Fundador do Instituto Ideia vê chance de Lula vencer no 1° turno

O “golpe à paraguaia” chega ao Brasil

Por Redação

20 de abril de 2016 : 08h06

Charge: Vitor Teixeira

A presidenta Dilma Rousseff alertou, em outubro de 2015, sobre uma tentativa de “golpe à paraguaia” que começava a ser planejado no Brasil. A advertência foi feita apenas um ano depois de seu triunfo eleitoral, quando 54 milhões de brasileiros optaram pelo PT, derrotando uma vez mais o PSDB

por Juan Manuel Karg, no Russia Today (via Vermelho)

À época, a direita começou a falar em “terceiro turno” eleitoral nas ruas, pedindo a renúncia da presidenta durante os meses seguintes à eleição. Tudo estava pavimentado pelo tripé midiático (concentrado na Globo, Folha de SP e Estadão), que centralizava todas as atenções na Operação Lava Jato, investigação onde paradoxalmente Dilma não aparece.

O “golpe à paraguaia” já está se desenvolvendo diante de nossos olhos, apenas seis meses depois daquela advertência. Encabeçado pela dupla Temer-Cunha, do PMDB, em aliança explícita com o PSDB de Neves-Alckmin-Cardoso (Aécio neves, Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso). Como se vê, agrupações e nomes que aparecem tanto na Lava Jato como nas recentes denúncias do Panamá Pappers. Pequenos partidos evangélicos e deputados de ultra-direita, como Jair Bolsonaro, agregaram o condimento final à cocção de um “impeachment” verdadeiramente inexplicável à luz da opinião pública internacional.

A suposta “nova direita” saudada previamente por rios de tinta que destacavam seus atributos democráticos abriu passo ao que verdadeiramente é: uma direita rançosa, que se vale das instituições para atuar contra essas mesmas instituições, provando o absurdo de que 367 deputados influenciem mais que 54 milhões de brasileiros no destino do país.

A conexão externa, além disso, é nítida: a agência Reuters ratificou que Goldman Sachs manejaria a economia do Brasil através da possível designação de Paulo Leme ao gabinete econômico de Temer. Isto explica porque diversos analistas também consideram o golpe institucional em curso como um deliberado embate contra o Brics e os países emergentes, que nos últimos anos têm criado mecanismos alternativos ao FMI e ao Banco Mundial, como o Banco de Desenvolvimento e o Banco Asiático de Investimentos em Infraestruturas contra os quais Washington desenha o TPP (Acordo Transpacífico).

Temer tem um desafio óbvio, mirando o espelho paraguaio: não ser Federico Franco [o vice de Fernando Lugo que assumiu depois do golpe]. Naquela época a direita paraguaia utilizou o enigmático personagem em questão para retomar o poder política e derrubar Lugo. Mas Franco foi rapidamente descartado, já que internacionalmente ficou ligado à conspiração golpista pela qual o Paraguai foi afastado do Mercosul. Temer, a serviço da Fiesp [Federação das Indústrias de SP] e Globo, cumpre à risca as ordens: fazer correr a Dilma e desbancar o PT. A relativa cautela da direita latino-americana a respeito do golpe institucional de Temer ilustra o desafio que o espera: não converter-se rapidamente em um personagem descartável, em um Franco brasileiro.

Juan Manuel Karg é cientista político, analista internacional do portal Russia Today e investigador social da Universidade de Buenos Aires

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13 comentários

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Wagner Lima

20 de abril de 2016 às 21h38

As manifestações e os movimentos já foram criminalizados, o próximo Pres. será também o chefe das FFAA que agem motivados e sob ordens, ou invade Brasília ou entuba o golpe, bandido não respeita lei.

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AZ Botelho Paiva

20 de abril de 2016 às 17h11

Uma pergunta que não quer calar: Os 367 Deputados que votaram pela cassação da Dilma, estão ai. E onde andariam os 54.000.000 de votos que elegeram a Dilma? Me parece que somados estes votos que ela teve, mais os votos dados ao Aécio, mais os votos nulos e em branco, teríamos um total de 141.824.607 em 2014, Hoje a Dilma não conta com 10% deste total. Que seriam 14.182.460 votos. Em menos de 2 anos ela perdeu mais de 40.000.000 de votos. Que feio em Dilma!!!

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Antonio Passos

20 de abril de 2016 às 10h36

Dilma alertou mas não fez rigorosamente nada contra. Aliás tudo que a esquerda tem feito NÃO pode ser chamado de resistência, não passa de mimimi. Resistência é ousar, peitar, DESAFIAR os golpistas. É perguntar ao STF O QUE ESTÁ HAVENDO, que não julgam um ladrão mundialmente reconhecido. Resistência é mandar PRENDER quem grampeia presidente. Resistência foi o que houve em Congonhas NÃO permitindo que Lula fosse levado, a rigor foi a ÚNICA coisa que se pode chamar de resistência. O resto foi mimimi e oba oba, este último o movimento de artistas e intelectuais aos 51 minutos do segundo tempo.

