Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Nota de alunos que ingressam na UFMG pela cota já supera a dos não cotistas no último vestibular

Por Redação

26 de janeiro de 2016 : 11h26

Cotistas que garantiram uma vaga na UFMG neste ano obtiveram notas superiores às de não cotistas que fizeram o vestibular em 2013. Exceção foi apenas um curso

no Estados de Minas

Co­tis­tas que che­gam à Uni­ver­si­da­de Fe­de­ral de Mi­nas Ge­rais (UFMG) ob­ti­ve­ram no­tas su­pe­rio­res às dos não co­tis­tas in­gres­san­tes em 2013, úl­ti­mo ano em que o ves­ti­bu­lar foi a por­ta de en­tra­da pa­ra uma das maio­res ins­ti­tui­ções pú­bli­cas do Bra­sil, se­gun­do le­van­ta­men­to das no­tas de cor­tes dos úl­ti­mos qua­tro anos a que o Es­ta­do de Mi­nas te­ve aces­so, em pra­ti­ca­men­te to­dos os cur­sos. A úni­ca ex­ce­ção foi en­ge­nha­ria de pro­du­ção, ain­da as­sim, com di­fe­ren­ça de me­nos de um pon­to. Em um dos cur­sos mais con­cor­ri­dos da Fe­de­ral, os co­tis­tas ti­ve­ram que al­can­çar a no­ta mí­ni­ma de 750,02 pon­tos pa­ra ga­ran­tir uma va­ga em me­di­ci­na, pon­tua­ção su­pe­rior à que a am­pla con­cor­rên­cia con­quis­tou em 2013, de 685,3 pon­tos.

Lívia Teodoro foi aprovada em história e será a primeira da família a entrar na UFMG: "Minha avó é analfabeta e minha mãe não terminou o primário" (foto: Juarez Rodrigues/EM/DA Press)

Lívia Teodoro foi aprovada em história e será a primeira da família a entrar na UFMG: “Minha avó é analfabeta e minha mãe não terminou o primário” (foto: Juarez Rodrigues/EM/DA Press)

Nes­te ano, pri­mei­ro em que a re­ser­va de va­gas foi apli­ca­da na to­ta­li­da­de – 50% das va­gas, con­for­me pre­vê a Lei das Co­tas apro­va­da em agos­to de 2012 –, os co­tis­tas en­fren­ta­ram maior con­cor­rên­cia en­tre eles. “Os co­tis­tas en­tram na UFMG mais bem pre­pa­ra­dos que os não co­tis­tas de pou­cos anos atrás”, afir­ma o pró-rei­tor de Gra­dua­ção, Ri­car­do Takahashi. Em 2013, a re­ser­va de co­tas era de ape­nas 12,5% do to­tal de va­gas.

Das 6.279 va­gas, 3.142 fo­ram des­ti­na­das às co­tas de es­co­la pú­bli­ca, le­van­do em con­ta re­ser­va pa­ra ne­gros e in­dí­ge­nas. Uma de­las foi con­quis­ta­da pe­la es­tu­dan­te Ta­li­ta Bar­re­to, de 20 anos. “To­do ano a no­ta de cor­te mu­da e ti­ve­mos mui­to mais ins­cri­ções pa­ra o Enem. Quan­do vi mi­nha no­ta fi­quei com me­do de não pas­sar, prin­ci­pal­men­te em en­ge­nha­ria, que é um cur­so mui­to con­cor­ri­do.” A ação afir­ma­ti­va foi fun­da­men­tal pa­ra que a jo­vem, fi­lha da dia­ris­ta He­le­na Bar­re­to, se tor­nas­se a pri­mei­ra em sua fa­mí­lia a ser apro­va­da pa­ra o en­si­no su­pe­rior nu­ma uni­ver­si­da­de fe­de­ral. “Era um so­nho fa­zer fa­cul­da­de. Mi­nha mãe sem­pre in­sis­tiu pa­ra que eu e meus ir­mãos es­tu­dás­se­mos. As co­tas nos pos­si­bi­li­tam aces­so a al­go que é nos­so”, afir­mou. A jo­vem tam­bém foi apro­va­da, por meio das co­tas, pa­ra mú­si­ca na Uni­ver­si­da­de do Es­ta­do de Mi­nas Ge­rais (Ue­mg).

Na ava­lia­ção do pró-rei­tor, o au­men­to da no­ta de cor­te es­tá re­la­cio­na­da à ado­ção do Sis­te­ma de Se­le­ção Uni­fi­ca­do (Si­su). Em 2013, cer­ca de 60 mil can­di­da­tos dis­pu­ta­ram as va­gas na UFMG. Em 2016, o nú­me­ro mais que tri­pli­cou, pas­san­do pa­ra 195,6 mil can­di­ta­tu­ras. Ao to­do, fo­ram 158,3 mil can­di­da­tos que ti­nham a op­ção de se ins­cre­ver em até dois cur­sos di­fe­ren­tes. “O Si­su tem es­se efei­to de fa­ci­li­tar o aces­so à dis­pu­ta pe­las va­gas nas uni­ver­si­da­des”, diz.

