Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Réquiem para um mandato ditatorial

Por Lia Bianchini

03 de agosto de 2015 : 23h25

Por Lia Bianchini, repórter especial do Cafezinho

“Eu, formalmente, estou rompido com o governo. Politicamente estou rompido”. Essa frase, dita no dia 17 de julho, selava o início do declínio político de Eduardo Cunha como presidente da Câmara dos Deputados.

O rompimento com o governo aconteceu, de modo propício, um dia após o peemedebista ter seu nome envolvido na Operação Lava Jato. No dia 16 de julho, o ex-consultor da Toyo Setal Júlio Camargo disse, em depoimento à Justiça Federal do Paraná, que Cunha havia lhe pedido propina de US$ 5 milhões para que um contrato de navios-sonda fosse viabilizado.

Apesar de Cunha encarnar a figura de um ditador cercado por subordinados prontos a seguir suas ordens, a decisão de romper com o governo não teve apoio do PMDB e de boa parte de seus aliados. O deputado começava a entrar, assim, em uma zona de isolamento político.

Poucos dias depois, outro acontecimento vem a público, encurralando ainda mais o presidente da Câmara: Beatriz Catta Pretta, advogada de Júlio Camargo e de outros envolvidos na Lava Jato, concede uma entrevista exclusiva ao Jornal Nacional, dizendo que deixou os casos que defendia na Operação por sentir-se ameaçada e intimidada por integrantes da CPI da Petrobrás. A advogada informou também que fechou seu escritório e decidiu abandonar a carreira, devido a ameaças.

Assim, em pouco mais de duas semanas, o ditador Eduardo Cunha viu seu suposto poder começar a ruir. Se, antes, o peemedebista vangloriava-se de possuir inúmeros aliados, agora ele mais parece uma criança mal educada que foi colocada de castigo, em um cantinho isolado. Até mesmo a mídia hegemônica que, até então, vinha blindando Cunha, deixou de poupá-lo das notícias incriminatórias.

Eduardo Cunha, ao assumir a presidência da Câmara vencendo um candidato do governo ao posto, teve a certeza de que detinha todo o Poder Legislativo em suas mãos e imaginou estar acima de quaisquer articulações políticas. Foi útil ao setor que representa: a direita conservadora. Autorizou as CPIs da Petrobrás, do BNDES e dos Fundos de Pensão. Ajudou a desgastar a imagem do governo.

Porém, como bem disse Luis Nassif, em artigo que explica as articulações políticas escondidas nas declarações de Catta Preta e no isolamento político de Cunha: nem o mais irresponsável oposicionista gostaria de correr o risco de ter Cunha como seu representante máximo.

Se, por um lado, Cunha foi fundamental para a oposição golpista que clama pelo impeachment, por outro, a ideia de que o deputado está na linha de sucessão à presidência não anima nem um pouco a esse mesmo conglomerado de pessoas.

O momento político brasileiro é complexo e delicado. Enquanto o mandato de Cunha como presidente da Câmara parece caminhar para o enterro, é preciso ter olhos atentos a todos os atores envolvidos nessa trama. Na política, assim como em um jogo de xadrez, nem mesmo um peão é derrubado sem estratégia.

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17 comentários

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Claudinei Divino Flavio

05 de agosto de 2015 às 12h53

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Raymundo Penaterim

05 de agosto de 2015 às 01h08

Ele está escutando alguém falar: “Tua hora está chegandooooooooo!” Dai arregalou os olhos! Não foi Deus quem falou, mesmo pq, ele não político e nem freqüenta a Câmara dos Deputados(disputados)!

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Eduardo Oliveira

05 de agosto de 2015 às 00h25

Com ou sem rompimento político é um implicado na Lava jato.

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Afonso Rebelo

05 de agosto de 2015 às 00h17

Tá parecendo novela mexicana…

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José Cordeiro Simão Cordeiro

04 de agosto de 2015 às 16h10

Pulha, esse cara!!

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Walter Cesar Mercadante

04 de agosto de 2015 às 11h22

Nada comento mais sobre esse cadaver ambulante!

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Luzeneide Fernandes

04 de agosto de 2015 às 11h16

Esse corrupto alguma vez foi aliado do Governo? Supreminho tenha coragem e prenda esse imundo !

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Adelson Lima

04 de agosto de 2015 às 08h13

LAMENTAVEL

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Carlos Amazonas

04 de agosto de 2015 às 03h40

Quando é que vão prender esse pulha??

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Adelaide Baeta

04 de agosto de 2015 às 03h25

Podemos reverter a situação! Vamos pacientemente refletir e agir. Não há mal que sempre dure.
Essa palhaçada do Moro vai acabar muito mal para eles!!!

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    Osmar Paiva

    04 de agosto de 2015 às 03h54

    kkkkkkkkkkkkk me acorda desse pesadelo…Adelaide ee Marcelo, vão pra Cuba q os pariu

    Responder

Sebastiao

04 de agosto de 2015 às 00h23

Fato:
– Grande mídia amiga da Dilma; que é amiga dos banqueiros; que precisa um Congresso subserviente para perpetrar os pacotes de maldade contra o povo brasileiro.
– Cunha é responsável pela pauta do Congresso; os deputados não gostam da Dilma; a grande mídia passou a não gostar do Cunha; o mercado não gosta de quem não gosta da Dilma.
– Resultado: mais um circo midiático tipo inquisição moderna sem sangue derramado mas com cabeças rolando

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Cassiano Fayad

04 de agosto de 2015 às 03h09

Goodbye Mr….

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Marcos Portela

04 de agosto de 2015 às 02h53

Lava Jato CONTRA CORRUPÇÃO ou GOLPE FEDERAL? Como pode uma INSTITUIÇÃO FEDERAL, no estado do Paraná, ATACAR ESTATAIS e EMPRESAS brasileiras, DESEMPREGANDO milhares no país, alegando COMBATER a CORRUPÇÃO, CONTRADIÇÃO de quem usa TARJAS PRETAS para ESCONDER e INVALIDAR PROVAS de CORRUPÇÃO contra PARTIDOS de OPOSIÇÃO como PSDB e DEM, que aliados a GRANDE MÍDIA mais parecem uma ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, INSTALANDO o CAOS no país, usando a política do QUANTO PIOR MELHOR, panelinha que virou PANELAÇO.

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Marcos Portela

04 de agosto de 2015 às 02h53

Lava Jato CONTRA CORRUPÇÃO ou GOLPE FEDERAL? Como pode uma INSTITUIÇÃO FEDERAL, no estado do Paraná, ATACAR ESTATAIS e EMPRESAS brasileiras, DESEMPREGANDO milhares no país, alegando COMBATER a CORRUPÇÃO, CONTRADIÇÃO de quem usa TARJAS PRETAS para ESCONDER e INVALIDAR PROVAS de CORRUPÇÃO contra PARTIDOS de OPOSIÇÃO como PSDB e DEM, que aliados a GRANDE MÍDIA mais parecem uma ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, INSTALANDO o CAOS no país, usando a política do QUANTO PIOR MELHOR, panelinha que virou PANELAÇO.

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Karla Viana

04 de agosto de 2015 às 02h29

Que coisa. Apesar do óbvio é preciso estratégia. Que coisa.

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