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Espiando o poder – De volta à crise, rumo ao Juízo Final

Por Luis Edmundo

05 de outubro de 2016 : 10h55

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Espiando o poder: análise diária da grande imprensa

Por Luis Edmundo Araujo, colunista do Cafezinho

O homem no meio da foto aí de cima, a erguer o braço logo abaixo de um exultante Eduardo Cunha, no dia de sua eleição à presidência da Câmara, esse homem feliz a celebrar a vitória do aliado é o deputado federal Darcisio Peroni (PMDB/RS), que hoje, na foto principal da capa do Globo, de André Coelho, exibe outra fisionomia. Peroni é o relator, na Câmara, da proposta que limita o crescimento dos gastos públicos, e na primeira página do jornal carioca, à frente do assessor fora de foco a esconder o rosto de cabeça baixa, talvez desesperado, o deputado arregala os olhos com a mão na boca, acima da palavra que titula a imagem: espanto. Ao lado, na chamada auxiliar da manchete sobre a elevação dos gastos com a Saúde para que a proposta seja aprovada no Congresso, Peroni diz que sem aperto fiscal o “dia do Juízo Final chegará e atingirá a todos”. A eleição municipal sai de cena um pouco, por enquanto, e a grande mídia fala em juízo final pra voltar a anunciar o caos total, a tragédia iminente caso não seja logo consumada a cartilha econômica que ela defende, a começar pelo ajuste fiscal.

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Em outras duas chamadas da capa do Globo as universidades “agonizam” e a “produção da indústria interrompe ciclo de altas”, dado do qual se aproveita Míriam Leitão pra dizer que a queda “mostra a urgência do ajuste”. A Folha dá seu recado nas chamadas menores, já que sua primeira página é dominada pelo prefeito eleito João Doria apontando à frente, tal qual um Tio Sam chamando pra guerra na foto de Marlene Bergamo. O jornal também anuncia a queda da indústria e, logo abaixo, dá voz na capa à sigla que há muito tempo, mais precisamente durante os 13 anos de governos do PT, não falava nada sobre o Brasil. O País voltará a ter o oitavo maior PIB (Produto Interno Bruto) do planeta, diz o Fundo Monetário Internacional, o velho FMI, que volta a dar as cartas entre nós e por isso projeta otimismo, a dizer que a economia nacional ultrapassará a da Itália em 2017, e deve manter essa posição ao menos até 2021. Curiosamente, a chamada vem ao lado do texto-legenda sobre outra matéria, de outra editoria, embaixo da segunda maior foto da primeira página da Folha, que mostra o papa Francisco caminhando sobre os destroços de um terremoto na região central, justamente, da Itália.

refugiados-aris-messinis-afpÉ também do país que será ultrapassado pelo Brasil, segundo o FMI, que vem a foto ao lado, tocante, da capa do Estadão. A imagem captada por Aris Messinis, da France Presse (AFP), mostra refugiados que tentavam atravessar o Canal da Sicília, e é mais um retrato da crise mundial, global. Vem abaixo da manchete do jornal, dando conta de que o governo federal quer reduzir salários iniciais do funcionalismo, com destaque em vermelho para os R$ 29,1 mil mensais recebidos por um consultor legislativo do Senado em início de carreira. É grave a crise, é preciso cortar gastos, mas enquanto não faz o que por enquanto apenas quer fazer, o governo gasta com publicidade ao iniciar, nas edições dos grandes jornais desta quarta-feira, campanha anunciada pela Folha no alto da página A10. “Temer promove campanha crítica ao governo Dilma”, diz a Folha no título para, três páginas adiante, mostrar o anúncio enorme, em que o governo federal não eleito, nem votado, afirma que é preciso “tirar o Brasil do vermelho”.

Além de contemplar os jornais, a ofensiva publicitária chegará também às rádios, emissoras de televisão e à internet, como informa a matéria da Folha que, no entanto, avisa logo no subtítulo que os custos de tal campanha não foram divulgados. É preciso alertar toda a população para a necessidade vital do ajuste fiscal, do reequilíbrio das contas públicas. Essa é a justificativa do governo federal para os gastos publicitários, e a mídia amiga, parceira, onde Temer aparece sorridente na foto de Norberto Duarte (AFP), ajeitando a gravata, já tem sua parcela do lucro com o propalado juízo final, que anda mais perto de acontecer também no âmbito do Judiciário, a julgar pela chamada reservada à Lava Jato na primeira página do Globo, no alto, onde o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki condena o que chamou de “espetáculo midiático” da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) para a apresentação do powerpoint da denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A chamada do Globo só não diz que, mesmo condenando “o espetáculo midiático de forte divulgação que se fez em Curitiba”, Teori negou o recurso da defesa de Lula no julgamento em que o ministro proferiu essa crítica contundente aos seus acusadores, e manteve o processo do ex-presidente nas mãos do juiz Sergio Moro. “Se deu notícia sobre organização criminosa, mas o que foi objeto de oferecimento de denúncia não foi nada disso, houve um descompasso”, disse Zavascki. E na sentença, sob a alegação de que o tal espetáculo midiático não teve participação de Moro, mas do Ministério Público, Teori defendeu a manutenção dos processos de Lula nas mãos do juiz que aceitou prontamente, sem nada questionar, as tais denúncias em “descompasso”, tão criticadas pelo ministro do STF. Os demais ministros da Segunda Turma do STF presentes, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, concordaram com Zavascki.

Em outra decisão de ontem exposta na mesma chamada de capa do Globo, o ministro Edson Fachin liberou para julgamento denúncia contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, o que não parece preocupar muito as hostes peemedebistas, já que no Estadão, também em chamada de primeira página, Temer avisa que deve mesmo nomear para ministro do Turismo o deputado federal Marx Beltrão (PMDB-AL), réu no STF por falsidade ideológica. Beltrão teria assinado e apresentado ao Ministério da Previdência seis dos chamados comprovantes de repasse e recolhimento com informações falsas, nos meses de março de 2011 e 2012.

E de resto, enquanto clamam pela salvação contra o Juízo Final, os três jornais nada citaram nem na capa nem nas páginas de dentro sobre a votação marcada para começar hoje, na Câmara, sobre a abertura ou não do pré-sal. Uma matéria relacionada a isso pode ser encontrada, com busca atenta, em uma coluna embaixo, na editoria de economia do Globo. O texto, pequeno, diz que a Petrobras começa a sondar fundos e petroleiras interessados na aquisição de parte das ações da BR Distribuidora. Entre as interessadas estariam a petroleira Total, francesa, a Itaúsa, holding de investimentos da família que controla o banco Itaú, fundos de investimentos como Advent e GP e o Vitro Group, que comercializa petróleo. Segundo fonte não identificada pelo jornal, o Citibank assessora a Petrobras na venda de sua subsidiária.

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Luis Edmundo

Luis Edmundo Araujo é jornalista e mora no Rio de Janeiro desde que nasceu, em 1972. Foi repórter do jornal O Fluminense, do Jornal do Brasil e das finadas revistas Incrível e Istoé Gente. No Jornal do Commercio, foi editor por 11 anos, até o fim do jornal, em maio de 2016.

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1 comentário

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João Bosco

05 de outubro de 2016 às 13h05

Vão quebrar o País de novo, como fez o falastrão. Quebrar, pra vender de novo a preço de bananas.

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