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Espiando o poder – A gasolina sobe, a tensão aumenta e o golpe tem pressa

Por Luis Edmundo

22 de outubro de 2016 : 12h47

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Espiando o poder: análise diária da grande imprensa

Foto: Ed Alves/CB/D.APress

Por Luis Edmundo Araujo, colunista do Cafezinho

Foi num sábado também, há exatos sete dias que o Globo, o Estado e a Folha de São Paulo deram juntos a mesma manchete alvissareira. Caía o preço do combustível pela primeira vez desde 2009, fruto da liberdade para os preços da Petrobras não mais controlados pelo governo, regidos, agora, pelo mercado. Hoje, o jornal carioca é o único a conceder o mesmo tratamento ao tema, com a manchete avisando em cima que “Petrobras baixa preço, mas…”, e embaixo, em letras maiores, que “Gasolina fica mais cara”. No subtítulo, o Globo informa que “após corte de 3,2% nas refinarias, valor do litro sobe 4,64% nas bombas”. O Estadão ignora o assunto na capa e a Folha anuncia o aumento nas últimas linhas da chamada em que a “Petrobras fecha acordo nos EUA para encerrar processos”, abaixo da manchete sobre o mais novo entrevero entre as divisões do golpe, que também é o assunto principal da capa do Estado. “PF prende chefe da polícia do Senado e mais três agentes”, diz a Folha, enquanto o concorrente avisa que “Operação aumenta tensão entre Congresso e Lava Jato”. Diante das boas notícias econômicas que viram más, a mídia familiar escolhe seu lado nesse embate, rifa caciques do PMDB e dá o recado que mais importa para ela na chamada de capa do Estadão para o artigo de João Domingos: “opção de Temer é correr para aprovar reformas. Daqui a uns dias, quem sabe o que sobrará?”

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O Globo dá chamada no alto da capa para a prisão, feita pela Polícia Federal, de quatro “policiais do Senado acusados de realizarem varreduras ilegais antigrampo em gabinetes e endereços particulares dos senadores Fernando Collor, Gleisi Hoffmann e Edson Lobão Filho, além do ex-presidente José Sarney. Para a PF, a varredura indica tentativa de obstruir a Lava-Jato”. Na Folha, a coluna Painel, assinada hoje por Paulo Gama, conta, na nota “Ação e reação”, que “a operação no Senado foi vista entre peemedebistas como um resposta de Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal às novas movimentações do presidente da Casa, Renan Calheiros, e aliados para desengavetar o projeto sobre abuso de autoridade”.

A mesma coluna conta também que as “maletas antigrampo”, que seriam a “peça central de um sistema de contrainteligência que levou quatro policiais do Senado à prisão”, também interessavam a Câmara dos Deputados. E no imbróglio entre Judiciário e Legislativo que só o Estadão usa como principal imagem da capa (na foto de Jorge William, do Globo, muito parecida com essa aí de cima), a grande mídia retoma a simbiose ultimamente esquecida, entre jornais e revistas, para mostrar claramente o lado que mais lhe apetece.

O Globo levanta a bola para a revista da casa e informa, em alto de página: “‘Época’: delator levou R$ 5,5 milhões para Renan e Jader” Barbalho (PMDB-PA). Segundo a matéria, “Felipe Parente, o ‘homem da mala do PMDB’, teria repassado propina de empreiteiras aos senadores”, ambos do PMDB. Os dois são acusados de receber propinas de R$ 5,5 milhões de 2004 a 2006, “referentes ao esquema de corrupção da Petrobras.” Segundo a matéria, “Parente era responsável pela entrega de dinheiro em espécie de propinas da Transpetro, subsidiária da Petrobras”, e Merval Pereira não deixa de explorar o assunto na coluna que opina já no título, “Polícia particular”.

Merval até mostra certa neutralidade, como ao dizer que “não faz bem à democracia que exista uma polícia atuando paralelamente para a proteção do Legislativo, assim como não é aceitável que a Polícia Federal possa se aproveitar de uma investigação de repercussão nacional para cercear a atividade de segurança normal do Senado.” Lembra, no entanto, que “a história da polícia do Senado não favorece a versão de que agiam dentro do estrito cumprimento da lei.” O colunista fala na ” tradição de agentes que sempre serviram aos senadores para além de suas atividades institucionais, especialmente o presidente da Casa”.

