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Intervalo entre gravação e divulgação de áudio de Jucá permitiu o golpe; por que houve tanta demora?

Por Miguel do Rosário

24 de maio de 2016 : 12h37

Intervalo entre gravação de Jucá e divulgação do áudio permitiu impeachment

No Blog do Mário Magalhães

O intervalo entre a gravação de conversa entre os peemedebistas Romero Jucá e Sérgio Machado e a divulgação do áudio foi decisivo para o sinal verde ao impeachment na Câmara e no Senado.

Os diálogos ocorreram em março, informou o repórter Rubens Valente. A difusão ocorreu ontem, 23 de maio. Os deputados abriram caminho ao afastamento da presidente constitucional Dilma Rousseff em sessão no dia 17 de abril. Os senadores a retiraram do cargo em 12 de maio. É improvável que o julgamento definitivo de Dilma, previsto para os próximos meses no Senado, aprove sua recondução ao posto para o qual foi eleita por 54.501.118 cidadãos.

Como escancara a gravação, o PMDB bancou a deposição da presidente com o propósito de garantir a impunidade a investigados pela Operação Lava Jato. “Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria”, disse o senador Jucá. Machado emendou: “Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer]”. Assim fizeram. Prevaleceu a “solução mais fácil”.

Se os brasileiros soubessem de viva voz que, aos olhos do PMDB, era para isso que serviria o impeachment, é muitíssimo provável que não prosperasse a conspiração _agora com ares de irreversível_ contra Dilma.

A conversa foi gravada por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. Ele negocia com o Ministério Público delação premiada.

No futuro se saberá por que houve tanta demora entre a gravação e a sua revelação.

É possível que Sérgio Machado tenha preferido assegurar antes o que era mais importante ao seu correligionário Temer, a derrubada da presidente.

Ou que tenha entregue o que gravou a procuradores que teriam atrasado o vazamento.

Ou outra coisa.

Há muitíssimos aspectos graves nas afirmações de Romero Jucá, o breve ministro do Planejamento do governo Temer. Caiu ontem mesmo.

Mas poucos têm, nesse episódio, a relevância do tempo entre março-abril e março-maio que valeu o cartão vermelho a Dilma.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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10 comentários

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Dário Longati

25 de maio de 2016 às 21h00

Aconteça o que acontecer a casa caiu, não hão mais como por debaixo dos tapetes e engavetarem, como fazia FHC do PSDB em seu governo de ladões encobertos.

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bob

25 de maio de 2016 às 00h50

Devem ter clonado o ministro Gilmar Mendes, ele aparece em todas as decisões importantes do judiciário em em postos chave para o desfecho desta trama macabra.

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Esmeraldo Cabreira

24 de maio de 2016 às 18h15

MINISTROS DO STF, JANOT, POLÍCIA FEDERAL, CGU, SERGIO MORO, PROCURADORIA FEDERAL, CUNHA, RENAN, TEMER, GLOBO-MOSSACK, AÉCIO, FHC… A LISTA… UFA!
CANALHAS, COVARDES , GOLPISTAS E CORRUPTOS!
Esmeraldo Cabreira Mestre e Doutor UFRGS.

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Jst

24 de maio de 2016 às 17h38

Isto tem de ser perguntado aos ministros do STF. Segundo o Jucá vários deles estariam conversados. Há uns tempos atrás, antes do impeachment virar fato, comentei que os golpistas só levariam o impeachment adiante se tivessem certeza que teriam cobertura. Acho que acertei.

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Sue

24 de maio de 2016 às 14h35

NÃO SEJA PESSIMISTA. PORQUE NÃO QUESTIONA OS NOMES DOS MINISTROS ENVOLVIDOS NO GOLPE?

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Ben Alvez

24 de maio de 2016 às 14h11

A demora na divulgação da gravação e a demora de Teori no relato do processo contra Eduardo Cunha fazem parte da mesma trama golpista e têm as mesmas raízes: a embaixada norte-americana.

Liliana Ayalde articulou algo semelhante no Paraguai, para depor Fernando Lugo.

Romero Jucá e Michel Temer são informantes dos órgãos de informação dos Estados Unidos.

Deveriam ser processados por crime de lesa-pátria.

Mas quem faria isso?

O STF, que possui ministros que recebem prêmios e propina da Globo?

Teori que sentou em cima do processo contra Eduardo Cunha?

Gilmar Mendes, a excrecência sinistra do STF?

Rosinha Boquinha Mimosa?

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Maria Thereza G. de Freitas

24 de maio de 2016 às 13h09

as revelações/acusações são gravíssimas. O silêncio dos acusados é absolutamente escandaloso. O PGR tomou um chá de sumiço, que só posso imaginar que tenha ido aos EUA, tentar explicar porque a receita desandou. Meirelles agindo como se fosse ministro da fazenda de fato, colocando tudo à venda. PF, MPF, STF, congresso envolvidos. Só nos retam as ruas, nossa força e a derrubada desse usurpador e toda sua corja.

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Alexandre Moreira

24 de maio de 2016 às 13h08

Como assim irreversível? Tá maluco? Nos somos de luta e a luta apenas começou. Esse bastardo vai sair por bem ou por mal. Essa é a luta do nosso povo a luta das nossas vidas, ou vencemos ou morremos.

“Madeira de dar em doido
Vai descer até quebrar
É a volta do cipó de aroeira
No lombo de quem mandou dar.”

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    arttur

    24 de maio de 2016 às 15h18

    Caramba! Essa letra diz tudo.

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      Alexandre Moreira

      24 de maio de 2016 às 15h23

      É incrível como a história de repete. Sinal de que não aprendemos com os nossos erros.

      Responder

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