbidade administrativa, na medida em que ele era ao mesmo tempo Ministro de Estado Titular da Advocacia-Geral da União e professor e sócio do referido instituto, que é uma empresa privada que visa lucros.

Além disso, o Dr. Gilmar lecionava em sua própria empresa, no horário de trabalho, e permitia a liberação de subordinados para assistirem as aulas em sua empresa, no horário do trabalho, ganhando, destarte, pró-labores indevidos e ainda fazendo atividades privadas durante o expediente, onde teria que ter dedicação exclusiva.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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10 comentários

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Antonio carlos zambon

23 de setembro de 2019 às 20h41

Não sei o que,Bolsonaro esta esperando Para aplicar o artigo 142,E mandar Um Jipe,Um cabo e Um soldado ,Naquele antro de falcatruas e desperdicio de Dinheiro publico,Onde a maioria,Só legislam em causa propria e com interesses excusos,Uma coisa é certa,Não estão lá para defender o Lei .

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Carlos Homem Pereira Filho

12 de outubro de 2017 às 10h33

A prova da impunidade dos canalhas que tem destaque na mídia. A tal da Carmen Lúcia está, na verdade, se borrando de medo, não é pra menos diante de vários maus elementos com voz ativa no STF
O exército, baseando na situação atual, o bastante, deveria Tomar o poder colocando todos os policos,STF e outros, na cadeia obrigando a devolução do dinheiro roubado.

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Jose Arimateia

23 de agosto de 2016 às 19h01

lol

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Maria De Fatima Cabral

08 de fevereiro de 2014 às 16h01

Fazer com esse o que fizeram com o Juiz Lalau. Ou fizeram com o Lalau para acobertar esse?

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fabio

07 de fevereiro de 2014 às 18h20

So no Brasil uma suprema corte pode ter um exibido e outro metido com falcatruas, JB e Gilmar, viva a imprensa marrom!

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Maria Meneses

07 de fevereiro de 2014 às 19h58

Terrível.

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Chico Melo Melo

07 de fevereiro de 2014 às 18h40

É VERDADE. ENQUANTO ISSO A PLIN-PLIN E O POG EM GERAL ESTÃO DE PLANTÃO NA ÍTALIA PRA COBERTURA DO QUE ACONTECE COM O PIZZOLATO. E O GILMAR MENTES E O BATMAN APRONTAM DAS SUAS KKKKK VERDADEIRA CANALHICE…

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Paulo de Souza

07 de fevereiro de 2014 às 18h23

Leonardo Vinhas

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José

07 de fevereiro de 2014 às 13h21

O que é necessário fazer para extirpar do poder judiciário, sobre o qual o povo não tem a menor ingerência (como ocorre no legislativo e chefia do poder executivo), pessoas como essa? Como fazer para que o Brasil tenha no poder judiciário pessoas comprometidas com o respeito à constituição, ao estado de direito e à ordem democrática, conquistados à duras penas?
Nos outros poderes, como acima lembramos, temos a oportunidade de apeá-los do poder ou mantê-los a cada quatro anos. No judiciário temos que ficar assistindo a escândalos como esse sem nenhum recurso para corrigí-los, mesmo que leve algum tempo, como no caso dos eleitos? Que propostas temos para corrigir essa grave falha de nosso ordenamento jurídico de modo a manter e aprofundar nossa democracia?

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    Maria gomes

    08 de fevereiro de 2014 às 09h19

    A única solução: alterar a CF sobre a forma de escolha de ministros do STF. Se os poderes são independentes, os ministros do STF deveriam ser escolhidos por voto de toda a magistratura e os candidatos saídos do STJ.

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