No parágrafo seguinte, Merval saca a denúncia da Época e afirma que “o que agrava a situação do senador Renan Calheiros é que, no mesmo dia em que a Polícia Federal pôs em xeque a atuação da Polícia Legislativa, seu nome aparece em delações premiadas como receptador de propinas vindas de diversas fontes”. De acordo com a Época, diz o colunista, “os repasses a Renan Calheiros e Jader Barbalho (..) referem-se às empreiteiras Queiroz Galvão e UTC, e a uma empresa de afretamento de navios, Teekay Norway, que chegou a dispor de sete embarcações de transporte de petróleo em alto mar exclusivamente contratadas pela Transpetro.”

Um dos quatro presos pela PF, o diretor de polícia do Senado, Pedro Ricardo Carvalho, é, segundo a Folha informa na chamada de capa, “homem de confiança” de Renan, que reagiu à operação afirmando, em nota, que “as instituições, assim como o Senado, devem guardar os limites de suas atribuições legais”. O Estadão conta na capa que Renan e o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, “trocaram farpas”. O senador não gostou das declarações de Moraes, que afirmara que os quatro policiais do Senado agiram com o objetivo de obstruir a Lava Jato.

Na briga entre os Poderes, o Executivo também pende para o Judiciário, ficando ao lado ainda do Quarto Poder contra qualquer questionamento, qualquer restrição à onipotência de policiais e procuradores da Lava Jato. “Seria um enorme retrocesso impedir ou dificultar o avanço das investigações da operação”, diz o Estadão no editorial “Lava Jato não requer privilégio”, com chamada na mesma capa em que lá em cima, acoplado à manchete, o jornal dá seu jeito de incluir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No título em vermelho, pequeno mas na capa, o diário paulista avisa que “filho de Lula na mira”. O caso, segundo o jornal, remete a laudo da PF com dados da Receita Federal mostrando “que a variação patrimonial de Luis Claudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, foi ‘formalmente incompatível’ entre 2011 e 2013”. Em nota, os advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira, que defendem a família de Lula, disseram que o laudo “vazado à imprensa não aponta a prática de qualquer ilícito”.

Segundo a nota, “a afirmação de que a variação patrimonial de Luis Claudio no período de 2011 a 2013 seria “formalmente incompatível”com as “sobras financeiras” deve-se ao fato de que Luis Cláudio pagou despesas relativas à sua empresa que foram por ela reembolsadas”. De acordo com os advogados, ” próprio laudo registra ‘transferências bancárias da LFT Marketing’ em favor de Luis Claudio e, ainda, que ’em razão da ausência da documentação fiscal da empresa LFT Marketing não foi possível efetuar o cruzamento de informações’.

Os advogados lembraram também que a divulgação dos dados bancários de Luis Claudio, “cujo sigilo é assegurado pela Constituição Federal”, ocorreu “no âmbito de inquérito policial presidido pelo delegado federal Marcio Adriano Anselmo, que possui um histórico de ofensas ao ex-presidente Lula, pai de Luis Claudio, nas redes sociais”. Nada disso, porém, saiu na capa do Estadão, assim como nada foi dito sobre mais uma cisão nas hostes golpistas, representada pela denúncia dos promotores Cássio Conserino e Fernando Henrique Araujo, de São Paulo, contra Sergio Moro.

Os dois são os mesmos que em março deste ano apresentaram acusação formal e pedido de prisão contra Lula com a já histórica troca de Friedrich Engels, parceiro de Karl Marx, pelo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), pensador da corrente dialética e do historicismo, mas não da esquerda. Agora, os dois promotores “afirmaram em juízo que um ‘acordo de cavalheiros’ilegal feito pelo ‘Poder Judiciário de 1o grau’ levou ao fatiamento da denúncia sobre o prédio onde fica o triplex anteriormente reservado ao presidente Lula”.

