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Os presidentes e seus legados

Por Miguel do Rosário

27 de janeiro de 2017 : 12h06

Os presidentes da democracia e os seus legados políticos

J. Carlos de Assis, enviado ao Cafezinho

No curso da abertura política, o primeiro presidente da democracia, José Sarney, será lembrado tanto pela relativa imparcialidade no acompanhamento da elaboração da Constituição de 88 quanto pela impertinência com que, seguindo o mantra de seu ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, sustentou depois de sua promulgação que, com ela, o país se tornaria ingovernável. Era inconformismo com os fantásticos progressos sociais da Carta de 88.

O segundo presidente da democracia, Fernando Collor de Mello, será lembrado por ter autorizado o congelamento de ativos financeiros, juntando no mesmo saco moeda e poupança, o que levou a uma tremenda contração da economia no ano de 1991. Será lembrado também, naturalmente, por ter sofrido o impeachment, e por dar partida ao programa de privatização de ativos públicos começando pelo setor siderúrgico.

O terceiro presidente da democracia, Itamar Franco, será lembrado por uma certa parcimônia na condução dos negócios do Estado, desacelerando o programa de privatização exceto pela venda da Ligtht, uma empresa de serviços públicos. Se forem justos com ele, será lembrado, e não Fernando Henrique, pelo Plano Real, produto de sua insistência em enfrentar a hiperinflação em curso e as altíssimas taxas de juros.

Não é pelo Plano Real, senão casualmente, que Fernando Henrique Cardoso, o quarto presidente da democracia, será lembrado. É por ter expandido no limite o programa de privatização para incluir empresas de serviços públicos nos setores de telecomunicações e energia elétrica. Acima de tudo, privatizou a Vale do Rio Doce, uma das maiores empresas de mineração no mundo, estratégica e essencial para nosso desenvolvimento.

Lula, o quinto presidente da democracia, será lembrado por ter promovido a maior inserção no mercado formal das classes baixas do país, aumentado o salário mínimo e presidido um tempo de fartura nas contas internacionais devido aos preços altos e a grande demanda de bens agrícolas e minerais da China. Entretanto, capitulou ao neoliberalismo como seus antecessores, entregando a economia e o Banco Central a dois neoliberais radicais.

Dilma Roussef, sexto presidente da democracia, será lembrada como a primeira brasileira a assumir o cargo e, naturalmente, a segunda a sofrer impeachment, certamente de forma injusta. Será lembrada como continuadora parcial a obra de Lula e absolutamente intratável no plano pessoal com políticos e até colaboradores. Capitulou de forma vergonhosa ao neoliberalismo entregando a economia a um vassalo do sistema financeiro.

Michel Temer, o sétimo presidente da democracia, com muito menor tempo de mandato que qualquer de seus antecessores entregou o pré-sal a petrolíferas estrangeiras, está privatizando a Petrobrás de forma fatiada, planeja entregar o controle da Vale à banca e a estrangeiros, tentou doar às empresas de telecomunicações R$ 100 bilhões em ativos, impõe aos governadores a privatização de serviços públicos como a água, sancionou a PEC da Morte para destruir o setor público brasileiro e eliminar qualquer possibilidade de construção de um Estado de bem-estar social no Brasil.

Ainda na agenda de Temer está a piora das condições da Previdência para forçar a privatização desse serviço, a precarização do mercado de trabalho para atender ao projeto neoliberal de custo mínimo do trabalho em favor do lucro do capital especulativo, a entrega da base de Alcântara aos Estados Unidos para se desculpar pela forma grosseira como o ministro José Serra tratou o então candidato Donald Trump, a indiferença diante da destruição da Engenharia Nacional pela Lava Jato.

Como se vê, no curto espaço de tempo em que tem o comando formal do país, Temer e seus asseclas destruiu mais empresas e ativos brasileiros do que todos os seus antecessores juntos. Isso se chama aplicação radical do neoliberalismo. Antes, a palavra neoliberalismo soava para nós como um conceito abstrato. Agora o vemos aplicado na prática com uma velocidade avassaladora e proposital, justamente para não dar tempo à opinião pública e aos setores contrariados de articular uma reação.

