Comentários sobre o áudio vazado de André Esteves (BTG Pactual)

Defender intervenção ou golpe militar é defender a corrupção em si

Por Miguel do Rosário

19 de março de 2014 : 20h43

Não existe golpe militar contra corrupção; golpe é a corrupção

Por Marcelo Semer, no Terra Magazine.

Uma das grandes sandices dos saudosistas da ditadura, ou daqueles que evocam a nostalgia do que jamais conheceram, é pregar por “um golpe militar contra a corrupção”.

Nessas toscas, porém não ingênuas, chamadas para uma marcha com Deus, família, liberdade e canhões, a ideia se repete com uma irritante constância.

Mas um golpe militar jamais será contra a corrução. O golpe é a própria corrupção.

Não bastasse o fato de corromper a ideia em si do estado de direito (que cede ao estágio da força bruta), e ser, portanto, uma violência contra a democracia, a ditadura por essência se opõe aos princípios mais básicos do combate a qualquer corrupção: transparência e igualdade.

Nada disso existe quando o poder é absoluto.

Não passa de um mito, construído pelo marketing da mentira e pela estratégia da ocultação, a ideia de que não houve corrupção na ditadura.

Pequenas notícias, grandes fortunas.

Quantos não foram os empreendedores pró-militares que enriqueceram, enquanto o país se endividava brutalmente?

O que não havia na ditadura era liberdade da imprensa para divulgar, nem a de órgãos de controle para averiguar ilícitos.

A ideia de república pressupõe o controle do poder; a ditadura, ao revés, se baseia no uso do poder como controle.

Reportagem recente do jornal O Globo -insuspeito no assunto, porque foi um dos mais persistentes no apoio aos militares- aponta que a Comissão Geral de Investigação criada pela ditadura arquivou inúmeras denúncias contra amigos do regime ao mesmo tempo em que se detinha em vasculhar a vida de seus opositores.

Enquanto arquivos pessoais de Leonel Brizola e João Goulart eram devassados (sem sucesso) pelos investigadores atrelados ao governo, denúncias contra José Sarney e Antônio Carlos Magalhães, por exemplo, foram simplesmente arquivadas sem qualquer tipo de apuração.

Os amigos do poder tinham mais que direitos; os inimigos, bem menos do que a lei.

Pode-se encontrar violência, privilégios e obediência pelo medo nos desvãos da nossa ditadura.

Mas não uma polícia isenta, um Ministério Público com autonomia ou a plena independência judicial.

A promiscuidade entre empresários e membros do regime militar é, aliás, um dos pontos que tem chamado a atenção da Comissão Nacional da Verdade recentemente. Já foram levantados vários apontamentos de visitas de representantes de entidades de industriais a locais de repressão.

O documentário Cidadão Boilesen (2009, direção Chaim Litewsky) aborda o tema com farto material histórico, relatando o subsídio empresarial para a manutenção de centros de tortura –uma espécie de parceria público privada para uma operação ilegal, ao mesmo tempo no coração e à margem do sistema.

Alguns aderiram à promiscuidade como forma de não serem alijados de licitações ou grandes contratos; outros justamente para poder se aproveitar das oportunidades que se abriam com essas ligações escusas -o documentário avoluma dados sobre as conexões entre o grupo do executivo e a Petrobrás.

Com a aproximação do aniversário de cinquenta anos do golpe militar, que mergulhou o país em mais de duas décadas de sombras, proliferam-se manifestações nostálgicas, estimuladas pelo negacionismo de historiadores reacionários.

A ditadura, de fato, tinha menos paciência com rebeliões de políticos aliados. E nenhuma tolerância contra os inimigos do regime.

Mas daí não resulta qualquer mérito. Ao revés, a intolerância do poder foi devastadora.

Muitas famílias acabaram destroçadas. E as marchas que vieram a partir do golpe não desaguaram nem em Deus nem nas liberdades. Apenas espalharam violência.

Há quem esteja predestinado a repetir a história como farsa. Mas há muita gente ainda de olho na tragédia.

