Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Jean Wyllys também apóia Dilma

Por Miguel do Rosário

08 de outubro de 2014 : 19h31

jean


Enquanto Aécio recebe apoio entusiástico de Malafaia, Bolsonaro e Marco Feliciano, todas as personalidades progressistas começam a se mobilizar em prol da reeleição de Dilma Rousseff.

O deputado federal Jean Wyllys, reeleito com uma votação consagradora, explica porque vota Dilma:

“Aécio representa uma coligação de partidos de ultradireita, com uma base ainda mais conservadora que a do governo Dilma no Parlamento.”

*

Carta para além do muro (ou por que Dilma agora)

Aécio representa uma coligação de partidos de ultradireita, com uma base ainda mais conservadora que a do governo Dilma no Parlamento.

por Jean Wyllys — publicado 08/10/2014 21:37, última modificação 08/10/2014 22:11

Na Carta Capital

O muro não é meu lugar, definitivamente. Nunca gostei de muros, nem dos reais nem dos imaginários ou metafóricos. Sempre preferi as pontes ou as portas e janelas abertas, reais ou imaginárias. Estas representam a comunicação e, logo, o entendimento. Mas quando, infelizmente, no lugar delas se ergue um muro, não posso tentar me equilibrar sobre ele. O certo é avaliar com discernimento e escolher o lado do muro que está mais de acordo com o que se espera da vida. O correto é tomar posição; posicionar-se mesmo que a posição tomada não seja a ideal, mas a mais próxima disso. Jamais lavar as mãos como Pilatos – o que custou a execução de Jesus – ou sugerir dividir o bebê disputado por duas mães ao meio.

Sei que cada escolha é uma renúncia. E, por isso, estou preparado para os insultos e ataques dos que gostariam que eu fizesse escolha semelhante às suas.

Por respeito à democracia interna do meu partido, aguardei a deliberação da direção nacional para dividir, com vocês, minha posição sobre o segundo turno. E agora que o PSOL já se expressou, eu também o faço.

Antes de mais nada, quero dizer que estou muito feliz e orgulhoso pelo papel cumprido ao longo de toda a campanha por Luciana Genro. Jamais um(a) candidato(a) presidencial tinha assumido em todos os debates, entrevistas e discursos – e, sobretudo, no programa de governo apresentado – um compromisso tão claro com a defesa dos direitos humanos de todos e de todas. Luciana foi a primeira candidata a falar as palavras “transfobia” e “homofobia” num debate presidencial, além de defender abertamente o casamento civil igualitário, a lei de identidade de gênero e a criminalização da homofobia nos termos em que eu mesmo a defendo; mas também foi a primeira a defender, sem eufemismos, as legalizações do aborto e da maconha como meios eficazes de reduzir a mortalidade da população pobre e negra, a taxação das grandes fortunas, a desmilitarização da polícia e outras pautas que considero fundamentais. O PSOL saiu da eleição fortalecido.

Agora, no segundo turno, a eleição é entre os dois candidatos que a população escolheu: Dilma Rousseff e Aécio Neves. E eu não vou fugir dessa escolha porque, embora tenha fortes críticas a ambos, acredito que existam diferenças importantes entre eles.

A candidatura de Aécio Neves – com o provável apoio de Marina Silva (e o já declarado apoio dos fundamentalistas MAL-AFAIA e Pastor Everaldo; do ultrarreacionário Levy Fidélix; da quadrilha de difamadores fascistas que tem por sobrenome Bolsonaro e do PSB dos pastores obscurantistas Eurico e Isidoro) – representa um retrocesso: conservadorismo moral, política econômica ultraliberal, menos políticas sociais e de inclusão, mais criminalização dos movimentos sociais, mais corrupção (sim, ao contrário do que sugere parte da imprensa, o PT é um partido menos enredado em esquemas de corrupção que o PSDB), mais repressão à dissidência política e menos direitos civis.

Mesmo com todos as críticas que eu fiz, faço e continuarei fazendo aos governos do PT, a memória da época do tucanato me lembra o quanto tudo pode piorar. Por outro lado, Aécio representa uma coligação de partidos de ultradireita, com uma base ainda mais conservadora que a do governo Dilma no Parlamento. Esse alinhamento político-ideológico à direita entre Executivo e Legislativo é um perigo para a democracia.

