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Dilma: impeachment é contra uma forma de governo a favor dos mais pobres

Por Miguel do Rosário

07 de maio de 2016 : 15h35

Na Agência Brasil.

Dilma: impeachment é motivado pela escolha do governo de gastar com os pobres

07/05/2016 14h18Brasília

Mariana Jungmann – Repórter da Agência Brasil

A presidenta Dilma Rousseff voltou hoje (14) a afirmar que o processo de impeachment contra ela é uma tentativa de golpe e disse que vai “resistir até o fim”. Durante cerimônia de inauguração da Embrapa Pesca e Aquicultura, em Palmas (TO), a presidenta destacou que o pedido de afastamento é motivado pelo fato de ela ter escolhido gastar o dinheiro do governo com os mais pobres.

“Nós fizemos escolhas porque o dinheiro é finito, então, você tem de escolher onde gastar. Nós escolhemos ampliar o gasto na agricultura, na produção e nos programas sociais. Na área da agricultura familiar e assentamentos, nós saímos de menos de R$ 2,5 bilhões para R$ 30 bilhões. Na agricultura comercial, nós saímos de menos de R$ 25 bilhões para R$ 202 bilhões [de estímulos econômicos]. Nós fizemos, de fato, uma escolha diferente da dos nossos antecessores”, afirmou.

Para a presidenta o que está ocorrendo no país, “mais que um golpe, é uma tentativa clara de fazer uma eleição indireta para colocar no governo quem não tem voto suficiente para lá chegar”. Segundo ela, o novo governo que será formado, caso ela seja afastada, pretende reduzir o Bolsa Família aos 5% mais pobres do país, o que significa 10 milhões de pessoas. Atualmente, o programa atende a 46 milhões de brasileiros.

“O foco é tirar do Bolsa Família 36 milhões de pessoas. Isso porque eles sabem que o gasto do Bolsa Família é de menos de 1% do PIB, um dos menores do país. E aí querem fazer economia com o dinheiro dos pobres? Jamais se elegeriam”, afirmou.

Dilma também voltou a dizer que é honesta, não tem contas no exterior nem recebeu dinheiro de propina. Para ela, como não era possível apontá-la como criminosa por isso, tentam criar um fato em torno da edição de decretos que “todos os outros governos também fizeram”.

“São decretos que dão recursos para o Tribunal Superior Eleitoral fazer concurso, para o Ministério da Educação pagar hospitais, para o Ministério da Justiça complementar recursos para escoltas. Não são recursos que a presidência pegou para ela”, disse.

Ela também voltou a alegar que não participou das definições sobre o Plano Safra em 2015 porque a lei determina que isso seja feito pelo ministro da Fazenda. “Ora, o que está em questão são atos que eu sequer participei. Todos atos que são regulares, mas além disso eu não estive em nenhum deles”, disse.

No discurso, a presidenta disse ainda que o novo governo não terá condição de “quebrar” todos os seus programas, mas alertou o público presente de que “eles vão tentar”. Ela conclamou as pessoas a lutarem pelos seus direitos. “Nós todos temos que lutar para que não haja retrocesso. Eu tenho de lutar contra o impeachment, e vocês tem que defender o interesse de vocês. Nós temos que lutar pela democracia”, disse.

Ex-ministros

Antes da fala da presidenta Dilma em Palmas, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, também discursou e voltou a defender o governo. Após declarar que se sente orgulhosa da presidenta Dilma, Kátia Abreu repreendeu os ex-ministros deste governo que votaram a favor da continuidade do processo de impeachment na Comissão Especial do Senado e os acusou de traidores.

“Esses políticos que até ontem eram ministros de vossa excelência, que foram ministros durante cinco anos do seu governo, agora lhe viram as costas, lhe enfiam a faca pelas costas. Mas antes usufruíram do seu mandato”, disse a ministra.

A ministra concluiu o discurso citando a frase “não toque os pés no barco que te ajudou a atravessar o rio”, numa referência ao que ela considerou uma “deslealdade” com a presidenta.

Edição: Lílian Beraldo

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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15 comentários

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Manoel Teixeira

08 de maio de 2016 às 09h42

O imptim só ocorreu porque Dilma não usou o poder. Reconduziu Janto ao MP, não soube indicar ministros ao STF ( é verdade que foi melhor que Lula ), continuou dando dinheiro para a Globo e manteve Cardozo no Ministério da Justiça.
A incompetência política de Dilma é imensurável.
E nós pagaremos a conta.

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Carlos Jorge Martins

08 de maio de 2016 às 01h41

A ponte do Temer parece mais com a do ”Rio Kwai.”

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Reinaldo Mechica Miguel

07 de maio de 2016 às 20h25

SEM QUALQUER ALTERNATIVA:

TEMOS QUE DESTRUIR, SIM! DES-TRU-IR… A GLObosta que de 30 em 30 minutos ALIMENTA O GOLPE, OS MIDIOTAS E TODA A SUA AUDIÊNCIA TORNA-SE UM PODEROSO INSTRUMENTO DO GOLPISMO RENTISTA E DESINFORMANDO O POVO. TEMOS QUE ACABAR COM A FARSA DESTA SUCURSAL DO CRIME CONTRA A DEMOCRACIA E A NOSSA LIBERDADE E A NOSSA INDEPENDÊNCIA. VAMOS INVADIR TUDO!!!

