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Os dois lados de uma moeda chamada Fies

Por Lia Bianchini

05 de agosto de 2015 : 18h36

Por Lia Bianchini, repórter especial do Cafezinho

O Brasil possui 5.373.450 milhões de estudantes de graduação. 71% deles estão matriculados em instituições privadas de ensino. E, para uma boa parte desses estudantes de faculdades particulares o Fundo de Financiamento Estudantil (o Fies) é a única saída possível para conquistar o diploma.

Criado em 1999, o Fies ganhou maior adesão apenas em 2010, quando o governo alterou algumas regras de acesso ao programa. Os juros, que eram de 6,5% ao ano, foram para 3,4%, e a solicitação do benefício passou a poder ser feita em qualquer período do ano.

Com essas medidas, houve um boom de adesões ao Fies. Apenas no período de 2010 a 2014, mais de 1,5 milhão de estudantes tiveram acesso ao ensino superior através do programa. Somando-se o número de estudantes desde a época de criação do Fies, já foram 2,13 milhões de beneficiados.

Apesar dos números expressivos até 2014, o ano de 2015 começou ruim para os estudantes que dependem do Fies. Houve um reajuste na taxa de juros para 6,4%, além da alteração de regras para os novos contratos (como a exigência de nota mínima de 450 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio e a priorização de instituições de ensino com avaliações 4 e 5 pelo MEC). Além disso, o número de vagas abertas diminuiu consideravelmente: os financiamentos passaram de 732 mil em 2014 para 314 mil em 2015.

Logo, não há dúvidas de que este é um momento especialmente complicado para os estudantes que dependem do Fies. Porém, o assunto não é tão simples a ponto de ser tratado de forma maniqueísta, exaltando ou execrando o programa.

Assim como o Fies teve papel fundamental na vida de milhares de brasileiros que sonhavam em conquistar o diploma do ensino superior, o programa representou um ótimo negócio financeiro para as instituições de ensino privado, uma vez que o Fies diminuiu consideravelmente o número de inadimplências. Foi um ótimo negócio para os tubarões da educação, que, com o risco de prejuízo praticamente zerado, precarizaram o ensino superior privado, ao invés de investir em uma educação de qualidade.

Porém, não há como reduzir à insignificância o papel democratizador que o Fies teve nas universidades particulares. Basta analisar o perfil dos estudantes beneficiários do programa para comprovar isso. São, em sua grande maioria, pessoas vindas do ensino médio público (76,5%), com renda bruta familiar entre 1,5 e 3 salários mínimos. Ou seja, de fato, houve uma popularização do ensino superior privado.

A partir do entendimento dessas questões principais, percebe-se que os focos a serem trabalhados pelo governo, agora, deveriam ser a regulamentação do ensino superior privado e a garantia de permanência estudantil dos beneficiários do Fies.

Irresponsabilidade seria, nesse momento, deixar de investir no programa, dados o número e o perfil das pessoas beneficiárias.

Resumindo de maneira simples: a fase pela qual passa o Fies agora apenas expõe dois lados de uma mesma moeda. E é impossível fazer um jogo de “cara ou coroa” para decidir qual é a solução dos problemas.

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9 comentários

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Luiz Barone

06 de agosto de 2015 às 11h49

Infelizmente pai de coxinha será beneficiado

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Rachel Condorelli

06 de agosto de 2015 às 01h39

Sempre achei absurdo o governo financiar faculdades privadas. Muitos grupos enriqueceram horrores, saíram comprando todas as faculdades pelo país. E os empresários que ficaram milionários só sabem criticar o governo federal e ir pra manifestação pró-impeachment.

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Beth Andrade

06 de agosto de 2015 às 01h30

tem coxinha fazendo fies…

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Valeria Santiago

06 de agosto de 2015 às 00h43

Tem muito filhinho de papai fazendo Fies. Tirando a oportunidade de um realmente necessitado de participar e estudar em escolas particulares

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Raquel Oliveira

06 de agosto de 2015 às 00h41

Adara Oluwafemi

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Douglas Benício

06 de agosto de 2015 às 00h08

Miguel do Rosário, tudo bem? Acompanho O Cafézinho e queria que me respondesse uma coisa: fiquei com a pulga atrás da orelha ao ler a matéria abaixo, o que explica essa popularidade de Janot entre os membros do MPF? Qual seria a jogada política da vez entre PT e oposição nesse processo?

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/08/06/politica/1438812779_433709.html

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Marcos Portela

05 de agosto de 2015 às 23h16

Lava Jato CONTRA CORRUPÇÃO ou GOLPE FEDERAL? Como pode uma INSTITUIÇÃO FEDERAL, no estado do Paraná, ATACAR ESTATAIS e EMPRESAS brasileiras, DESEMPREGANDO milhares no país, alegando COMBATER a CORRUPÇÃO, CONTRADIÇÃO de quem usa TARJAS PRETAS para ESCONDER e INVALIDAR PROVAS de CORRUPÇÃO contra PARTIDOS de OPOSIÇÃO como PSDB e DEM, que aliados a GRANDE MÍDIA mais parecem uma ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, INSTALANDO o CAOS no país, usando a política do QUANTO PIOR MELHOR, panelinha que virou PANELAÇO. #MoroTemPatrão

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Priu Souza

05 de agosto de 2015 às 23h05

Foda terem tirado o direito do fies à portadores de diploma…

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Marciano Moreira

05 de agosto de 2015 às 22h13

Phoda que o Fies têm financiado cada coxinha/vira-lata.

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