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Um tiro contra a Filosofia e a Sociologia – A Educação Brasileira retorna à Ditadura Militar

Por Bajonas Teixeira

23 de setembro de 2016 : 17h32

Por Bajonas Teixeira, colunista de política do Cafezinho

“Sempre que ouço a palavra cultura, tenho vontade de sacar uma arma” (Herman Göring, ministro de Hitler e um dos planejadores do holocausto judeu)

Para fazer frente às “ideologias”, à “ameaça do comunismo e da subversão”, a Ditadura Militar implementou uma série de medidas e de leis. Nas práticas adotadas, por exemplo, espiões e alcaguetes infiltrados nas universidades foram encarregados de mapear os agitadores e aponta-los aos órgãos repressivos, exatamente como o capitão Willian Pina Botelho que se infiltrou entre os manifestantes agora em São Paulo.

Do ponto de vista de políticas para a educação, tendo em vista a criação de uma geração sem crítica, sem reflexão e inteiramente submissa aos imperativos da obediência, a Ditadura preparou leis para banir a sociologia e à filosofia dos currículos substituindo-as por disciplinas de doutrinação autoritária.

A lei n. 5692/71, deslocou as disciplinas relacionadas à ciências humanas (a filosofia, a sociologia e a psicologia) introduzindo no lugar delas as matérias de Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política do Brasil (OSPB). Na verdade, essas disciplinas nunca existiram, nem poderiam existir, como conteúdos de conhecimento específicos porque elas não passavam de nomes dados pela Ditadura aos seus interesses ideológicos.

A sociologia, diferente desses simulacros de conteúdo, é uma disciplina que existe, que conta com inúmeros grandes nomes (Marx, Durkheim, Weber, Adorno, Habermas, etc.), e se ramifica em muitas escolas e tradições de pesquisa. A Moral e Cívica é um mera invenção sem qualquer conteúdo.

Não havia o que ensinar sob a rubrica Educação Moral e Cívica. Que Moral seria essa, quando, há um século, o moralismo havia sido superado pela critica e a pesquisa das ciências humanas? Moral aqui era só a síntese do que os militares entendiam por sociedade obediente, disciplinada e ordeira.

Do mesmo modo, Cívica, não tinha nada que ver com civilizado ou civilização, menos ainda com “civil”, a não ser no sentido de ensino da adoração aos símbolos da pátria, ou seja, um tipo de nacionalismo vazio já moribundo nos tempos da República Velha. Ressuscitar essas coisas era, na verdade, inventar um freezer social, congelar a política e varrer qualquer questionamento.

O essencial era isso: recuperar mitologias ocas para produzir cérebros anestesiados e incapacitados de esboçar a menor atitude crítica. Era como um regime para que os jovens perdessem a musculatura cultural e se tornassem anêmicos, incapazes de luta. E é isso que o Decreto do governo Temer, encabeçado por “Mendoncinha”, o ministro da educação (que comédia) quer nos impor. É um projeto de educação orientado para a “segurança nacional”, ou seja, para objetivos autoritários.

Os anos finais da Ditadura ressuscitaram um intenso debate que, muito prolongado e arrastado, terminou por reintroduzir a filosofia e a sociologia como disciplinas obrigatórias no Ensino Médio.

Está no artigo 35 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (dezembro de 1996) quanto ao ensino médio, § IV:

IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio.

A implementação dessa lei nunca foi satisfatória, faltando aos políticos de esquerda na democracia uma real compreensão do que estava em jogo. Para se ter uma ideia desse descompromisso com a necessidade do pensamento crítico em uma sociedade democrática, tanto a profissão de jornalista quando a de sociólogo, duas importantes frentes da crítica social e política,  incluem-se hoje entre aquelas que se pode obter registro sem diploma. O STF foi fundamental para isso, ao derrubar a obrigatoriedade do diploma para jornalistas. Veja-se a lista:

“As categorias regulamentadas por lei que devem realizar o registro profissional no MTE [Ministério do Trabalho e Emprego] são: Arquivista e Técnico de Arquivo; Artista e Técnico em espetáculos de diversão; Atuário; Guardador e lavador de veículos autônomo; Jornalista; Publicitário e Agenciador de Propaganda; Radialista; Secretário e Técnico em secretariado; Sociólogo; e Técnico de segurança do trabalho.”

Ao que tudo indica, o decreto absurdo que bane a sociologia e a filosofia, caso permitamos que seja implementado, trará enormes prejuízos para a democracia, uma vez que não há democracia sem capacidade de pensar e sem sensibilidade para os elementos determinantes das relações sociais: o poder, os interesses, as ilusões objetivas, as diferenças e influencias culturais, etc.

Tomara que uma grande resistência se levante nas escolas, e que o ensino médio no país inteiro se decida por medidas de combate a esse decreto absurdo. Cada vez mais me convenço que o país terá que parar se quiser parar o golpe.

Caros leitores, Os convido a visitar e curtir a página MÁQUINA CRÍTICA. Nosso desejo é mobilizar o pensamento crítico em favor da democracia, sem esquecer outros temas e debates que importam. Ps: Continuaremos normalmente nossa colaboração com O Cafezinho, que está nos apoiando nesse projeto. Abraços

 

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13 comentários

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Max Müller

28 de setembro de 2016 às 17h21

O Projeto de Temer é de formatar um exército de jovens mentecaptos e sociopatas no Brasil.