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    Reinaldo Mechica Miguel

    07 de maio de 2016 às 20h26

    VAI PRESIDENTE E VOLTARÁ PELO BRAÇO DO POVO QUE A ELEGEU…
    TEMOS QUE LUTAR POR NOSSA LIBERDADE E PELA DEMOCRACIA NO BRASIL

    Responder

      Reinaldo Mechica Miguel

      07 de maio de 2016 às 20h31

      ISTO É CRIME CONTRA OS JOVENS BRASILEIROS…

      Responder

Luiz Felipe Martins

07 de maio de 2016 às 16h05

“a presidenta destacou que o pedido de afastamento é motivado pelo fato
de ela ter escolhido gastar o dinheiro do governo com os mais pobres.”
O efeito colateral disso foi quebrar a economia do país. Excelente.

Responder

    Lu

    07 de maio de 2016 às 18h26

    É muita ingenuidade acreditar que são programas sociais que “quebram” um governo.
    Muito antes pelo contrário, a política econômica ortodoxa, que prevê cortes de gastos em serviços essenciais, aumenta a taxa de juros para o capital render e diminui o consumo, é o que estagna ou retrocede a economia e o desenvolvimento do país. Sem demanda não há investimento, não há geração de emprego, a produtividade cai – mas o capital especulativo rende. E isso interessa a quem? Não seja ingênuo em pensar que vai ser benéfico a você, que parece ter um pensamento midiótico e da direita fajuta desse país (que nem direita admite que é). Isso é bom pro menos de 1% do país e pros banqueiros da gringolândia. Para que haja desenvolvimento econômico (e social) e a economia acelere, é essencial que se tenha programas de distribuição de renda e políticas afirmativas para que a maior parte da população, excluída do dinamismo econômico, insira-se no mercado de trabalho com maior qualificação profissional e gere renda no país. O crescimento se faz pela demanda. Já foi provado que poupança não gera crescimento (teoria ortodoxa econômica é falida, não adianta).
    Para que as coisas melhorem, há que se fazer primeiramente uma profunda reforma tributária, instituir a taxação de grandes fortunas, diminuir os impostos regressivos, desindexar alguns produtos da taxa inflacionária. Quem não quer isso? Justamente os conservadores, os retrógrados do país, representados no Congresso Nacional.
    Há que se incentivar a produção interna, com incentivos às empresas nacionais – não entregá-las – isso já foi provado que não dá certo.
    Há que se investir em P&D, aumentar o capital intelectual, exportar mais porém, dinamizando os produtos, tirando-se o foco apenas das commodities. O contrário do que os entreguistas, aqueles afetados pelo complexo de vira-latas pensam.
    É essencial que se tenha um estado de bem estar social, nos moldes europeus, para que crescimento seja concomitante ao desenvolvimento econômico do país.
    Não seja bobinho, não repita tudo que vc lê no G1! ;)

    Responder

      Luiz Felipe Martins

      07 de maio de 2016 às 18h29

      Alguém andou dedicando um bom tempo pra decorar a cartilha pelo visto
      ;-)

      Responder

      Luiz Felipe Martins

      07 de maio de 2016 às 18h34

      Seu texto desse tamanho é basicamente a receita do desastre que vivemos.
      “Vamos incentivar a economia injetando dinheiro no mercado em forma de empréstimos baratos para que a demanda aumente” Genial hein.
      Daí temos um bando de gente tendo acesso à crédito que não deveria ter comprando casas e carros aos montes. Daí lááááá na frente descobre-se que esse povo não tem condições de honrar suas dívidas, e quando isso acontece é um efeito dominó na economia.
      Tudo isso porque o governo teve a brilhante idéia de intervir na economia pra gerar uma falsa demanda.
      Se pegarmos tudo que você disse e fizermos o contrário estaremos bem.

      Responder

      Luiz Felipe Martins

      07 de maio de 2016 às 18h42

      E e pior parte do texto é “instituir a taxação de grandes fortunas”, também conhecida como “espanta investidor”
      Vai lá, bote um imposto de 70% em grandes fortunas como a França tentou fazer, observe em seguida todos os ricos simplesmente mudando de país pra não pagar nada.
      E eu que sou o ingênuo na história hehe

      Responder

        Lu

        07 de maio de 2016 às 19h28

        Como se rico precisasse sair do país… pra sonegar! haha. =)

        Responder

          Luiz Felipe Martins

          07 de maio de 2016 às 19h30

          Fico feliz que não precisem ;-)

          Lu

          07 de maio de 2016 às 20h35

          Ótimo. Tomara que vc seja uma pessoa sensata e nunca tenha ido a protesto “contra a corrupção”, então. Pode ter a opinião que quiser (por mais insólita que seja), mas sempre preze pela coerência. Abraços, ;)

          Luiz Felipe Martins

          08 de maio de 2016 às 00h13

          Fui só no protesto contra o PT, o resto é vantagem.

    Antonio Virgilio Bastos

    08 de maio de 2016 às 06h18

    Quem quebrou a economia? Em vez de ouvir a Globo o tempo todo, estude e se informe!
    Onde está a crise mundial do capitalismo? Como estão os outros países? E em que medida a crise brasileira não foi turbinada pelo congresso golpista e por uma mídia que só destaca coisas negativas? Deixe de ser alienado!

    Responder

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