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YorkshireTea

20 de abril de 2016 às 10h16

O pior é que, agora, alguns dos supostos defensores da Democracia tiram suas máscaras e juntam-se ao oportunismo rasteiro de Marinas e Lucianas. É vergonhoso o GOLPISMO OPORTUNISTA de Roberto Requião e Paulo
Henrique Amorim, que aderiram ao golpe via eleições antecipadas para PR,
completamente ilegais e não previstas na Constituição. VERGONHOSO! VERGONHOSO!

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    Elavi Cunha

    20 de abril de 2016 às 10h42

    Olha acho que o impeachment dela já se tornou inevitável. Por isso clamam por novas eleições, para evitar de Temer – Cunha assumirem.

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      YorkshireTea

      20 de abril de 2016 às 10h58

      Elavi, apoiar o oportunismo de novas eleições fora de hora equivale a dizer que o governo da Dilma é ilegítimo e deve ser apeado. O que, para qualquer Democrata, é um absurdo inquestionável. É o mesmo que dizer: “Topamos dar o golpe, desde que o PR não seja o Temer nem o VP seja o Cunha.” É isso o que pregam oportunistas como Marina e Luciana Genro.

      Se o golpe for concretizado (e não duvido que isso não ocorra), devemos partir para a insurreição civil, pois tratar-se-á de um governo ilegítimo. O que temos de fazer é deixar definitivamente claro que o CONGRESSO NACIONAL (Câmara e Senado) é formado majoritariamente por golpistas e traidores da Pátria. O que temos de fazer é deixar definitivamente claro que o STF é formado majoritariamente por golpistas e traidores da Pátria. O que esses canalhas covardes (principalmente no Senado e no STF) mais desejam é que a Dilma seja afastada SEM QUE ELES SUJEM AS MÃOS! Se uma hipotética PEC de eleições presidenciais fora do calendário (inconstitucional, diga-se de passagem) for aprovada, o Senado e o STF se livram do abacaxi de ter de chancelar o golpe de Estado iniciado pelo bandido sociopata Eduardo Cunha no domingo.

      Por isso, devemos dizer NÃO a qualquer tentativa de encurtar o mandato de Dilma. ISSO É INCONSTITUCIONAL! ISSO É UM GOLPE DE ESTADO!

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        Elavi Cunha

        20 de abril de 2016 às 11h02

        O que me preocupa são dois anos desses caras… E quanto a insurreição civil, bom… Não acredito que irá segura-los.

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          YorkshireTea

          20 de abril de 2016 às 11h12

          Então, meu caro, não há mais nada a fazer, porque as duas hipóteses (“impeachment” e “eleições fora do calendário”) são um golpe contra a Democracia. Só muda a maneira de golpeá-la. Não aceito nenhuma das duas. Este é o ponto. Não dá para ficar em cima do muro. Ou se está com a Democracia, ou se está com o golpe. Qualquer solução fora da Constituição é golpe. Qualquer solução fora a conclusão do mandato de Dilma ao final de 2018, é golpe.

          É a hora de separar o joio do trigo. Não há mais espaço para o meio-termo. É uma escolha simples: ou se está com a Democracia, ou se está com o golpe.

          Elavi Cunha

          20 de abril de 2016 às 11h19

          Claro que não, a própria antecipação das eleições seria com a concordância da Dilma e do Temer (Outro problema). Não existe nessa situação complexa essa filosofia do 8 ou 80 não. Tenha bom senso, por favor.

        AZ Botelho Paiva

        20 de abril de 2016 às 17h39

        Meu querido não adianta esbravejar, somente por birra. A razão tem que prevalecer. Vocês perderam na votação feita para aprovar o relatório, por 38 X 27 Depois perderam para a aceitação do pedido de impitimam, por 367 X 144 depois perderam em todos os pedidos feitos no STF, para anular o processo. Certamente vão perder no Senado. Ponham a mão na consciência: Será que todos são golpistas. Se forem poderá ser considera a maior conspiração ocorrida acidentalmente na história do universo. Porque com certeza não houve tempo e nem intensão de se organizarem para tirarem a Dilma. O que ocorreu até o presente momento, foi que todos os participantes do que você chama de golpe viraram os seus olhos para a constituição, e descobriram que, a Dilma cometeu sim, crime de responsabilidade fiscal. Por este motivo, deve arcar com as consequências dos seus atos. O resto é o chamado “jus sperniandi”

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    Sérgio Silveira

    20 de abril de 2016 às 13h23

    Eleiçoes agora seriam para tirar o doce da boca dos golpistas e legitimar um novo governo, eleito pelos brasileiros e não por 350 picaretas vendidos do congresso!
    O novo governo, podendo inclusive ser do próprio PT não poderia ser questionado.

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      AZ Botelho Paiva

      20 de abril de 2016 às 17h14

      Será? Num acho não!!!

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    AZ Botelho Paiva

    20 de abril de 2016 às 17h13

    Mas até recentemente o tal Roberto Requião não era o novo herói da esquerda, e a paixonite aguda do cafezinho? Vai entender!!!

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