Mais do blogueiro no Sem Juízo ou pelo Twitter @marcelo_semer

Marcelo Semer, com microfone

Marcelo Semer, com microfone

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

6 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Wanderlei

06 de novembro de 2016 às 15h33

o mané ninguém quer golpe militar, o que querem é intervenção que é bem diferente, que se prenda os corruptos dos 3 poderes (diga-se de passagem são muitos) e coloque a lei e a ordem. E isto é previsto na CF. Enquanto houver essa roubalheira e o supremo não se decidir de lado fica, o povo, o cidadão de bem é que se sofre

Responder

celma

10 de março de 2015 às 11h20

Para vocês que defendem golpe militar, intervenção militar e outras besteiras… um conselho vão estudar a Constituição Federal, e parem de pagar mico. O país é democrático , nas próximas eleições votem em quem quiser, mas parem de ficar acreditando em tudo que a veja publica, e compartilhando inverdades que são postadas na internet.Se os militares voltarem, nós não poderemos nem expressarmos nossa opinião em nada.

Responder

renato uchoa

21 de março de 2014 às 23h25

Marcha a ré e o som das botas
Lá… Vem. Lá se vai à marcha da família, que não sente frio e fome. Não ajuda ninguém. Maior parte deles responde ao pedinte, com fome e sede, vai trabalhar vagabundo. Bandido bom é bandido morto. Não existe desconto, a não ser para os deles. Enterrado de cabeça pra baixo, de preferência. Depois o cara volta. Passa a carteira Mané. É a educação da navalha, o corte profundo da raiva e revolta pelos séculos de exploração, de exclusão e miséria. Tem um tanto disso na violência, queiramos ou não. E muito mais dos inquilinos dos palácios. Quando não queimam os índios e mendigos, os filhos bem “educados”, que passeiam nos carros de luxo nas ruas e avenidas do Brasil a 150 km/h, alimentam os morros, vielas, casas de luxo no comércio “solidário das drogas”. Criticam as boas Universidades públicas, não menos de um milhão por cabeça oca pra estudar medicina de graça. E acham graça. A favor da pena de morte, do trucidamento das camadas oprimidas. Amarrar o cara no poste é chique, não precisam mais do psicanalista para trabalhar o mundo obscuro, preconceituoso, tenebroso e raivoso. Raquel Sheherazade (e bota uma floresta de pau oco) é uma boa santa. De preconceito. Não cobra pela consulta. A mídia espetáculo de horror, que tem rios de verbas garantidas (não compreendo) do governo federal, nos apoia. Dirão. “Veja” que santa revista. A mídia é nossa, também a justiça selada no curral. Arrotam calúnias no almoço e no jantar, regado a vinho francês. Férias na Europa, nos Estados Unidos, onde possam aprender imitar as camadas dominantes de lá. E acreditam. Mimados, criados pra ter criados. Fazer tudo. Não respeitam ninguém. Não de menos os professores. Eis um elemento fundamental da destruição da família. Por ela própria. Educam os filhos como reis, para ocupar os cargos de mando, por acreditarem que é a elite predestinada por Deus, que tem a posse do saber e do estado. E tem. O resto é que pinote. A polícia vem ai. Às camadas subalternas, nenhum direito pra elas. O chicote, o tronco e a senzala, ao invés das Universidades Públicas. É contra qualquer programa, políticas públicas de inclusão, Bolsa Família, PROUNI, Mais Médicos, cotas… A favor daquelas do PIB destinadas para o ócio dos exploradores. Não poderiam ser contra o extermínio dos povos, que digam Alá ou Amém, pelo governo americano. E se deliciam a cada bombardeio e invasão. Não importa que, lá embaixo, as bombas matem crianças e idosos. Destruam uma geração de cientistas, professores, caçados e mortos no Iraque, (US$ 802 Bi gastos), com uma estimativa de 654.965 mortos, de acordo com a revista The Lancet. Afeganistão (US$ 444 Bi gastos). Alguns exemplos do que gasta o governo americano pra matar. Líbia, Arábia Saudita, Ucrânia (42 toneladas de ouro), levadas pelos americanos, Venezuela e os preparativos para gerir o caos no Brasil. Ainda não se sabe a conta, e nem os mortos. Eles marcham conscientes ou não, a favor dos preconceitos, da intolerância. As liberdades a duras penas conseguidas aproveitam para defender a volta da Ditadura Militar. Pasmem! Afirmam que vivem em uma. O profeta Globo toca a reza. Incita os bons “meliantes adormecidos”, que atentam contra a democracia. E vão ficando afoitos durante o dia, do Amazonas a Cabedelo. Na Paraíba, quando um aprendiz de ditador das Docas, Presidente da Companhia das Docas Wilbur Jácome, visivelmente descontrolado, em uma repartição pública ligada ao governo da Paraíba, agride covardemente a presidente Dilma, se referindo a ela como prostituta e escrota. É uma questão moral de o governador Ricardo Coutinho afastar de imediato o assessor, que se comportou como um meliante. Sob pena de prejudicar a sua gestão e a reeleição. O repúdio, o que já fez, não basta. Certamente, a tradição de luta das mulheres paraibanas, que vem dos anos mais recentes com o Grupo Maria Mulher, 8 de março, Coletivo Cunhã , entre outros , não calarão. E depois da marcha, dormirão abraçados com a bandeira americana. E vai passando, palmas para os torturadores da ditadura militar, “eles estão no meio de nós, roguem por nós”. Eles não voltarão nem em sonho.
Por Renato Uchôa (Educador)

