Fundador do Instituto Ideia vê chance de Lula vencer no 1° turno

17/04/2016- Brasília- DF, Brasil- Sessão especial para votação do parecer do dep. Jovair Arantes (PTB-GO), aprovado em comissão especial, que recomenda a abertura do processo de impeachment da presidente da República. Foto: Antonio Augusto/ Câmara dos Deputados

Congresso em Notas: Foram 367 votos pelo impeachment, exatamente o mesmo número que elegeu Cunha presidente da Câmara. Coincidência?

Por Redação

20 de abril de 2016 : 18h05

Foto: Antonio Augusto/ Câmara dos Deputados

CONGRESSO EM NOTAS

No.29, 20/04/2016

FIDELIDADE AO LÍDER. Na votação do impeachment, metade dos partidos foram 100% fieis à orientação do líder. Por tamanho da bancada, são eles: PT (não), PSDB (sim), DEM (sim), PRB (sim), SD (sim), PCdoB (não), PSC (sim), PPS (sim), PSOL (não), PV (sim), PSL (sim) e PMB (sim — mas esse só tem um deputado). Já PSB (sim), PMDB (sim), PP (sim) e PHS (sim) tiveram fidelidade acima de 80%. Entre 60 e 75% de fidelidade ficaram PSD (não), PTB (sim), PTN(sim), PROS (sim) e PDT (não). O PT do B (não) teve 33% de fidelidade. A menor fidelidade foi do PR (não): 23%.

COMPARAÇÃO. Os partidos que orientaram a favor do impeachment tiveram fidelidade maior do que aqueles que orientação contrariamente. O sim teve 89% de fidelidade; o não teve 72%.

MOTIVOS. Segundo levantamento do Tortura Nunca Mais, o motivo mais citado nas declarações de voto do impeachment foi a família, gerando séria suspeita de que a maioria dos deputados eleitos não tem vocação republicana. O segundo motivo mais citado foi a cidade de origem do Deputado, revelando a vocação de representação de interesses locais, que seria uma função do Senado, e não propriamente do povo brasileiro, que seria a função primordial da Câmara.

PALAVRAS. As notas taquigráficas da sessão de domingo mostram que referências à família apareceram mais de 200 vezes, enquanto a expressão “crime de responsabilidade”, tema central da acusação, apareceu 62 vezes, em votos contrários e favoráveis. Deus foi mencionado 75 vezes.

CONGRESSO CONSERVADOR. Foram 367 votos pelo impeachment de Dilma Rousseff. Na eleição para Presidente da Câmara dos Deputados em 2015, foram exatamente 367 votos para a oposição (Eduardo Cunha e Julio Delgado candidatos). Não é possível conferir se os votos coincidem. Mas o pouco apreço dos deputados a justificativas republicanas e constitucionais e a coincidência numérica indica que a composição do congresso mais conservador da história é uma causa importante da quebra constitucional.

RITO DO IMPEACHMENT DE DILMA NO SENADO:

>> Recebimento pelo Senado Federal (ocorreu no dia 18/04);

>> Constituição da comissão responsável pelo processo, integrada por 21 titulares e 21 suplentes. Renan Calheiros (PMDB/AL) decidiu que os líderes terão até sexta (22/04) para indicar os membros – a oposição queria que o prazo fosse hoje. Renan Calheiros (PMDB/AL) anunciou que não quer conduzir o processo de modo a parecer “atropelo ou procrastinação”.

>> Eleição do presidente e do relator da Comissão na terça (26/04), quando começa o prazo de 10 dias para que aprove ou rejeite o parecer do relator pela admissibilidade. Previsão de que isso ocorra dias 10 e 11/05;

>> Discussão e votação nominal do Parecer pelo Plenário em um só turno, na data provável de 17/05. Aprovação precisa de maioria simples. Nesse caso, a Presidenta de República é afastada de suas funções por até 180 dias, assumindo o Vice Michel Temer.

>> Início da fase de instrução probatória: defesa da Presidenta, coleta de provas. Depois, alegações finais.

>> Parecer da Comissão Especial, a ser emitido no prazo de dez dias, sobre a procedência ou improcedência da acusação. Procedente, por maioria simples, a comissão encerrará seu trabalho com o fornecimento do libelo acusatório.

>> Julgamento no Senado, presidido pelo Presidente do STF.

>> A condenação ocorrerá se aprovada por 2/3 (54) dos Senadores.

IMPEACHMENT DE TEMER. Apesar de o STF ter determinado que a Câmara dê início ao processo de crime de responsabilidade de Temer, o trâmite está parado. Apenas PT e PC do B indicaram seus membros. O Presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ) poderia ter indicado de ofício os deputados faltantes, mas ele não demostra interesse em fazê-lo.

ESCÁRNIO. Cunha já havia manobrado, antes da votação do impeachment, para ter maioria no Conselho de Ética. Depois disso, Osmar Serraglio (PMDB/PR) anunciou com todas as letras que o processo de cassação de Cunha “não vai dar em nada”.  Carlos Marum (PMDB/MS) alertou que pode haver punição (uma advertência, por exemplo), mas não a perda do mandato. Dirceu Sperafico (PP/PR) explica: “Outro deputado qualquer não teria resistido às pressões do Palácio do Planalto. Vamos salvá-lo”. Waldir Maranhão (PP/MA), Primeiro Vice-Presidente, deu uma decisão limitando a atuação do Conselho de Ética no caso Cunha. Maranhão votou contra o impeachment por conta de um acordo com Flávio Dino, Governador do Maranhão, para que Waldir seja candidato ao Senado. Mas declarou seu voto “não” ao mesmo tempo em que jurava lealdade a seu “presidente querido” Eduardo Cunha.