Vocês, que acompanham meus posicionamentos no Congresso, na imprensa e aqui sabem o quanto eu fui crítico, durante esses quatro anos, das claudicações e recuos do governo Dilma e do tipo de governabilidade que o PT construiu. Mas sabem, também, que tenho horror a esse antipetismo de leitor da revista marrom, por seu conteúdo udenista, fundamentalista religioso, classista e ultraliberal em matéria econômico-social. Considero-o uma ameaça às conquistas já feitas, que não são todas as que eu desejo, mas existem e são importantes, principalmente para os mais pobres. As manifestações de racismo e classismo que vi nos últimos dias nas redes sociais contra o povo nordestino, do qual faço parte como baiano radicado no Rio, mais ainda me horrorizam.

Por isso, aderindo à posição da direção nacional do PSOL, que declarou “Nenhum voto em Aécio”, eu declaro que, neste segundo turno das eleições, eu voto em Dilma e a apoio, mesmo assegurando a vocês, desde já, que farei oposição à esquerda ao seu governo (logo, uma oposição pautada na justiça, na ética, nas minhas convicções e no republicanismo), apoiando aquilo que é coerente com as bandeiras que defendo e me opondo ao que considero contrário aos interesses da população em geral e daqueles que eu represento no Congresso, como sempre fiz.

Hoje, antes de dividir estas palavras com vocês, entrei em contato com a coordenação de campanha da presidenta Dilma para antecipar minha posição e cobrar, dela, um compromisso claro com agendas mínimas que são muito caras a mim e a todas as que me confiaram seu voto.

E a presidenta Dilma, após argumentar que pouco avançou na garantia de direitos humanos de minorias porque, no primeiro mandato, teve de levar em conta o equilíbrio de forças em sua base e priorizar as políticas sociais mais urgentes, garantiu que, desta vez, vai:

1. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para convencer sua base a criminalizar a homofobia em consonância com a defesa de um estado penal mínimo;

3. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para mobilizar sua base no Legislativo para legalizar algo que já é uma realidade jurídica: o casamento CIVIL igualitário (ela ressaltou, contudo, que vai tranquilizar os religiosos de que jamais fará qualquer ação no sentido de constranger igrejas a realizarem cerimônias de casamento; a presidenta deixou claro que seu compromisso é com a legalização do CASAMENTO CIVIL – aquele que pode ser dissolvido pelo divórcio – entre pessoas do mesmo sexo);

4. realizar maior investimento de recursos nas políticas de prevenção e tratamento das DSTs/Aids, levando em conta as populações mais vulneráveis à doença;

5. dar maior atenção às reivindicações dos povos indígenas, conciliando o atendimento a essas reivindicações com o desenvolvimento sustentável;

6. e implementar o Plano Nacional de Educação (PNE) de modo a assegurar a todos e todas uma educação inclusiva de qualidade, sem discriminações às pessoas com deficiências físicas e cognitivas, LGBTs e adeptos de religiões minoritárias, como as religiões de matriz africana.

Por tudo isso, sobretudo por causa desse compromisso, eu voto em Dilma e apoio sua reeleição.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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34 comentários

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Geralda Aparecida Pereira

09 de outubro de 2014 às 13h39

131313131313

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Evando Nunes II

09 de outubro de 2014 às 13h22

Nossa que belo apoio, nega!

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Fábio.

09 de outubro de 2014 às 10h19

Hoje não Miguel, mas amanhã, sem falta, vou pingar uma graninha na sua conta. Sem suas habituais barrigadas, sem suas estapafúrdias análises e sem as pérolas escritas por seus fiéis leitores petista meu não seria o mesmo, seria como assistir a um filme sem som, comer uma comida sem tempero!

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    Miguel do Rosário

    09 de outubro de 2014 às 11h11

    Pára de mentir. Você lê porque sabe que tem qualidade, mané. Barrigada é na Globo e Veja.

    Responder

João Carlos Machado

09 de outubro de 2014 às 13h08

Max Sarmento

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Sergio Govea.

09 de outubro de 2014 às 09h39

Ontem, pouco antes do início da reunião da executiva nacional do PSB, eu fui à sede daquele partido e deixei lá uma carta ao Dr. Amaral.

Assinei, coloquei os meus dados… tudo direitinho…

Na carta, eu expressei frustração e escrevi que me sentia esbofeteado pelo partido.

O PSB não soube conter Eduardo Campos, na sua sanha de poder inconsequente.

Agora, surgem montanhas de fatos incontestes que desnudam o que foi , verdadeiramente, o governo do PSB em Pernambuco.

O que se percebe é a falta de comando e a anuência à vontade de se tornar um partido hegemônico, jogando no esgoto nomes ilustres e toda uma história.