Talita Barreto garantiu vaga em engenharia na UFMG e em música na Uemg: "As cotas nos possibilitam acesso a algo que é nosso" (foto: Juarez Rodrigues/EM/DA Press)

Talita Barreto garantiu vaga em engenharia na UFMG e em música na Uemg: “As cotas nos possibilitam acesso a algo que é nosso” (foto: Juarez Rodrigues/EM/DA Press)

Nes­ta edi­ção, as di­fe­ren­ças en­tre no­tas de cor­te pa­ra co­tis­tas e não co­tis­tas va­riam en­tre 4,8% (me­nor di­fe­ren­ça, ob­ser­va­da no cur­so de bi­blio­te­co­no­mia) e 11,4% (maior di­fe­ren­ça, no cur­so de his­tó­ria). A di­fe­ren­ça mé­dia foi de 8,2%. “Por de­fi­ni­ção, as no­tas de cor­te dos co­tis­tas de­vem ser me­no­res que as da am­pla con­cor­rên­cia. Do con­trá­rio, as co­tas não te­riam ne­nhum efei­to”, diz Takahashi. Em 2014, po­rém, a no­ta de cor­te de co­tis­tas no cur­so de his­tó­ria foi maior do que os não co­tis­tas. Na­que­le ano, a di­fe­ren­ça mé­dia foi de 6,9%.

A ex­pec­ta­ti­va do pró-rei­tor é que a im­plan­ta­ção das co­tas em sua to­ta­li­da­de pos­sa re­cu­pe­rar a pro­por­ção de es­tu­dan­tes de bai­xa ren­da vin­cu­la­dos à UFMG até 2013. Na­que­le ano, 49% de es­tu­dan­tes eram pro­ve­nien­tes de fa­mí­lias com ren­da de até cin­co sa­lá­rios-mí­ni­mos. Es­sa pro­por­ção caiu de­pois da ado­ção do Si­su pa­ra 42%, em 2014, e pa­ra 46%, em 2015.

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6 comentários

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Enio

30 de janeiro de 2016 às 14h09

A elite criminosa tem MEEEEDO do povo brasileiro com Lula 2018. #LulaEuConfio

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marcelo duarte

29 de janeiro de 2016 às 16h44

Desde quando dados socio-econômicos são base para definir a etinia de alguém? Nessa sua argumentação está a base da falácia que é o sistema de cotas por cor de pele. Como se define a tinia por autodeclaração, qualquer um pode se declarar pardo, sem que isso necessariamente signifique que ele está errado ou esteja tentando burlar a lei. E quanto aos pobres que são brancos? Esses então não podem usufruir de nenhuma cota, pois esses naõ foram feitas para pobres, e sim para negros.
Ser contra o sistema de cotas, meu amigo, não é ser racista, é ser contra um sistema falho na concepção e na execução.

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Robson

26 de janeiro de 2016 às 17h25

Miguel,

O meu sobrinho estuda na UFMG.
Ele é cotista.
Ele comentou comigo, ano passado, que esse burburinho corre solto na universidade. É inacreditável a quantidade de cotistas, não negros ou pardos, que acessaram ao ensino superior burlando o sistema de cotas.
Isso explica o fato da melhoria nas notas dos cotistas e ao mesmo tempo, a piora nas notas dos não cotistas. Os alunos , não negros ou pardos, simplesmente migraram para onde a concorrência é “menor”.
A universidade deveria instituir uma comissão de avaliação dos alunos declarados como cotistas (assim como já ocorre nas seleções para concursos públicos) buscando identificar os falsários.
Não é necessário teste de DNA, como sugeriu um midiota.
É necessário apenas cruzar alguns dados socioeconômicos, com entrevistas presenciais dos candidatos e dos pais dos candidatos (sim os pais deveriam ser chamados para dizer como foi criar um filho negro/pardo em uma sociedade racista) para se verificar realmente se a ascendência do candidato condiz com a sua opção pelas cotas.

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    marcelo duarte

    29 de janeiro de 2016 às 16h45

    Desde quando dados socio-econômicos são base para definir a etinia de alguém? Nessa sua argumentação está a base da falácia que é o sistema de cotas por cor de pele. Como se define a tinia por autodeclaração, qualquer um pode se declarar pardo, sem que isso necessariamente signifique que ele está errado ou esteja tentando burlar a lei. E quanto aos pobres que são brancos? Esses então não podem usufruir de nenhuma cota, pois esses naõ foram feitas para pobres, e sim para negros.
    Ser contra o sistema de cotas, meu amigo, não é ser racista, é ser contra um sistema falho na concepção e na execução.

    Responder

Felipe

26 de janeiro de 2016 às 15h50

Miguel,

Como TUDO no jornal o Estado de Minas, essa é apenas mais uma matéria mentirosa e direcionada!!!

A matéria faz entender que a nota dos cotistas melhorou e para isso, coloca na capa duas lindas estudantes negras.

O que a matéria não mostra é a nota melhorou porque muitos, repito muitos candidatos NÃO NEGROS se declararam cotistas.

Isso mesmo.

A velha-hipócrita-escravagista-retrograda-provinciana elite mineira vem instruindo os seus filhos para se declararem pardos e assim, garantirem o acesso a UFMG.

É uma situação tão escrota que dá nojo, mas sendo BH, a capital que deu 70% dos seus votos à Aécio Neves, está explicado este tipo de ação, típica do coxinha: a desfaçatez.

Veja que os comentários no site do jornal atingem ao objetivo proposto, ou seja, incitar as pessoas a pedirem o fim das cotas, ou seja, se os “negros” estão tendo notas melhores que os “não
cotistas”, para que as cotas então ?!?

Se o MEC não investigar e passar a barrar esta prática canhestra dos senhores de engenho de Belo Horizonte, logo mais, as políticas de cotas sofrerão forte contestação.

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    Hell Back

    26 de janeiro de 2016 às 16h28

    E agora, qual a solução? Estabelecer o teste de DNA para provar a sua raça?

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