PERSEGUIÇÃO. Jean Wyllys (PSOL/RJ), que cuspiu em Jair Bolsonaro (PP/RJ) após ofensas pessoais e após ele ter homenageado um dos maiores torturadores da história brasileira, provavelmente será representado no Conselho de Ética. Na mesma situação Silvio Costa (PT do B/PE), por ter chamado deputados de bandidos e ladrões.  Eduardo Cunha anunciou que irá processar criminalmente quem lhe ofendeu na sessão do impeachment. Entre eles, Glauber Braga (PSOL/RJ), que o chamou de gângster. Em um ambiente em que os deputados estão constantemente se acusando – e em que muitos dos respectivos membros têm sobre si acusações de crimes graves –, a decisão de processar esses parlamentares parece ser tentativa de perseguição de parte dos políticos mais vocais.

PRÓXIMOS PASSOS. O PT, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo sem medo prometem resistir, não dar trégua a Temer e seguir denunciando o golpe. Uma PEC para convocação de eleições presidenciais em outubro desse ano já tem assinaturas suficientes de Senadores para que possa tramitar. Cunha avisou que os trabalhos da Câmara serão paralisados até o impeachment de Dilma. Os partidos à esquerda pretendem, por outro lado, obstruir os trabalhos até que Cunha seja afastado.

O Congresso em Notas é uma parceria do Cafezinho com o Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP), ligado ao Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ.

Visite nosso site: http://congressoemnotas.tumblr.com/

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

11 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Adriano Filho

22 de abril de 2016 às 01h43

E os votos para chinaglia para presidencia da camara foram praticamente os mesmos numeros quando comparado com os votos contrarios ao golpe

Responder

Antonio Emilio Neto

21 de abril de 2016 às 16h47

Depois de ter falado em tributar as igrejas e impor pautas liberais como casamento gay e descriminalização do aborto ,liberalização das drogas ,que são praticas contra a igreja , não podia ser de outra forma . Quando o governo precisou dos votos dos evangélicos recebeu um não bem enfático .
Se o governo não fez para melhorar a relação com o congresso ,não seria na hora de votar o impeachment que seriam amigos . Em primeiro lugar os deputados não estão exercendo um mandato de ladrão ,ou de corrupto ,ou de outros adjetivos despreciáveis que os petistas tentam aplicar-lhes , mas sim o de representante dos seus eleitores .O governo perdeu a oportunidade de se defender e preferiu ofender o congresso como se não precisasse dele .

Responder

Maria Aparecida Lacerda Jubé

21 de abril de 2016 às 09h53

Propina é o nome dessa coincidência.

Responder

Luiz Felipe Martins

20 de abril de 2016 às 21h47

Até parece que algum projeto da Dilma que entrar em votação será aprovado, seja ele qual for.
Nada mais vindo dela será aprovado.
Certo o Cunha.

Responder

    João Maurício Pimentel

    20 de abril de 2016 às 22h22

    Ô, Martins….. Cunha foi denunciado ao STF pela PGR. Golpe é a PQP!

    Responder

      Luiz Felipe Martins

      20 de abril de 2016 às 22h23

      Concordo.
      Esse argumento de tal pessoa ter sido eleita democraticamente e por isso não pode ser tirada do cargo é uma imbecilidade mesmo ;-)

      Responder

        theDarkbozo

        21 de abril de 2016 às 00h16

        Também acho.

        Responder

        Cocainum

        21 de abril de 2016 às 09h29

        Sem um crime comprovado, é imbecilidade mesmo. Não é o caso de Cunha.

        Responder

Lu

20 de abril de 2016 às 21h40

“Cunha avisou que os trabalhos da Câmara serão paralisados até o impeachment de Dilma.” Todos estão perdendo com isso…ninguém será beneficiado com a violação constitucional, a não ser aqueles que querem usurpar o poder na alta cúpula e aqueles para quem irão governar (o menos de 1%)… Triste de ser ver!

Responder

    theDarkbozo

    21 de abril de 2016 às 00h17

    Verdade meu, Dilma ta fazendo um trabalho massa. Eu tinha 400 dollares, agora tenho 800. Show de bola. Eu quero ver eles virarem 1600.

    Responder

    AZ Botelho Paiva

    21 de abril de 2016 às 17h15

    Você sabia que neste menos de 1% estão incluídos todos os Banqueiros, e os grandes Industriais? E você sabia que o seu Guru, o Lula, não se cansa de se vangloriar que: ” NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE PAÍS, OS BANQUEIROS, E OS INDUSTRIAIS GANHARAM TANTO DINHEIRO, COMO NO MEU GOVERNO?” Fica a pergunta: “Você que entende tanto de política, não gostaria de nos explicar esta fala tão enigmática do Lula? Estamos aguardando. Combinado?

    Responder

Deixe um comentário

O Xadrez para Governador do Ceará Lula ou Bolsonaro podem vencer no 1º turno? O Xadrez para Governador de Santa Catarina