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PIB de 2,3% é uma grande vitória sobre os urubus

Por Miguel do Rosário

27 de fevereiro de 2014 : 12h20

A alta do PIB de 2,3% em 2013, conforme divulgado esta manhã pelo IBGE, corresponde a uma vitória especial para os que acreditam no Brasil. E mais do que acreditar: para os que trabalham duro para fazer deste país um lugar melhor.

É uma alta modesta, mas muito relevante no cenário internacional. Entre os países que já divulgaram seu crescimento de 2013, é a terceira maior alta do mundo.

No entanto, mais do que olhar para o lado, é o momento de olharmos para dentro de nós mesmos.

Afinal, o Brasil já registrou, por exemplo, períodos de incrível crescimento, como no auge da ditadura. Mas a que preço? Ao preço do achatamento dos salários, aumento da miséria, piora na distribuição de renda e, sobretudo, sem democracia.

Desta vez, escolhemos crescer com segurança social e democracia.

Vamos os itens que fazem desses 2,3% maiores do que eles realmente são:

1) Em primeiro lugar, o aumento do investimento em educação e saúde foi maior do que o PIB. Disso iremos falar depois. Ainda temos um longo caminho a percorrer antes de termos uma saúde pública decente, próxima ao que existe em países ricos da Europa, mas estamos cada vez mais acima do que há em outros países em desenvolvimento com nível similar de população.

2) A China cresce muito, mas não tem previdência pública e, sobretudo, não tem democracia.

3) A indústria se recuperou, modestamente, mas com ênfase no setor mais avançado: a indústria de transformação; e dentro desta, o sub-setor que mais agrega tecnologia, o de máquinas e equipamentos. Um setor essencial para este momento, porque complementar à infra-estrutura, e que registrou o maior crescimento de toda a cadeia industrial, foi o de produção e distribuição de eletricidade, gás e água.

4) Na agropecuária, o cultivo que mais cresceu foi o de trigo, que não é o forte do Brasil, apesar do forte consumo nacional de pão. Isso tem uma importância especial.

5) O investimento cresceu 6,3% em 2013, o que mostra a atenção do governo com a infra-estrutura nacional. Sempre é bom lembrar que, durante o pesadelo neoliberal (1995 a 2002), o Brasil não investiu quase nada, por exemplo, na expansão da nossa infra-estrutura energética.

6) O Brasil tem hoje mais investimentos em mobilidade urbana, acontecendo ao mesmo tempo, do que jamais teve nas últimas décadas.

7) Os programas sociais continuaram a ser expandidos. Os salários cresceram acima do PIB, reduzindo a disparidade entre capital e trabalho.

8) Os tucanos comemoraram há pouco os 20 anos do Real. Só que omitiram, naturalmente, que o combate à inflação foi usado para vender a maior parte do patrimônio nacional, a dívida pública aumentou várias vezes, nos tornamos mais dependentes do FMI, o desemprego aumentou e houve uma brutal desindustrialização (o câmbio fixo foi uma facada nas costas do setor industrial).

9) A dívida pública caiu substancialmente ao final de 2013, Nossas reservas internacionais jamais alcançaram um nível tão alto, que oferecesse tanta segurança à nossa economia. Estamos mais preparados que nunca para tempestades financeiras e ataques especulativos.

10) Não é um dia bom para os vira-latas e coxinhas. Talvez seja o momento de lhes oferecer passagens com desconto para desestressarem algumas semanas na Ucrânia.

Confiram os gráficos abaixo, que eu extraí da apresentação do IBGE (íntegra aqui). 

pibmundo

 

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O Brasil cresceu mantendo a inflação sob controle, aumentando fortemente o investimento (6,3%), registrando uma modesta mas fundamental recuperação de sua indústria, ampliando a produção agrícola

 

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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12 comentários

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Militancia Brasil

28 de fevereiro de 2014 às 07h06

Pra que esse perfil fake Ricardo Oliva?

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Ricardo Oliva

28 de fevereiro de 2014 às 04h37

Falácias nada mais ! E a pequena dívida pública q o belo pt está aumentando a cada dia hein… 2013: 2,12 tri

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Marmelo Melo

27 de fevereiro de 2014 às 23h22

e o PIB americano foi quanto mesmo? o Império se saiu bem mal. aliás, vem se saindo, daí ter de incrementar o xadrez da geopolítica: novos mercados.

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Miguel Do Rosario

27 de fevereiro de 2014 às 18h46

Flavia, com certeza não. Não uma China sem eleições, sem liberdades, sem direito a greve, sem sindicatos, com partido único. O socialismo do PT, se é que existe, assemelha-se a social-democracia europeia, como temos na Escandinávia.

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Anchieta Vidal

27 de fevereiro de 2014 às 18h36

adivinha quém vai chorar ,chupar quém vai arrancar os cabelos ,quém é mesmo é o pig.

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franco

27 de fevereiro de 2014 às 14h20

Enquanto isso a Marina fica ao lado do Bornhausen, kkkkkkkk, isso é hilário.

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Fábio Alexandre Andrade

27 de fevereiro de 2014 às 16h38

Após o fracasso do golpe contra Hugo Chávez em 2002, a embaixada estadunidense em Caracas resolveu tomar para si a tarefa de reorganizar a oposição venezuelana. Em agosto de 2004 – mesmo mês do referendo revocatório promovido pela oposição com amplo apoio da missão americana – William Brownfield chegou a Caracas, nomeado por George W. Bush, para assumir o posto de embaixador no país. No entanto, Brownfield é mais conhecido por elaborar um plano de 5 pontos para atacar o chavismo:

1) Fortalecer instituições democráticas,

2) Infiltrar-se na base política de Chávez,

3) Dividir o chavismo,

4) Proteger negócios vitais para os EUA,

5) Isolar Chávez internacionalmente.

A Usaid (Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA) foi a escolhida para realizar diversas ações, seguindo a estratégia de Brownfield. A organização, por meio do seu Escritório de Iniciativas de Transição (OTI, sigla em inglês) – criado dois meses depois do fracassado golpe – distribuindo, entre 2002 e 2009, 95,7 milhões de dólares a organizações de oposição venezuelana. Um de seus principais objetivos era, também, levar casos de violações para a Corte Interamericana de Direitos Humanos com o objetivo de obter condenações e minar a credibilidade internacional do governo venezuelano. Já a empresa DAI (Development Alternatives Inc) foi entre 2004 a 2009, a principal gerente da verba da Usaid no país, sendo a principal responsável pela distribuição de pequenos financiamentos a diversas organizações da sociedade civil.
http://revistaforum.com.br/digital/135/venezuela-e-ucrania-e-o-que-os-eua-tem-ver-com-isso/

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Flávia Cavalcante

27 de fevereiro de 2014 às 16h00

E esse não é o sonho petista, nos transformar em um belo país socialista?

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Virginia Muniz

27 de fevereiro de 2014 às 15h59

muito boa…

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Virginia Muniz

27 de fevereiro de 2014 às 15h59

kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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O Cafezinho

27 de fevereiro de 2014 às 15h58

China? Ué, mude-se para lá, sem previdência pública, sem democracia, com salário mínimo de 40 dólares…

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Flávia Cavalcante

27 de fevereiro de 2014 às 15h56

kkkkk e a China cresce 7,7% no ano de 2013. Esse número é uma vergonha.

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