É isso aí. O PSB cometeu suicídio político , a exemplo do PPS.

Sergio Govea.

Em tempo, neste momento, só não contribuo financeiramente para com este site por causa da ajuda que venho dando ao PT de Ceilândia (oitava e décima segunda zonal) aqui em Brasília.

Depois da campanha, assinarei com prazer.

O cafezinho merece patrocínio, porque já mostrou que é um Blog fiel à causa verdadeiramente brasileira.

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    Fábio.

    09 de outubro de 2014 às 10h12

    A cada dia eu ainda consigo me surpreender com a imbecilidade dos petistas. O sujeito é filiado ao PT, contribui para o PT e sente-se esbofeteado pelo PSB; pode? O cara é casado, tem uma amante e fica decepcionado quando a amante larga ele por causa de outro homem casado. Só sendo um petista para raciocinar desse jeito!

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      Miguel do Rosário

      09 de outubro de 2014 às 11h11

      Os coxinhas estão incomodados. Por que?

      Responder

Aubiergio Costa

09 de outubro de 2014 às 12h08

É Dilma de novo com o povo.

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Juliana Rodrigues

09 de outubro de 2014 às 11h36

Eu amo meu PT Dilma lá

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Fabio Iorio

09 de outubro de 2014 às 10h33

#SouDilma

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Douglas Cursino

09 de outubro de 2014 às 08h18

Rogério Hreczuck

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Douglas Cursino

09 de outubro de 2014 às 08h18

Rogério Hreczuck

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Heron Claudino

09 de outubro de 2014 às 05h22

#Dilma13

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Vitor

09 de outubro de 2014 às 01h03

Nossa, estou chocado! Jurava que o Jean iria de Aécio!

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Regina Oliveira

09 de outubro de 2014 às 03h25

Dilma13

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Regina Oliveira

09 de outubro de 2014 às 03h25

Dilma13

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Newton

09 de outubro de 2014 às 00h07

Rapaz, tô desconfiado que a Dilma não faz os 41,59% do primeiro turno. Os oportunistas do PMDB estão debandando, os demais candidatos também estão todos com Aécio e a delação premiada tá aí na vitrine. Não sei não, mas acho que a vaca foi pro brejo.

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Miguel do Rosário

08 de outubro de 2014 às 23h46

Sim, Bolsonaro…

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Nelson Rodrigues

09 de outubro de 2014 às 02h26

Dilma

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Josef Marcio Tavares

09 de outubro de 2014 às 02h14

Enquanto isso o PT-RJ, ao apoiar Crivella (sem dúvida também um bom candidato), joga Aécio nos braços do PMDB.

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Ruciane Villar

09 de outubro de 2014 às 02h14

É Dilma! !!@

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Jurema Batista Lotado

09 de outubro de 2014 às 01h57

Por uma sociedade justa , igualitária sem preconceito conta as mulheres ,negros e intolerâncias correlatas .Votamos Dilma 13.

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Omar Gonçalves

09 de outubro de 2014 às 01h54

Passei a acompanhar o trabalho deste deputado desde que ele foi a Papuda e declarou não haver regalias a Dirceu. Terá sempre o meu respeito !

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Wilton Machado

09 de outubro de 2014 às 01h54

13

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Paulo Prado Queiroz Filho

09 de outubro de 2014 às 01h53

“Tu tens que ter um lado” . Tu, ela não, ela não tem.

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Luís Carlos Bolzan

09 de outubro de 2014 às 01h53

Muito bom. Parabéns deputado Wyllys. Já o admirava antes pelas pautas e posições. Agora ainda mais.

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Eduardo Albuquerque

09 de outubro de 2014 às 01h47

Dilma 13

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Marcos Freitas

09 de outubro de 2014 às 01h46

Eduardo Jorge apoia Aécio http://www.istoe.com.br/reportagens/6443_O%20DOSSIE%20EDUARDO%20JORGE

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Ambrósio Vasconcelos

09 de outubro de 2014 às 01h42

Dilma neles…

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Jose Braz Lucca

09 de outubro de 2014 às 01h40

O que importa é o apoio!!!

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Helio Balde

09 de outubro de 2014 às 01h39

Que boa noticia finalmente depois da decepção com E. Jorge.

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Joelson Mendonça

09 de outubro de 2014 às 01h38

Ditongos abertos, como “oi”, paroxítonos, não têm acento gráfico.

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Severina Das Graças

09 de outubro de 2014 às 01h37

Feliz pessoa vota Dilma 13.

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