Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Diretor brasileiro no BID denuncia o golpe de Estado em discurso de renúncia

Por Redação

12 de julho de 2016 : 00h22

Diretor do Brasil no BID deixa cargo com críticas a Temer

na Folha

Depois de quatro anos como diretor-executivo do Brasil no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o economista Ricardo Carneiro deixa o cargo disparando críticas contra o governo de Michel Temer.

Em seu discurso de despedida, ele questiona a legitimidade do presidente interino, acusa-o de impor uma política econômica sem o respaldo das urnas e defende eleições antecipadas para corrigir o “déficit de legitimidade”.

“Volto ao meu país num momento crítico de ruptura institucional, mas com uma certeza: a sociedade brasileira não cabe num golpe, qualquer que seja sua natureza”, diz Carneiro no discurso.

Professor aposentado do Instituto de Economia da Unicamp, Ricardo Carneiro tem laços históricos com o Partido dos Trabalhadores e comunicou que deixaria o cargo no BID dois dias depois da abertura do processo de impeachment no Senado.

“Ajustei a minha saída no menor tempo possível para não ficar representando um governo ilegítimo”, disse Carneiro em entrevista à Folha, pouco antes de deixar o cargo, na semana passada. “É uma irresponsabilidade histórica da elite brasileira, vai fazer muito mal ao Brasil e vai durar muito tempo.”

(…)

Carneiro não acredita que a política econômica do governo Temer dará certo, mesmo se for bem sucedido no choque de confiança pretendido pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

“Confiança é uma condição necessária, mas não suficiente”, diz. O problema, acrescenta, é que falta impulso para que as principais “forças dinâmicas” empurrem a economia, como consumo e investimento. A retomada das exportações, uma das poucas fontes de crescimento, corre risco com valorização do real.

O economista critica a limitação imposta pelo governo Temer ao BNDES, observando que o investimento em infraestrutura é a única fonte de crescimento substancial. “A maior parte do investimento em infraestrutura no mundo é pública, na veia. No Brasil só tem um jeito, é com o BNDES”, diz.

Mais que prever o fracasso da política econômica do governo interino, Carneiro não esconde que “está torcendo contra”, por considerá-lo ilegítimo.

“Para esse governo dar certo, a economia tem que dar muito certo, e aí estará se legitimando um processo que é, na sua raiz, profundamente antidemocrático. Se isso acontecer, ficará uma cicatriz”, afirma.

Em sua opinião, se não tivesse feito algumas “escolhas erradas”, a presidente Dilma poderia ter evitado o impeachment. Ao chamar Joaquim Levy para ser o ministro da Fazenda, ela optou por uma política econômica ultraortodoxa que agravou a crise econômica.

“Pressionada pelo mercado, ela pôs o Levy, que é um talibã do orçamento. Ele fez um ajuste muito duro. A economia, que já estava desacelerando, encolheu quase 4%”.

(…)

“Nem mesmo a ditadura militar se impôs por muito tempo a esta sociedade, embora lhe tenha feito muito mal. A legitimidade é um imperativo maior no ambiente social brasileiro e este governo muito dificilmente se tornará legítimo. Ainda mais porque tem como agenda principal o desmonte do nosso incipiente Estado de bem estar social”, afirma.

Veja a íntegra do discurso aqui.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

4 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Luiza Monteiro

16 de julho de 2016 às 11h59

Que horas ela volta? Governo sem povo não vai gerar otimismo nos investimentos. #Voltaquerida

Responder

Dalva Viana

12 de julho de 2016 às 16h11

Milionários e idiotas torcem contra o Brasil
Os bilionários a favor de seus bolsos os idiotas por complexo de papagaio Da globo

Responder

Atreio

12 de julho de 2016 às 10h09

Os bravos permanecerão ao lado dos justos, aos canalhas restarão os covardes. DiLMA VOLTA e dormiremos mais tranquilos, votamos pra isso. FORA TEMER!

Responder

rogeriobezerra

12 de julho de 2016 às 03h24

99% dos 71.440 mi/bilionários torcem contra o Brasil. É simples e terrível assim.

Responder

Deixe um comentário