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Waldeck Carneiro: Reforma do Ensino Médio de Temer é um golpe no futuro do Brasil

Por Theo Rodrigues

19 de outubro de 2016 : 11h14

Um dos temas mais polêmicos propostos pelo governo de Michel Temer nos últimos meses foi certamente a proposta de reforma educacional.

Em artigo especial para O Cafezinho um dos maiores especialistas em educação no Brasil, o deputado petista Waldeck Carneiro, aponta os perigos da proposta.

Professor da UFF, Waldeck foi aluno de Pierre Bourdieu quando realizou seu doutorado em sociologia da educação na Sorbonne, na França.

Waldeck explica de forma clara a principal razão da proposta: “Temer quer assegurar aos filhos da burguesia brasileira a riqueza de nossa herança cultural, de modo a prepará-los como elites dirigentes”.

Leia abaixo o texto na íntegra:

 

MP sobre Reforma do Ensino Médio: golpe no futuro do Brasil

Por Waldeck Carneiro, especial para O Cafezinho*

 

O governo golpista do usurpador Michel Temer baixou, recentemente, a MP nº 746/2016, que propõe a Reforma do Ensino Médio. Trata-se da primeira medida de caráter mais orgânico do governo golpista na área de educação. Um desastre! Em sua versão original, a MP retira do currículo escolar o ensino de Artes, Filosofia, Sociologia e Educação Física. É uma “agressão frontal à Constituição de 1988 e à Lei de Diretrizes da Educação Nacional, que garantem a universalidade do Ensino Médio como etapa final da Educação Básica”, conforme afirmou em texto recente o grande pensador da educação brasileira Gaudêncio Frigotto.

A MP reafirma e intensifica o dualismo escolar: escolas particulares vão continuar a oferecer currículos extensos e mais densos aos filhos das elites, mas, aos filhos da classe trabalhadora, será oferecido apenas um currículo minimalista.

A MP 746/2016 é também, segundo Gaudêncio Frigotto, um retrocesso, uma marcha rumo ao obscurantismo: “O medíocre e fetichista argumento de que hoje o aluno é digital e não aguenta uma escola conteudista” dissimula o que realmente os adolescentes e jovens rejeitam, a saber, uma escola pública degradada fisicamente, sem laboratórios ou bibliotecas, sem espaços para a arte e as atividades culturais, sem quadras poliesportivas. Rejeitam uma escola pública cujo corpo docente, de modo geral, sobrevive sob condições de trabalho e de formação muito adversas, quando não degradantes.

O governo elitista e golpista de Temer quer assegurar aos filhos da burguesia brasileira a riqueza de nossa herança cultural, de modo a prepará-los como elites dirigentes. Mas, aos filhos dos trabalhadores, quer garantir apenas os rudimentos do conhecimento humano para mantê-los em posição socialmente subalterna, com poucos subsídios para que alcancem estágios mais avançados, do ponto de vista social, econômico e político.

*Deputado Estadual (PT-RJ) e Professor da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFF.

Theo Rodrigues

Theo Rodrigues é sociólogo e cientista político.

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