Responder

Eduardo Cavalcante Magalhaes

20 de março de 2014 às 10h48

A DIREITA FASCISTA, DE MATO GROSSO, ATRAVÉS DO MAIOR LÍDER PEDRO DEMOSTRES OU TAQUES MENDONÇA – PDT SDD PPS PSDB PSB REDE PV

http://www.brasil247.com/pt/247/matogrosso247/133766/Pedro-Taques-pode-perder-mandato-por-erros-em-registro-eleitoral.htm

Responder

Tereza Duarte

20 de março de 2014 às 02h16

Barbara Ferreiro, obrigada pela aula de História!

Responder

Barbara Ferreiro

20 de março de 2014 às 02h13

Os MILICOS BRASILEIROS SÃO TÃO CORRUPTOS , QUE EM 01/04/1964 RECEBERAM , VÁRIAS MALAS DE DÓLARES DO IBAD PARA AJUDAR O EMBAIXADOR GORDON , A IMPLANTAR A DITADURA MILITAR , QUE NOS ENTREGOU AO FMI , ENQUANTO TODOS OS RECURSOS DO BRASIL , ERAM ROUBADOS PELO FMI , OS GENERAIS SE LOCUPLETAVAM , INCLUSIVE PAGANDO SALÁRIOS MISERÁVEIS PARA TODA A TROPA , E TEM MAIS CERCA DE 6.000 MILITARES , QUE ERAM CONTRA O GOLPE , PORQUE ERAM DEMOCRATAS , SABENDO DE ANTI MÃO , QUE SÓ GENERAIS PATIFES E LADRÕES , ESTAVAM A FRENTE DO GOLPE NAZISTA MILITAR , VIRARAM OPOSITORES DENTRO DAS FORÇAS ARMADAS , E DESSES 6.000 , MUITOS FORAM EXPULSOS E O RESTANTE FORAM ASSASSINADOS , É ESSA PRÁTICA ADOTADA POR HITLER , E TODOS AS DITADURAS MILITARES MUNDO AFORA ,… O QUE É MAIS ENGRAÇADO , HOJE TEMOS UMA ÚNICA DITADURA MILITAR NO MUNDO ,… FICA NA CORÉIA DO NORTE ,… OS GENERAIS LÁ SÃO PADRÃO ” CORRUPÇÃO GENERALIZADA ” , ENQUANTO OS GENERAIS PODEM TUDO , OS RESTANTE MORREM DE FOME , INCLUSIVE MILITARES COM PATENTE , ABAIXO DE GENERAIS .

Responder

Deixe um comentário

Parlamentarismo x Semipresidencialismo: Qual a Diferença? Fernanda Montenegro e Gilberto Gil são Imortais na ABL: Diversidade Auxilio Brasil x Bolsa Família: O que mudou? As Refinarias da Petrobras À Venda pelo Governo Bolsonaro O Brasileiro se acha Rico ou Pobre?