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Josedival Neri da Camara

25 de setembro de 2016 às 18h43

Lamentavelmente, em nosso país, analfabetos escrevem na rede, são vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e até presidente. Esse desinformado que publicou essa matéria, usando esse amoral artista pornô como símbolo, sequer sabe o significado da palavra “DITADURA”. As redes sociais, não são o local adequado para se despejar os dejetos que deviam sair pelo orifício que fica entre o côncavo e o convexo, e aqui se expelem pela via oral. Eis ai seu comuna analfa, o significado de ditadura. Por favor faça a comparação da época do regime militar, onde tínhamos liberdade, trabalho, educação de qualidade, e o Brasil por essa via, saiu da 48ª para a 8ª economia mundial, sem o impostômetro de hoje, e sem entregar aos chineses, nossas riquezas e nossas estatais, que por sinal, foram construídas nessa época, com nosso dinheiro. Veja, analise e se não souber interpretar me pede ajuda por favor:
Ditadura militar é uma forma de governo cujos poderes políticos são controlados por militares. O significado de ditadura se refere a qualquer regime de governo em que todos os poderes estão sob autoridade de um indivíduo ou de um grupo. –
Naquela época os poderes eram independentes, não havia urna fraudável, os militares morreram pobres. Hoje temos um analfabeto manipulando o legislativo, executivo e o judiciário. Será que esse regime atual tem alguma relação com o significado de DITADURA?… – Matéria escrita por Zedival Poeta.

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Tulio Stephanini

25 de setembro de 2016 às 16h58

Engraçado é que a educação hoje é um lixo, tem adolescentes que não conseguem conjugar um verbo na terceira pessoa do plural,”nóis vai, nóis vem, nóis é” é dito com toda naturalidade, a ideologia de gênero cresce e ainda se considera o funk expressão cultural legítima. Se os militares tivessem feito o seu trabalho completo as coisas seriam diferentes.

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    Fernando

    26 de setembro de 2016 às 16h27

    “Tem adolescentes” não: “HÁ adolescentes”. Realmente, a educação é um lixo.

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      Tulio Stephanini

      26 de setembro de 2016 às 23h45

      Não podendo refutar o que eu disse procura um erro de português tolo, Essa para rir mesmo.

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        Fernando

        27 de setembro de 2016 às 15h50

        Não há o que refutar em um comentário baseado completamente em achismos e asneiras como “ideologia de gênero”. Pior ainda é a pessoa criticar a linguagem coloquial do dia-a-dia das pessoas, esquecendo que muitas características da “norma culta” surgiram de coisas que as pessoas falavam “errado”. Fora o fato que, se todo mundo falasse “corretamente” 100% do tempo, até hoje estaríamos todos falando latim. Verba volant, scripta manent…

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          Tulio Stephanini

          27 de setembro de 2016 às 22h06

          Que belo desfile intelectual.

vera vassouras

24 de setembro de 2016 às 19h26

A Sociologia virou sociologismo há muito tempo. A Filosofia aprisionou o conhecimento nas cadeias dos dogmas. Não, o projétil não atinge as matérias, apenas dá um tiro de misericórdia na testa dos falsos sociólogos e hipócritas filósofos (vera vassouras)

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    Elton Kruger

    19 de abril de 2018 às 16h19

    Vassoura, qual foi a régua que utilizasse para tal afirmação? Adoraria conhecer a fonte da pesquisa, metodologia e os resultados, ou clicar em um link para apreciar essa tua tese. Aguardo!

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Regina Canto

23 de setembro de 2016 às 23h43

Um povo que não pensa é mais fácil para ser manipulado !

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Von Mises

23 de setembro de 2016 às 23h16

Ele só tá continuando um plano da Dilma…
A Dilma também queria voltar ao regime Militar? Kkkkk
( https://www.youtube.com/shared?ci=s52bc5W3CII )

Engraçado vocês falar de estudo no regime militar, eles nunca influenciaram o estudo na época, tanto que combateram só as guerrilhas e não a ideologia.

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    Mara

    24 de setembro de 2016 às 00h18

    Você parece ter sido educado pelo Regime Militar, se não fosse não estaria falando asneiras tão grandes. A Ditadura colocou em prática o plano MEC-USAID, com diversas mudanças no sistema de educação, introdução do sistema de créditos, desideologização das universidades, tecnificação do ensino, etc. Centenas de professores foram aposentados e muitos exilados. O ensino técnico substituiu as humanidades no ensino secundário, e muito mais. Você é muito ignorante, e isso que me espanta. Tente se livrar da ditadura que está entranhada em você. E olha só esse seu “KKKKKK” é pior do que quem lê mexendo os lábios. É muito feio mesmo. Coisa de gentinha.

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    Mary Simonette

    24 de setembro de 2016 às 03h05

    Durante o regime militar eu cursava o ensino fundamental em escola pública. Tive as disciplinas introduzidas pelos militares no curriculo escolar. Quando completei 18 anos eu era uma completa alienada não sabia o que estava acontecendo em meu país em plena Ditadura.

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