O caso vem publicado hoje só na Folha, na matéria em uma coluna sob o título “promotores criticam Moro por assumir caso do triplex”. Em cima na página, o jornal avisa que “Claudia Cruz vai a Curitiba visitar Cunha, que reclama de frio na prisão”. O jornal foi o único a dar a foto de Cláudia na primeira página, mantendo viva a ameaça de delação que, segundo Jorge Bastos Moreno, na nota “À espera de milagres”, vem mexendo com os nervos do “Governo e sua base”. “Todos reconhecem que o clima de tensão só vai desanuviar mesmo após a provável recusa da quase certa proposta de delação do ex-deputado. Por absoluta falta de credibilidade”, aposta Moreno.

E enquanto crescem as tensões internas dos meandros do golpe, a Petrobras fecha o acordo para pagar  “…ao menos US$ 353 milhões” a “quatro fundos americanos de investimento para que ações que movem contra a estatal na Justiça dos EUA sejam extintas”, como informa a Folha. A medida deve ter contribuído para que a agência Moody’s aumentasse a nota de crédito da estatal, o que o Estadão destaca em chamada de capa sem nada sobre o aumento da gasolina.

A sangria continua e é preciso correr para sangrar mais, aprovar as reformas porque, como lembra Jão Domingos no Estado, “se a situação política nunca esteve tão favorável a PMDB, PSDB e DEM, ela nunca esteve tão incerta”. E na Argentina, que vem seguindo há mais tempo esse modelo cantado e decantado pela grande mídia, o Globo informa só nas páginas de dentro que o país “frustra expectativas de recuperação rápida”. A matéria abre falando que quando o presidente “Mauricio Macri chegou ao poder, em dezembro do ano passado, economistas estimavam que os primeiros meses de gestão seriam difíceis, mas que a economia começaria a mostrar sinais de recuperação a partir do segundo semestre. Estavam enganados”. Hoje, segundo o subtitulo da matéria, a Argentina “ainda não consegue atrair investimentos” e “desemprego e pobreza marcam 1º ano de Macri”. Qualquer semelhança…

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Luis Edmundo

Luis Edmundo Araujo é jornalista e mora no Rio de Janeiro desde que nasceu, em 1972. Foi repórter do jornal O Fluminense, do Jornal do Brasil e das finadas revistas Incrível e Istoé Gente. No Jornal do Commercio, foi editor por 11 anos, até o fim do jornal, em maio de 2016.

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5 comentários

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Paulo Zeka

23 de outubro de 2016 às 21h31

Fico Pensando…se estão questionando a compra da “RUIVINHA”, aquela refinaria de Pasadena, no futuro PRÓXIMO PODEREMOS mandar essa CORJA SUJA que rifa nossas riquezas, a preço de banana, pra cadeia. É só ir anotando o nome desses irresponsáveis.

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robertoAP

22 de outubro de 2016 às 21h19

Os otários que apoiaram a saída da Dilma ,vão voltar a fazer fila nos postos de gasolina em toda sexta feira, antes do aumento semanal, igualzinho ao tempo do FHC,que também vendia o Brasil e tirava direitos e salários dos trabalhadores.
Ainda vamos ver coxinha escrevendo nos muros:. “VOLTA DILMA”.

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Claudio

22 de outubro de 2016 às 20h18

O que penso e o que vejo…
Os três poderes não são três, mas um, pois se o judiciário pode intervir, investigar e julgar o executivo e o legislativo, automaticamente temos um poder que não é eleito pelo povo e está acima de todos.
Dessa forma, indiscutivelmente temos uma ditadura.
Para não ser uma ditadura era necessário que o executivo e o legislativo tivessem o mesmo direito de grampear o executivo e depois todos juntos jogar em rede nacional para ver o que eles falam nas nossas costas. Sem falar que o judiciário deveria ser eleito como os políticos. Assim, sim seria uma democracia.
“E eu nem vou falar da mídia e da elite que parece deus no monte sião acima do bem e do mau.
Falar da maçonaria nesse caos todo seria uma blasfêmia e heresia sujeita a crucificação.”

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    Rogério Bezerra

    23 de outubro de 2016 às 15h21

    Além de concordar com seu pensamento, concordo com os minúsculos do texto. Cada dia mais são minúsculos o judiciário, maçonaria e etc.

    Responder

Ronaldo Braga

22 de outubro de 2016 às 13h59

É o PSDB, idiota!

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