Estamos sendo levados rapidamente para o Estado mínimo no justo momento em que Trump, nos EUA, busca reforçar o Estado nacional norte-americano em favor dos trabalhadores americanos. Entre nós, para reverter a tendência entreguista em curso precisamos de um líder nacionalista que afirme o interesse nacional desde o subsolo ao que resta da indústria nacional, e se oponha aos privilégios do capital financeiro especulativo. Não há muitos por aí. Mas se procurarmos achamos.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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14 comentários

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Luiz Carlos P. Oliveira

28 de janeiro de 2017 às 12h12

Puxa. Eu não sabia que faculdades formam DOUTORES EM ESTUPIDEZ. Mas esse Daniel me convenceu. Ele até deve ter um “diproma” de Curso de Estupidez à Distância, pois ele, certamente, nunca frequentou uma aula de verdade. Para o mundo! Eu quero e preciso descer. Não aguento essa gente estúpida. E, ainda por cima, com “diproma”.

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Luiz Carlos P. Oliveira

28 de janeiro de 2017 às 12h07

Só tem o Lula. O resto é entreguista.

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Rekern

27 de janeiro de 2017 às 16h01

Doutor em bobagens, em falsas idéias e em preconceitos. Formado na ditadura com louvor.

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Rekern

27 de janeiro de 2017 às 16h00

Pô, J. chamndo os chefes das torturas e assassinatos de 1964 de presidentes. Se para a esquerdaeles são isso, para direita são anjos. Vamos colocar as coisas nos seus lugares, DITADORES com sangue de milhares de brasileiros nas mãos.

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DANIEL

27 de janeiro de 2017 às 13h37

VERGONHA DEMAIS DE TER TIDO UM TORNEIRO MECANICO COMO PRESIDENTE (TORNEIRO DOS BONS QUE ATE PERDEU UM DEDO, DIZEM QUE FOI SO P SE APOSENTAR), ME PERGUNTO, OQUE UM TORNEIRO MECANICO QUE MAL SABE OPERAR UMA MAQUINA TERIA A OFERECER A UM PAIS, QUAL SERIA A ROTINA ADMINISTRATIVA DELE ?? NENHUMA.. PELO TANTO QUE ROUBOU NAO TERIA TEMPO MESMO P TRABALHAR.. RSS
VAMOS DEIXAR P FALAR DE DILMA QUANDO ELA FOR PRESA APOS O LULA.

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    Miguel do Rosário

    27 de janeiro de 2017 às 14h04

    Preconceito hein.

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    Marcos

    27 de janeiro de 2017 às 14h17

    Preconceito contra torneiro mecânico ou contra o PT? Obviamente você lê a revista veja e assiste a programação da globo…

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      Miguel do Rosário

      27 de janeiro de 2017 às 15h00

      Vai ser tratar, filho

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        DR.DANIEL

        27 de janeiro de 2017 às 15h22

        VOU SIM .. JA DEI A VOCES O LIXO QUE MERECEM…
        E VEJA BEM O COMPARATIVO DE PRESIDENTES QUEM PROPOS FOI VOCE.. !! DONO DA INTERESSANTE MATERIA.. POREM ESCRITA PARA PETISTAS.. MAIS BACANA..
        MOSTROU O BOS_T@ QUE EO LULA PERTO DOS OUTROS.

        VOU ME TRATAR .. E VOCE PODE IR PEDIR ESMOLA .

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          Romerito

          28 de janeiro de 2017 às 01h49

          Vai te tratar seu nazifacista de merda nunca vi tanto ódio some daqui….inùtil

    Edmilson

    27 de janeiro de 2017 às 14h31

    Que imbecilidade. Pelo jeito não conseguiu ler mais que duas linhas do texto e foi ligar na Globo pra saber como agir.
    Como diz o Karnal: falta interpretação…
    Eu diria, falta inteligência própria.
    Imbecil, ignorante funcional e teleguiado.
    Temer e Moro são seus ídolos. Coitado de ti que não usa bem 1% do teu cérebro.
    Ignorante!
    Lamentamos todos nós que pensamos!!!!

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    diego

    27 de janeiro de 2017 às 14h52

    Cidadão, você sequer deu o trabalho de ler a matéria?
    Acho que você só leu a legenda de cada presidente na foto pra babar seu ódio.
    A mídia é mesmo uma ferramenta muito eficiente.
    Típico cidadão manipulado querendo gritar com palavras de caixa alta.

    Esse brasil está na lama mesmo.

    Responder

Geraldo José

27 de janeiro de 2017 às 15h12

OS FERNANDOS FORAM OS PIORES. MAS O PIOR DOS PIORES ESTA FALTANDO. FORA TEMER.

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    Romerito

    28 de janeiro de 2017 às 01h51

    É isso aí Geraldo…

    Responder

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