Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Brasil, Curitiba, PR. 13/11/2003. O doleiro Alberto Youssef (c), de 36 anos, é conduzido por policiais federais após prestar depoimento à Justiça Federal, em Curitiba (PR). Youssef estava preso acusado pelo Ministério Público Federal de ter sonegado cerca de R$ 118 milhões (valor atualizado) em impostos, por meio da empresa Youssef Câmbio e Turismo, durante os anos de 1996 e 1999. O doleiro também teria movimentado cerca de R$ 3,3 milhões em uma conta de sua cunhada, Cristina Fernandes da Silva, no Banestado de Nova York, igualmente denunciada. Ele era alvo de denúncias por crimes contra o sistema financeiro e a ordem tributária, além de formação de quadrilha e falsidade ideológica. - Crédito:ANIELE NASCIMENTO/AGÊNCIA DE NOTÍCIAS GAZETA DO POVO

Lava Jato usa moral de doleiro contra sistema político

Por Miguel do Rosário

01 de dezembro de 2015 : 07h53

CONFISSÃO DE IGNORÂNCIA

30 de novembro de 2015

Por Wanderley Guilherme, no blog Segunda Opinião

Bem, não sei interpretar o momento nacional. Somando a reduzida previsibilidade e credibilidade de instituições centrais da democracia: partidos políticos, imprensa e decisões de governo – sobra pouco para garantir racionalidade ao quebra-cabeça resultante.

Pior, parece-me que nem governo nem Legislativo se encontram em situação muito mais sólida. Mesmo a imprensa, sempre coerente em seu estranho afazer, ora incensa ora amaldiçoa suas fontes anônimas e seus ídolos arroz de festa de inúteis reportagens. A economia é uma, nas declarações ministeriais, e outra nos indicadores e pesquisas de institutos acadêmicos. A crer no currículo de fracasso de ambos, ambos devem estar errados. Exceto se peco por implicância, as personagens políticas, desgastadas em entrevistas diárias, são já insuportáveis, tanto quanto a xaropada de colunistas sobre corrupção alheia e as previsões despudoradas das autoridades, qualquer autoridade, sobre este, aquele, ou qualquer assunto.

O Judiciário entrou na roda. Não só pelos indícios de arbitrariedades em algumas investigações, mas por surpreendentes novidades interpretativas. A mais recente convoca a figura criminal de alguém ser “suspeito de ser suspeito”, que não é assim nomeada, mas único entendimento possível para justificar prisões controversas. Por pouco não se obriga a população à cruel escolha da narrativa bíblica entre o bom ladrão e o mau centurião. Em cinemas de bairro o bom ladrão acaba aplaudido. Aliás, o que deve fazer um ladrão para ser bom? Talvez o que tem feito o reincidente criminoso e delator Alberto Youssef.

Transcrevo O Globo, 29/11/2015, página 5. Incapaz de explicar como passava somas clandestinas a enorme lista de políticos, o doleiro foi ajudado pelo inquisidor da seguinte maneira: “Questionado no depoimento se os nomes de outros deputados poderiam ter sido incluídos só para que a cúpula recebesse mais repasses (bola levantada pelo agente público – WGS), o doleiro disse que não se pode duvidar disso”.

Não se pode duvidar? Quer dizer, a suspeita do agente ganhou comprovação pelo juízo abalizado do doleiro? E aí o doleiro fez o gol de placa da moral da Lava Jato:

“‘Dessa gente pode se esperar tudo’, registra o termo do depoimento do doleiro”.

Alberto Youssef passou a ser, oficialmente, o inspetor dos costumes políticos brasileiros.

***

Últimas palavras

Se todos os ministros do Supremo Tribunal Federal tivessem o mesmo senso de oportunidade e firmeza de convicção da ministra Carmem Lucia, já demonstrados em declarações durante a AP470, desafiando réus em vias de condenação, e repetidos agora em tom de revolução espanhola, a Corte ficaria sem ter muito a discutir. Provavelmente seriam também dispensáveis novas edições da Constituição Federal. Pena serem remotíssimas as chances de haver outra candidata à Presidência da República além de Marina Silva, pelo menos em 2018.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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17 comentários

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Sudoeste Lato Sensu

02 de dezembro de 2015 às 04h01

Um país onde ladrões são celebridades adorados pela PF, MPF, Justiça Federal e políticos de oposição!

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Replicante Seletivo

02 de dezembro de 2015 às 02h15

Podemos dizer que estamos chegando ao fundo do poço. Quando o reincidente ladrão doleiro Youssef nos serve como exemplo de avaliação dos costumes políticos brasileiros, é um claro sinal de que não nos resta qualquer esperança.

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Maite Pontes Lindo

02 de dezembro de 2015 às 01h05

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Elismar Fontenele

01 de dezembro de 2015 às 20h00

Rapaz!!!!! Acompanhar a Lava Jato, é melhor que assistir filme de PABLO ESCOBAR.

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Leon Leona

01 de dezembro de 2015 às 19h55

Em um país onde consultoria para empresas vem de plágio e cópia da internet, pedalar em 2,3 trilhões é normal, isso aí não é de surpreender.

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Guilherme Scalzilli

01 de dezembro de 2015 às 10h21

A estranha reação do STF

(Publicado no Brasil 247)

O debate sobre as flagrantes inconstitucionalidades que marcaram o encarceramento do senador Delcídio Amaral está deixando passar a grande questão do episódio: por que prender o indivíduo agora? Por que não processá-lo nos ritos normais, que acabariam inevitavelmente arruinando sua carreira política e seu apoio no Congresso?

A tese de “obstrução da Justiça” é ridícula. Ora, depois que o Judiciário conheceu o teor das gravações, a chance das tramóias vingarem desintegrou-se. Réu nenhum conseguiria fugir. Além disso, do ponto de vista estratégico, seria mais inteligente acompanhar as manobras de Amaral, apanhando todos os envolvidos no auge da ação criminosa.

Então repito: por que interromper um conluio fadado ao fracasso, diminuindo assim o alcance das investigações? Que tipo de malefício Amaral poderia causar conspirando à toa, sob a fiscalização atenta das autoridades?

Isento e probo como é, o STF não precisa temer ilações maldosas. Com o apoio da imprensa, os ministros citados já tiveram inúmeras oportunidades para afastar qualquer suspeita incômoda. A prudência legalista inclusive traria benefícios à imagem da corte, manchada exatamente pelo partidarismo intempestivo dos tempos de Joaquim Barbosa.

Tudo isso apenas reforça a certeza de haver um esforço na cúpula do Judiciário para evitar que as apurações em curso ultrapassem certos limites. Os elos de Amaral e do banqueiro André Esteves com o PSDB, de resto notórios, ganharam menções bastante constrangedoras nos diálogos que arruinaram o senador.

Amaral e Esteves trazem consigo a Petrobrás dos anos FHC, um nebuloso parente de José Serra, a Alstom da máfia metroviária paulista e as viagens de Aécio Neves. Sem contar Renan Calheiros, Michel Temer e os ministros do STF mencionados. É fácil imaginar o estrago que causariam algumas horas a mais de conversas grampeadas.

Alguém parece ter decidido recolher o falastrão antes que o caldo entornasse de vez.

http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com.br/

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Josias Vicente

01 de dezembro de 2015 às 11h15

É interessante…!!! Faz-se in-justiça com depoimento de “bandido premiado”, só no Brasil se oferesse prêmio a bandido para falar o que se quer e não a verdade pura, pois aí está o resultado, muitos ficarão impunes, como está implícito o propósito…

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Messias Franca de Macedo

01 de dezembro de 2015 às 09h15

[Ainda sobre canalhas!]

Filho de Cerveró diz que advogado lhe entregou R$ 50 mil em nome de Delcídio

Bernardo Cerveró, pivô da prisão do senador Delcidio Amaral (PT-MS) e do banqueiro André Esteves, afirmou em depoimento à Procuradoria-Geral da República que o ex-advogado de seu pai Edson Ribeiro, que também foi preso na Lava Jato, lhe entregou R$ 50 mil em espécie durante uma reunião entre os dois, enviado pelo ex-líder do Governo

1 DE DEZEMBRO DE 2015 ÀS 07:39

(…)

FONTE: http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/207479/Filho-de-Cerver%C3%B3-diz-que-recebeu-R$-50-mil-em-nome-de-Delc%C3%ADdio.htm

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Celso Gomes de Araujo

01 de dezembro de 2015 às 10h55

Com este “ar” de felicidade dos três, não dá pra saber qual é o presidiário.” Quem é bandido; quem é polícia “

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Marcos Paz

01 de dezembro de 2015 às 10h50

Acho que os 3 aí acharam que estavam numa gravação de filme dw comédia. Brasil é assim mesmo, sempre uma esculhambacao

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    Hell Back

    01 de dezembro de 2015 às 10h39

    Exato! Não se fazem mais golpes como antigamente. A ficção se confunde com a realidade.

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Moisés Saldanha

01 de dezembro de 2015 às 10h31

Moral não, somente as provas.

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Elcio Vaz

01 de dezembro de 2015 às 10h27

Os caras estão até rindo na foto. Mas que esculhambação!!!!

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Moema Barreira Costa

01 de dezembro de 2015 às 10h20

Seria “escárnio ou cinismo”, na visão(??) da tia carmem?

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